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Com 129 prefeituras no Paraná, Ratinho Jr. vira maior cabo eleitoral do PSD

Ratinho Junior (à dir.) em campanha com Elizabeth Schmidt, eleita em Ponta Grossa (PR) - Divulgação
Ratinho Junior (à dir.) em campanha com Elizabeth Schmidt, eleita em Ponta Grossa (PR) Imagem: Divulgação

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

02/12/2020 04h00

Com 655 prefeituras conquistadas em 2020, o PSD virou o terceiro partido com mais comandos de municípios no país, apenas atrás de MDB e Progressistas. A maior parte deste resultado se deve ao Paraná.

A legenda saiu vitoriosa em 129 prefeituras, representando quase um terço das 399 em disputa, tendo como principal cabo eleitoral o governador Ratinho Júnior, eleito em 2018.

O político desbancou o último legado de seu ex-aliado e antecessor, o ex-governador Beto Richa, do PSDB. Os tucanos eram os com mais prefeitos no estado.

A última prefeitura a ser conquistada pelo PSD no Paraná ocorreu ontem, em Ponta Grossa, com a vitória de Elizabeth Schmidt, 69. Ex-PSB, ela é vice-prefeita de Marcelo Rangel, ex-aliado de Richa e agora principal nome ao Senado em 2022 pelo fortalecido grupo de Ratinho Júnior.

Com o partido no governo do estado, o PSD acrescentou mais 101 prefeitos na legenda paranaense em comparação com 2016, quando conquistou apenas 28. Quatro anos antes, com Richa governador, o PSDB elegeu 68. Em 2020, apenas 17 tucanos conseguiram esse feito.

Ao UOL, Ratinho Júnior, que é presidente estadual do PSD, comentou que a quantidade de prefeitos eleitos é resultado da aprovação do governo local. A última pesquisa Ibope que divulgou a avaliação da gestão do político é de 22 de outubro e abrangeu somente Curitiba.

Na capital, 16% dos entrevistados a consideraram ótima, 39% boa, 29% regular, 7% ruim, 6% péssima e 3% não souberam ou não responderam.

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Imagem: Reprodução/Facebook Ratinho Junior

O outro motivo, segundo Ratinho Júnior, foi a estratégia de tirar de outros partidos candidatos bem avaliados, como foi o caso de Ulisses Maia, de Maringá. Ele venceu em 2016 com o PDT, mas mudou para o PSD em busca da reeleição, conquistada no primeiro turno.

"Acredito que as eleições foram resultado de planejamento, que passa pela escolha dos candidatos de forma rigorosa até a aprovação do governo. Começamos a filtrar os políticos competitivos há um ano e meio. O outro fator é a aprovação do governo. São dois pontos que colaboraram para o desempenho no Paraná", afirma Ratinho Júnior.

Apesar de virar o maior cabo eleitoral do PSD no país, em 2020, Ratinho Júnior avalia que a quantidade de prefeitos no palanque em busca de uma eventual reeleição não será determinante.

Ainda está cedo para pensar em 2022. Quem determinará se irei para uma boa reeleição será a aprovação do governo. Isso, sim, será determinante lá na frente e não o número de prefeitos.
Ratinho Júnior, governador do Paraná

Derrocada do PSDB no estado

De maior partido do Paraná, o PSDB virou coadjuvante. Com a eleição de Richa, em 2010, a legenda acumulava representação no Senado e as maiores bancadas estadual e municipal de Curitiba.

O panorama virou em 2018, com as três prisões da sua maior figura local, o ex-governador Beto Richa, suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção. A primeira aconteceu em setembro de 2018, menos de um mês antes da votação para o Senado.

Beto Richa - Keiny Andrade/Folhapress - Keiny Andrade/Folhapress
O ex-governador tucano Beto Richa, preso por corrupção
Imagem: Keiny Andrade/Folhapress

O tucano aparecia em segundo nas pesquisas e acabou sendo derrotado. O filho, Marcello Richa, também não se elegeu para deputado estadual.

Além da queda drástica no número de prefeitos, o PSDB não conseguiu eleger nenhum vereador em Curitiba.

Para o professor doutor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Bruno Bolognese, o resultado destas eleições para o PSDB ainda é resultado da herança ruim deixada por Richa.

O pleito também representou a derrota do grupo de Jaime Lerner, ex-governador do Paraná (1995-2003), que tinha na legenda tucana a última esperança de manter-se competitivo.

"É a derrocada do grupo do Lerner. O Beto Richa era o último bastião, vindo de uma construção desde os anos 1990. O Richa teve uma carreira meteórica, mas se envolveu em um escândalo de corrupção que enterrou o partido no Paraná. Isso abriu a janela para o crescimento de uma direita mais tradicional, que é o caso do PSD", diz o cientista político.

"O PSD conseguiu ter mais sucesso que o PSDB com o Richa no auge porque, antes de ser governador, Ratinho foi secretário das Cidades, uma pasta fundamental no interior, com envolvimento muito grande com os prefeitos. Qualquer outro político escolheria Casa Civil, por exemplo. Ele foi mais astuto do que ambicioso. Como secretário, fez o que os prefeitos queriam: pontes, estradas e postos de saúde. É o que dá voto e capitalizou mais", explica.

O PSDB não havia se pronunciado até a última atualização deste texto.