Temer, Maduro: quem são os líderes mais impopulares do que Trump?

Do UOL, em São Paulo

A revista americana "Time" divulgou uma análise com cinco líderes mundiais com a popularidade mais baixa do que a do presidente do EUA, Donald Trump, ligado a um escândalo envolvendo a interferência da Rússia em assuntos internos. Em um artigo, o CEO da consultoria Eurasia, Ian Bremmer, mostra que existem políticos com situação pior do que Trump no cenário político internacional, e entre eles aparecem o presidente Michel Temer (PMDB) e o venezuelano Nicolás Maduro.

Trump, que tomou posse em janeiro, tem hoje pouco menos de 40% de aprovação e ainda assim tem um cenário mais estável em comparação a alguns colegas, fazendo agora sua primeira viagem internacional como presidente com solidez e estabilidade, apesar das denúncias diárias da imprensa americana. Mesmo assim, o FBI mantém a investigação sobre a influência da Rússia na eleição do ano passado, incluindo encontros de integrantes do governo de Trump com diplomatas russos.

Veja a lista de líderes internacionais em situação pior que a de Trump:

Michel Temer, presidente do Brasil

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Na análise de Bremmer, Temer aparece com índices de aprovação de um dígito (ou seja, menos de 10%). "Assumir o lugar de um presidente após um impeachment deveria ser fácil, já que a expectativa é baixa. (...) Mas Temer, um político veterano, pode ser o segundo presidente seguido a sofrer um impeachment por sua ligação com o grande escândalo da Operação Lava Jato", diz o analista político.

As gravações apresentadas por executivos da empresa JBS são citadas como acirramento da tensão política que ameaça o posto de Temer.

"Mas o Brasil já estava em apuros antes deste último escândalo vir à tona. A desaceleração da economia global e a quebra que acompanhou os preços das commodities atingiram fortemente o Brasil, provocando uma das piores recessões do país. O PIB caiu mais de 7% nos últimos dois anos, o desemprego triplicou, e pelo menos 3,5 milhões de pessoas que tinham sido tiradas da linha da pobreza nos anos de crescimento entre 2004 e 2014 voltaram a cair", reflete Bremmer.

"Muito disto remonta ao período anterior à Presidência de Temer. Mas agora, as reformas que ele introduziu para tentar consertar a economia do Brasil provavelmente serão submetidas ao escândalo."

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

Imprensa presidencial/Venezuela via Xinhua

Para Bremmer, Maduro pode ter mantido sua taxa de aprovação em torno dos 20% desde o ano passado, mas é atualmente o "líder político mais assustado do mundo" com a onda de protestos que atinge o país desde o fim de março. A população, duramente reprimida pela polícia, se manifesta contra o governo em meio à escassez de alimentos e remédios.

"A situação ficou tão ruim por vários motivos. O primeiro é que Maduro tem o infortúnio de presidir um país cuja economia é quase totalmente dependente do petróleo (mais de 95% das receitas de exportação dependem dele) em um momento de baixos preços, problema agravado pela severa má administração financeira ao logo de muitos anos. Em segundo lugar estão as tentativas de esmagar a oposição, como a recente tentativa de abolir a Assembleia Nacional, da qual ele recuou diante da reação popular", cita o especialista. "E não devemos esquecer que Maduro não tem o carisma político do ainda venerado Hugo Chávez."

O analista lembra ainda que Maduro reprime os protestos sem pedir a ajuda do Exército, apenas com a polícia, a guarda nacional e as milícias armadas. "Quando ele precisar recorrer ao Exército, o jogo pode acabar para ele."

Jacob Zuma, presidente da África do Sul

RAJESH JANTILAL/AFP

Zuma atingiu o ponto mais baixo de sua popularidade em todos os tempos, com cerca de 20% nas sete principais áreas metropolitanas do país africano. E mais de 70% dos africanos querem que ele renuncie. Segundo Bremmer, parte disso vem da queda da economia sul-africana, atingida pela recessão global e a desaceleração do preço das commodities.

"Desde que Zuma assumiu a presidência, em 2009, a moeda do país perdeu um terço do seu valor, e o desemprego atualmente é de 27%. É difícil permanecer popular com números como estes."

Sobre Zuma pesam ainda as mais de 800 acusações de corrupção, e ele confia em uma rede de apoios em seu governo para se manter politicamente. "No momento, Zuma está preparando sua ex-mulher para ser sua sucessora política para se proteger de acusações assim que deixar o cargo", diz Bremmer.

Alexis Tsipras , primeiro-ministro da Grécia

Marios Lolos/Xinhua

Tsipras não para de cair nas pesquisas, já que tem sido forçado a aceitar cada vez mais medidas de austeridade para manter o país. Os problemas financeiros da Grécia começaram bem antes de Tsipras assumir o cargo --o país perdeu 25% do PIB desde que a crise começou, em 2010.

"Tsipras venceu as eleições em 2014 ao prometer fazer com que Berlim se curvasse aos gregos, conseguindo o perdão da dívida grega (e ele ainda está esperando por isso)", diz o analista.

Apesar de todo o desgaste, "as duradouras credenciais anti-establishment  de Tsipras e sua retórica combativa anti-UE o tornam o único político grego capaz de impulsionar as medidas de austeridade impopulares para uma população esgotada e cansada com um protesto público mínimo. Às vezes, as democracias precisam de líderes impopulares", explica.

A Grécia ainda não se livrou dos efeitos da sua crise da dívida, com o desemprego atingindo uma em cada quatro pessoas no mercado de trabalho.

Najib Razak, primeiro-ministro da Malásia

MOHD RASFAN/AFP

Razak está no cargo desde 2009, ano em que criou a companhia de investimento estatal 1Malaysia Development Berhad (1MDB), de onde saiu mais de US$ 1 bilhão diretamente para a conta pessoal do premiê. Ele chegou a afirmar que o dinheiro seria um "presente" da família real saudita. Com o apoio da Procuradoria do país, que considerou a doação legal e que a maior parte dele seria devolvida, ele foi inocentado.

Seus índices de aprovação estão em mínimos históricos; os manifestantes que foram às ruas no ano passado foram reprimidos, e opositores foram presos.

Apesar das denúncias, Razak não está ameaçado. "Ele mantém o controle forme da Organização Unida Nacional dos Malaios (UMNO, na sigla em inglês), o partido político que tem dominado a política malaia por quase seis décadas. Ele tem sistematicamente marginalizado os opositores dentro do partido, e seus principais adversários foram presos sob acusações que críticos afirmam que são politizadas. Quem precisa de popularidade quando se tem poder político e dinheiro no banco?", reflete Bremmer.

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