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Em SP, 5 candidatos à Câmara concentram doações milionárias dos partidos

O vereador de São Paulo Milton Leite (DEM) é o candidato a vereador com mais doações recebidas em São Paulo - Janaina Garcia
O vereador de São Paulo Milton Leite (DEM) é o candidato a vereador com mais doações recebidas em São Paulo Imagem: Janaina Garcia

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

28/10/2020 04h00Atualizada em 28/10/2020 10h55

As 55 cadeiras da Câmara Municipal de São Paulo estão concorridas este ano: 1.997 candidatos a vereadores se aventuram na eleição de 2020, um aumento de 51,8% em relação a 2016. O dinheiro para financiar essas campanhas, no entanto, está concentrado: 14% de toda a verba recebida por meio de doações chegaram aos cofres das campanhas de apenas cinco postulantes.

Até o dia 25 de outubro, data da primeira parcial de prestação de contas, os candidatos a vereador em São Paulo receberam um total de R$ 46 milhões em doações. Cinco deles ficaram com R$ 6,4 milhões, dinheiro principalmente público, repassado pelos partidos políticos por meio do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.

A diferença entre os fundos

  • Fundo Partidário: depende do desempenho do partido na eleição para a Câmara dos Deputados;
  • Fundo Eleitoral: criado em 2017, após a proibição de doações de pessoas jurídicas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), é alimentado pelo Tesouro Nacional.

O campeão é Milton Leite

Com R$ 2,3 milhões, ninguém recebeu mais doação do que o candidato à reeleição Milton Leite (DEM), ex-presidente da Câmara e seis vezes vereador na capital.

Sua campanha contabilizou mais dinheiro do que dez dos 14 candidatos a prefeito. Só ficou atrás de Bruno Covas (PSDB), com R$ 7,8 milhões, Jilmar Tatto (PT), com R$ 4,8 milhões, Guilherme Boulos (PSOL), com R$ 2,7 milhões, e Márcio França (PSB), com R$ 2,4 milhões.

A maior parte da verba foi repassada a Leite pelo partido: R$ 1,9 milhão saiu do Fundo Eleitoral e R$ 300 mil do Fundo Partidário. O próprio vereador ainda doou para si mesmo R$ 140 mil.

Segundo sua assessoria, Leite recebeu mais dinheiro porque é "puxador de votos do Democratas". "O valor é equivalente ao das eleições anteriores."

Logo depois dele, aparece o candidato a vereador Abou Anni Filho, que recebeu do PSL R$ 2,08 milhões. Ao UOL, ele disse se tratar de um engano e que retornou R$ 1,7 milhão do valor, embora o total ainda conste na base do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além dessa verba, a doação mais vultosa que recebeu saiu do bolso da família. Seu pai, o deputado federal Paulo Sérgio Abou Anni (PSL-SP), lhe doou R$ 43 mil, enquanto o irmão Vitor Abou Anni transferiu R$ 40 mil.

O ranking paulistano é formado ainda pelos vereadores Henrique Krigner (PP), com R$ 876 mil recebidos, e André Santos (Republicanos), com R$ R$ 627 mil.

Krigner recebeu só do diretório estadual (Fundo Eleitoral) R$ 650 mil. O caixa engordou de vez com os R$ 220 mil que recebeu de diferentes doadores. Segundo a campanha do candidato os critérios de doação "foram definidos na convenção partidária".

"No entanto, o candidato tem priorizado recursos doados por apoiadores privados. Por fim, salienta que valoriza a transparência e diariamente atualiza sua relação de entradas e saídas na plataforma oficial do TSE", diz em nota.

Já André Santos obteve R$ 580 mil do diretório estadual e mais R$ 15,7 mil do municipal. A maior doação física que recebeu foi de R$ 11,3 mil.

Em quinto surge Carlos Cavalcante de Souza (Republicanos), com R$ 505,8 mil recebidos em doação até agora. Desse total, 96%, ou R$ 490 mil, saíram do Fundo Eleitoral por meio do diretório estadual do Republicanos.

Procurados, apenas a assessoria de André Santos respondeu. Assim como Milton Leite, disse que "não há prejuízo aos demais candidatos" porque "toda votação obtida pelo candidato gera coeficiente eleitoral para toda a chapa", diz nota oficial que também atribui os repasses ao vereador "em atendimento à cota racial".

É que este ano o Supremo decidiu que os partidos devem distribuir a verba do Fundo Eleitoral de acordo com a proporção de negros que concorrem ao pleito.

Eleições à Prefeitura de São Paulo 2020

Errata: o texto foi atualizado
Por um erro da campanha do professor Mário Maeda (Podemos), a primeira versão desta reportagem o incluiu entre as cinco candidaturas que mais arrecadaram dinheiro. A consulta no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostrava que ele havia recebido R$ 1,1 milhão. A campanha informou que houve um erro ao lançar o valor e que o correto é R$ 1.100. Foi apresentado à reportagem um comprovante de retificação. Com base nesta alteração, os candidatos a vereador em São Paulo receberam um total de R$ 46 milhões em doações, e não R$ 47 milhões. O texto foi corrigido.