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Um mês após enviar caças a Venezuela, Putin reitera apoio a Maduro

Em dezembro, Putin recebeu Maduro em residência oficial na Rússia - Maxim Shemetov/Pool Photo via AP
Em dezembro, Putin recebeu Maduro em residência oficial na Rússia Imagem: Maxim Shemetov/Pool Photo via AP

Do UOL, em São Paulo*

24/01/2019 17h19

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou apoio nesta quinta-feira (24) ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, diante do que chamou de "destrutiva ingerência exterior" no país.

A conversa por telefone ocorre um dia depois de o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, declarar-se presidente interino do país -- e pouco mais de um mês depois de a Rússia ter enviado caças e militares para exercício conjunto em território venezuelano. Na época, Maduro falou em complô envolvendo Brasil, EUA e Colômbia para derrubá-lo.

"O presidente russo expressou seu apoio ao governo legítimo da Venezuela no marco do agravamento da crise política provocada no exterior", informou o Kremlin em comunicado hoje.

O primeiro escalão da Força Armanda Nacional Bolivariana também declarou lealdade a Maduro. Do lado de Guaidó, estão vizinhos importantes, como Colômbia, Peru e Brasil - embora o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, tenha sinalizado que o país não participaria em uma possível intervenção militar na Venezuela.

Putin declarou que "a destrutiva ingerência exterior pisoteia de forma grosseira as normas universalmente aceitas do direito internacional".

Além disso, se pronunciou a favor da "busca de decisões no marco do leito constitucional e da superação das diferenças na sociedade venezuelana através do diálogo pacífico".

Por sua parte, Maduro descreveu "o perigoso desenvolvimento dos eventos no país" nos últimos dias e "agradeceu à Rússia" por sua postura congruente.

Nesse sentido, ambos expressaram seu desejo de continuar promovendo a cooperação bilateral em todos os âmbitos, depois que em dezembro Maduro anunciou acordos com a Rússia no valor de mais de US$ 6 bilhões.

Então, Putin, que já havia forjado uma estreita relação com o falecido líder bolivariano, Hugo Chávez, condenou qualquer tentativa de mudar a situação na Venezuela pela força.

Por sua vez, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, lamentou hoje que vários líderes mundiais tenham apoiado o que chamou de "quase golpe de Estado" na Venezuela e assegurou que "ninguém" tem direito a derrubar um dirigente por meios ilegais.

"Fomos testemunhas como, mais uma vez, em uma praça 'se elege', ignorando a Constituição, outro chefe de Estado. Obviamente, este quase golpe de Estado foi apoiado pelos líderes de vários países. Muito rápido. Como se estivessem seguindo uma ordem", escreveu Medvedev na sua conta do Twitter.

Medvedev ressaltou que "ninguém tem direito a derrubar com métodos ilegais um chefe de Estado que ganhou há pouco tempo as eleições (independentemente de que essa pessoa agrade ou não alguns países e certas forças políticas)".

Previamente, durante uma viagem à Argélia, o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, garantiu hoje que o fato de que os EUA e vários países tenham reconhecido o autoproclamado "presidente", o líder do parlamento opositor, Juan Guaidó, é um indicador de que participaram diretamente na explosão da crise no país.

"Isso é ingerência nos assuntos internos de outro país e, como os senhores sabem, já houve uma tentativa de afastar Nicolás Maduro do poder, inclusive através de assassinato", comentou. 

*Com EFE e AFP

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