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Merkel diz a Obama que "espionar amigos é totalmente inaceitável"

"Não é aceitável a espionagem entre amigos e aliados", afirmou Merkel - Fabrizio Bensch/Reuters
"Não é aceitável a espionagem entre amigos e aliados", afirmou Merkel Imagem: Fabrizio Bensch/Reuters

Do UOL, em São Paulo

24/10/2013 14h13

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta quinta-feira (24) que "não é aceitável a espionagem entre amigos e aliados" em referência às suspeitas de que os Estados Unidos grampearam seu telefone celular.

"Desde que (em junho) falamos sobre a Agência Nacional de Segurança americana (NSA), deixei claro ao presidente Obama: espionar os amigos é totalmente inaceitável", declarou Merkel em sua chegada à Cúpula da União Europeia (UE) em Bruxelas.

"Eu disse a ele em junho, quando esteve em Berlim, em julho e também ontem em uma ligação telefônica", ressaltou Merkel, cujo governo tem informações que indicam que os serviços secretos americanos espionaram o telefone celular da chanceler.

A chanceler alemã e o presidente francês, François Hollande, se reuniram em Bruxelas para falar sobre o escândalo gerado pela suposta espionagem dos Estados Unidos aos países europeus.

Tanto a França como a Alemanha exigiram explicações às autoridades americanas por causa das novas revelações sobre o programa de espionagem dos EUA.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, convocou o embaixador dos EUA em Berlim, John Emerson, para lhe pedir explicações sobre o fato do celular da chanceler ter sido espionado.

A informação em questão, que foi negada pela Casa Branca, gerou uma grande polêmica na Alemanha.

"Se é verdade o que estamos ouvindo, seria verdadeiramente grave", ressaltou em entrevista à televisão pública alemã o ministro da Defesa, Thomas de Maizière.

"Os americanos são e seguirão sendo nossos melhores amigos, mas isto é inaceitável", ressaltou o ministro.

Já a França, que convocou o embaixador americano em Paris esta semana para cobrar explicações, também questionou o secretário de Estado americano, John Kerry, sobre o escânlado.

O governo francês assumiu essa postura após as novas revelações feitas pelo jornal "Le Monde", que, com base em documentos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) subtraídos por seu ex-agente Edward Snowden, explicou que somente em 30 dias - entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013 - 70,3 milhões de comunicações emitidas da França foram interceptadas.

Além das medidas citadas, Hollande também pediu publicamente que o assunto seja tratado no Conselho Europeu de hoje e amanhã, tendo em vista que a Comissão Europeia e a Eurocâmara fizeram essa mesma recomendação e, inclusive, se mostraram a favor de uma reforma das normas europeias nesse campo.

Unidade

A vice-presidente da Comissão Europeia e responsável de Justiça, Viviane Reding, reivindicou nesta quinta-feira aos líderes europeus unidade para responder à espionagem americana e para poder negociar com Washington as questões relativas à proteção de dados.

Reding, através de seu porta-voz, fez uma chamada aos chefes de Estado e do Governo da União para que aproveitem as reuniões de hoje e amanhã realizadas em Bruxelas para impulsionar a reforma das normas comunitárias de proteção de dados.

"Agora é o momento para a ação e não só para as declarações na cúpula da UE", disse a porta-voz Mina Andreeva.

Para Reding, a aprovação dessa reforma seria uma "declaração de independência para a Europa", já que lhe permitiria "se apresentar de forma crível perante os EUA e negociar de igual para igual".

Por causa das primeiras revelações feitas por Snowden, a Comissão Europeia acordou com Washington criar um grupo de trabalho para abordar estes assuntos.

Segundo a responsável europeia de Interior, Cecilia Malmström, as explicações exigidas ao governo americano sobre esse suposto caso espionagem não satisfizeram até o momento do Executivo comunitário. (Com agências de notícias)

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