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Guaidó desafia Maduro e volta à Venezuela: 'Entramos como cidadãos livres'

Beatriz Montesanti

Do UOL, em São Paulo

04/03/2019 13h25

Resumo da notícia

  • Guaidó chega por volta das 13h20, recebe boas-vindas de funcionários do aeroporto e expõe isolamento de Maduro
  • O autoproclamado presidente interino do país foi recebido por uma multidão de apoiadores e diplomatas de 13 países
  • Em pronunciamento, Guaidó afirmou que vai se encontrar com representantes sindicais e convocou protestos para o sábado (9)
  • Os próximos são incertos; Guaidó havia sido proibido de deixar o país em janeiro e corre o risco de ser preso
  • O vice de Trump, Mike Pence, declarou que os EUA não tolerarão violência contra Guaidó

O autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, pousou por volta das 13h20 (horário de Brasília) de hoje no aeroporto internacional Simón Bolívar, nos arredores da capital venezuelana, após viajar por 11 dias pela América do Sul. A chegada foi confirmada por ele mesmo, no Twitter.

"Já em nossa terra amada! Venezuela, acabamos de passar pela migração e nos deslocaremos para onde está nosso povo!", escreveu nas redes sociais. 

Guaidó foi recebido por uma multidão de apoiadores e afirmou não ter tido impedimento para entrar no país. A jornalistas, acrescentou que, ao chegar, os funcionários da imigração o cumprimentaram e disseram: "Bem-vindo, presidente". 

Entramos como cidadãos livres, que ninguém diga o contrário

Ele chegou junto com a mulher, Fabiana Rosales, que o acompanhava na viagem por países vizinhos.

Guaidó viajou via Cidade do Panamá, no voo 222 da companhia Copa Airlines, e foi recebido por embaixadores e representantes diplomáticos de diversos países. O presidente autoproclamado partiu no domingo (3) de uma base militar no Equador, mas a rota de sua viagem não foi divulgada.

Do aeroporto, Guaidó seguiu diretamente para a praça Alfredo Sadel, em Caracas, onde apoiadores se aglomeravam a sua espera. Manifestações foram convocadas em diversas cidades do país a partir das 11h de hoje (meio-dia do horário de Brasília). Em pronunciamento à população, ele anunciou que se reunirá com representantes de sindicatos na terça (5) e convocou novos protestos para o próximo sábado (9). "Não vão nos deter com ameaças. Estamos mais fortes do que nunca", disse na praça. 

Próximos passos serão incertos

Durante as últimas semanas, Guaidó viajou por Bogotá, Brasília, Assunção, Buenos Aires e Quito, em diálogo com governantes desses países que apoiam o seu governo. De volta à Venezuela, ele corre agora o risco de ser preso pelo governo chavista de Nicolás Maduro. 

Em janeiro, depois de o opositor se declarar presidente interino, a Justiça venezuelana proibiu Guaidó de deixar o país, além de bloquear seus bens e contas bancárias. Mas ele cruzou a fronteira da Colômbia, por meio de uma trilha, no fim de fevereiro, com a esperança (que se mostrou frustrada) de retornar ao país levando ajuda humanitária. Não está claro qual será o próximo passo da oposição venezuelana caso Guaidó seja preso. 

Guaidó é presidente do Parlamento venezuelano e se declarou presidente do país em janeiro, com base em uma interpretação da Constituição local. A legislação diz que, na falta do presidente, assume o chefe do legislativo. Mas Maduro insiste que o presidente é ele.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, publicou no Twitter que o retorno seguro do oposicionista é assunto "da maior importância para os Estados Unidos". "Qualquer ameaça, violência ou intimidação contra ele não serão toleradas e terão uma resposta pronta. O mundo está assistindo", escreveu.

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