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TSE diz que retomar contagem de votos nos estados dobraria gasto em 10 anos

Modelo de urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras - Ascom/TSE
Modelo de urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras Imagem: Ascom/TSE

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

17/11/2020 17h59Atualizada em 17/11/2020 20h54

Após enfrentar atrasos na apuração do primeiro turno das eleições, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) detalhou hoje os custos estimados com o novo modelo de centralizar a totalização (contagem) dos votos no próprio tribunal.

Segundo o TSE, em dez anos, a centralização do sistema, utilizada pela primeira vez nestas eleições, vai levar a uma economia de R$ 65 milhões com gastos em tecnologia pela Justiça Eleitoral do país. A comparação é com o gasto estimado caso fosse retomada a contagem de votos pelos Tribunais Regionais Eleitorais de cada estado e do Distrito Federal, que ficaria em R$ 130 milhões para o mesmo período de uma década.

Esta foi a primeira eleição em que o TSE centralizou a totalização dos votos no sistema do próprio tribunal. Uma falha na operação do novo sistema levou a um atraso de cerca de duas horas e meia na divulgação final dos resultados. O tribunal descarta uma mudança na forma de totalização para o segundo turno, marcado para 29 de novembro.

A totalização é o processo de soma dos votos e compilação dos dados de todas as urnas.

Em outras eleições esse processo era feito no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de cada estado e do Distrito Federal, que enviavam os dados para serem consolidados nacionalmente e divulgados pelo TSE.

Segundo o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, a lentidão na apuração dos votos neste ano foi provocada por uma falha na operação do sistema utilizado pelo TSE, que não foi submetido a testes antes das eleições.

Barroso afirmou que a centralização no TSE foi uma recomendação da Polícia Federal feita após as eleições de 2018, com o objetivo de aumentar a segurança do processo.

A ideia por trás da mudança, segundo o tribunal, foi a de reduzir os pontos de vulnerabilidade do sistema, ao concentrar a totalização em apenas um ponto, no TSE.

Supercomputador

A centralização da contagem no TSE é realizada por meio de um supercomputador cujos serviços são contratados da empresa de tecnologia Oracle, a um custo de R$ 26 milhões, por um período de 48 meses. Isso representa, portanto, um custo de R$ 6,5 milhões por ano.

Já caso fosse feita a opção por retomar a totalização pelos TREs, isso exigiria um investimento de R$ 20 milhões na compra de 108 servidores para os órgãos regionais da Justiça Eleitoral.

Cada TRE nos 26 estados e no Distrito Federal precisaria de quatro servidores, dois para o processamento dos votos e mais dois como reserva de segurança.

Além do gasto inicial com os equipamentos, seria preciso um investimento de R$ 11 milhões, para todos os TREs, nos sistemas responsáveis por transmitir os dados ao TSE, que continuaria responsável pela divulgação nacional dos resultados.

Portanto, haveria um gasto de R$ 31 milhões no primeiro ano para retomar a totalização pelos TREs, e de R$ 11 milhões a cada ano para a manutenção dos sistemas.