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Uma semana depois, propaganda na TV mudou cenário das eleições? Sim e não

Arte UOL Carros/Rivaldo Gomes - Folhapress
Imagem: Arte UOL Carros/Rivaldo Gomes - Folhapress

Matheus Pichonelli

Colunista do UOL

16/10/2020 17h14

A propaganda eleitoral na TV começou há uma semana, mas, a depender das pesquisas Ibope divulgadas na quinta-feira (15), nem memes, nem ataques, nem cenários copiados de outras campanhas parecem ter mudado a cena das disputas em algumas principais cidades do país, certo? Mais ou menos.

Em São Paulo, por exemplo, Celso Russomanno (Republicanos) oscilou um ponto para baixo e Bruno Covas (PSDB), um para cima, na comparação com o levantamento do dia 2 de outubro. Eles estão tecnicamente empatados com 25% e 22%, respectivamente, já que a margem de erro é de 3 pontos percentuais. Guilherme Boulos (PSOL) oscilou dois pontos para cima e chegou aos 10 pontos.

E, desde a estreia na TV, Jilmar Tatto (PT), que se apoia em Lula para alavancar a campanha, saiu de 1% e foi para 4%. Dos seis programas que foram ao ar até esta sexta-feira (16), contando os de tarde e de noite, o ex-presidente só não apareceu na propaganda de Tatto uma única vez.

Se é ou não uma tendência as próximas pesquisas vão dizer. No último Datafolha, Russomanno aparecia como favorito entre eleitores petistas.

À medida que a campanha avança, é possível que um tire votos do outro e abra caminho para uma terceira força.

Mas o dado mais importante apontado pelo Ibope na disputa paulistana é que Covas não é mais o candidato campeão de rejeição. No começo do mês, 31% dos entrevistados diziam não votar no candidato tucano à reeleição de jeito nenhum. O índice despencou para 23%.

Na TV, Covas não apelou a piadinhas nem se escorou em padrinhos políticos. Em tom de sobriedade, falou da pandemia, de dramas pessoas, do avô e do filho.

Já Russomanno, que arriscou ao trazer Jair Bolsonaro para o centro da campanha, assumiu o posto de candidato mais rejeitado após a semana de exposição na TV. Tinha 27% e agora tem 30%.

Joice Hasselmann, que levou ao ar um compilado de memes para alavancar a candidatura, não só se manteve com raquítico 1% das preferências como viu sua rejeição chegar a 24% — era 19% há duas semanas.

Guardem estes números. Eles podem fazer a diferença em um provável segundo turno.

Outro detalhe da pesquisa é que caiu o número dos que pretendem anular ou votar em branco, de 20% para 17%. Os indecisos somam 7%.

Quem quiser crescer na campanha terá de convencer o eleitor indiferente até aqui a sair de casa no dia da eleição. O duro vai ser fazer isso com limitação de deslocamentos e tempo de TV escasso.

No Rio, brancos e nulos "lideravam" a pesquisa no começo do mês. O índice é ainda alto, mas com a propaganda caiu de 28% para 23%, enquanto Eduardo Paes subiu três pontos e ostenta agora 30% das preferências.

Todos os outros candidatos ficaram estáveis, inclusive Marcelo Crivella, que levou à TV um cosplay de telejornal da Globo para atacar a Globo e seguiu com 12% das intenções de voto, quase um quinto de sua rejeição, ainda intacta, de 57%.

Já no Recife, o começo da propaganda eleitoral parece ter favorecido o líder João Campos, que subiu dez pontos percentuais e chegou a 33%.

O número de indecisos caiu de 7% para 3% dos eleitores e o dos que não têm preferência foi de 22% para 14%.

Na capital pernambucana, a briga, pelo jeito, ficou para ver quem será o concorrente do filho de Eduardo Campos em um provável segundo turno, quando a rejeição ao hoje favorito (28%) pode fazer a diferença.

Já em Belo Horizonte, onde só 13% pretendem votar em branco ou nulo e 9% seguem indecisos, a maior novidade após a propaganda na TV foi que o candidato João Vitor Xavier (Cidadania) chegou a 7% das preferências, o que pouco ou nada altera a corrida liderada por Alexandre Kalil (PSD). O atual prefeito da capital mineira chegou a 59% e só mesmo um novo 7 a 1 no Mineirão deve impedir o ex-presidente do Galo de levar o jogo no primeiro tempo.