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52% do eleitorado, mulheres comandam apenas 11,8% das prefeituras

Eleições em 2020 tiveram 658 mulheres eleitas para prefeituras no Brasil - José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Eleições em 2020 tiveram 658 mulheres eleitas para prefeituras no Brasil Imagem: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Agência Senado

30/11/2020 17h52

Prefeituras de 658 cidades brasileiras serão comandadas por mulheres a partir de 2021. Das 20 que concorriam ao cargo no segundo turno das eleições 2020, sete foram eleitas e vão tomar posse em 1º de janeiro. O pleito foi realizado neste domingo (29), em 57 municípios. No primeiro turno, ocorrido em 15 de novembro, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já havia registrado a eleição de 651 mulheres ao cargo de prefeitas e de 885 para vice.

Suéllen Rosim (Patriota) foi eleita a primeira prefeita de Bauru (SP). Ela recebeu 89.725 votos, o que corresponde a 55,98% do apurado das urnas neste segundo turno. Ponta Grossa, (PR) também será governada pela primeira vez por uma mulher a partir de 2021: a Professora Elizabeth (PSD), que obteve 87.932 votos — o equivalente a 52,38% do total de votos válidos.

Em Praia Grande (SP), Raquel Chini, do PSDB, recebeu 75.739 votos, o que corresponde a 53,52% do total. Já Pelotas (RS) reelegeu a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) 68,7% dos votos (105.206 votos computados).

Juiz de Fora e Uberaba, ambas em Minas Gerais, também elegeram mulheres para comandar suas prefeituras. Margarida Salomão (PT) será prefeita de Juiz de Fora, com 54,98% de aprovação do eleitorado; e Elisa Araújo (Solidariedade) comandará a prefeitura de Uberaba, após vencer com 57,36%. Outra cidade mineira, Contagem será governada por Marília Campos (PT), que teve 51,35% dos votos válidos;

Apesar de representarem mais de 51,8% da população e mais de 52% do eleitorado brasileiro, mulheres ainda são minoria na política. Em entrevista à Agência Senado, comentou que, apesar dos avanços, "o time ainda está incompleto".

Ela criticou a falta de proporcionalidade no número de prefeitas eleitas: foram 658 delas ou 11,8% dos cargos em disputa nos 5.570 municípios do país. Na opinião da parlamentar, enquanto a sociedade e os poderes constituídos não reconhecerem que está faltando incentivo para as mulheres ocuparem mais espaço na política, pouco ou nada vai mudar.

"O resultado é pouco, mas a gente ainda está caminhando. Eu não desisto disso de forma nenhuma: a gente tem que estar lá, na prefeitura, nas câmaras, no Congresso e no Executivo", defendeu a senadora que é presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher.

Para Zenaide Maia, os baixos índices da representatividade feminina na política podem ser comparados à decisão de um técnico que deixa metade de seu time sem jogar.

"A gente não ter pelo menos metade das mulheres em posição de decisão é grave. Nós sabemos quais políticas são necessárias criar e a gente precisa dividir essa responsabilidade e não deixá-la somente sobre os ombros dos homens. As prefeitas eleitas significam uma vitória, a gente não regrediu, mas a gente precisa avançar. Esses números precisam melhorar, porque estão relacionados e são questão de dignidade para as mulheres. Trata-se de um time onde nem metade dos jogadores está em campo."

Participação feminina

Os dados do segundo turno das eleições ainda serão consolidados pelo TSE. Entretanto, o presidente do Tribunal, ministro Luis Roberto Barroso, considerou que houve aumento da eleição feminina em 2020. Em entrevista coletiva neste domingo, Barroso destacou campanhas de incentivo ao protagonismo das mulheres, como a do TSE estrelada pela atriz Camila Pitanga, embaixadora da ONU Mulheres no Brasil.

Desde sua posse no comando do TSE, Barroso registrou a importância do envolvimento da juventude e das mulheres na política com o objetivo de promover a diversidade na vida pública do país. "Somos um país multiétnico, multirracial, multicultural. Precisamos ter a consciência de que isso é um ativo, uma virtude, um privilégio que a história nos deu", declarou.

* Com informações da Agência Senado