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Capitão Nelson (Avante) é eleito prefeito em São Gonçalo (RJ)

Capitão Nelson (Avante) foi eleito prefeito de São Gonçalo - Reprodução/Facebook
Capitão Nelson (Avante) foi eleito prefeito de São Gonçalo Imagem: Reprodução/Facebook

Beatriz Montesanti

Colaboração para o UOL

29/11/2020 19h17Atualizada em 29/11/2020 19h28

Capitão Nelson (Avante) é o novo prefeito de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em uma vitória inesperada neste domingo (29).O vencedor recebeu 50,7% dos votos, e seu adversário Dimas Gadelha (PT), 49,2%, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Essa foi a primeira vez que o capitão lançou-se candidato pela prefeitura. Ele estava atrás de seu adversário petista, nas pesquisas de intenção de voto e inclusive chegou ao segundo turno por uma margem de centésimos de diferença em relação a Dejorge Patrício (Republicanos) —Nelson teve 22,82% dos votos, enquanto Patrício teve 22,62%.

Nelson Ruas dos Santos tem 62 anos e foi fuzileiro naval e policial militar. Sua trajetória política começou em 2004, quando disputou a primeira eleição para vereador de São Gonçalo. Ele se candidatou outras vezes, cumprindo quatro mandatos seguidos na Câmara Municipal pelo PSC.

Em 2019, foi empossado como deputado estadual. Ele era suplente de Marcos Abrahão (Avante), afastado do cargo por ter sido preso na operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato que investiga um esquema de propina na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), no governo de Sérgio Cabral (MDB).

Uma das passagens mais controversas da vida política de Capitão Nelson é a acusação, em 2011, de chefiar uma milícia no Jardim Catarina, seu reduto político em São Gonçalo. Ele foi citado no relatório da CPI das Milícias, da Alerj. O candidato nega as acusações, e nenhuma das denúncias foi confirmada nas investigações.

Para ser eleito, ele compôs a chapa "Avança São Gonçalo", que conta com os partidos Avante, PL e PSDB. A chapa tem o ex-vereador Sérgio Gevú (PL) como candidato a vice.

O capitão derrotou o petista Dimas Gadelha, que esteve à frente em todas as pesquisas de intenção de voto realizadas e com quem polarizava ideologicamente. O prefeito eleito se aliou a bolsonaristas e usou o antipetismo em sua campanha.

As prioridades de suas propostas são segurança pública, saúde, emprego e infraestrutura. Ele pretende criar uma central de monitoramento e controle para promoção da segurança e aumentar o efetivo de policiais nas ruas. Também prometeu combater o tráfico, a corrupção e as milícias.

São Gonçalo tem um histórico de eleger conservadores. Em 2018, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teve 67,3% dos votos na cidade, que tem um dos maiores eleitorados evangélicos do país. A deputada federal Flordelis (PSD), acusada de encomendar o assassinato do próprio marido, é uma das representantes desse campo político na cidade.

Localizada a 20 km do Rio de Janeiro, a cidade tem cerca de 1,1 milhão de habitantes e é o segundo município mais populoso do estado. No entanto, a cidade tem a renda per capita mais baixa do Rio de Janeiro e baixa arrecadação de IPTU, o que implica na falta de recursos para investimentos.