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México concede asilo, e Evo Morales afirma que deixará Bolívia

Evo Morales fala em El Alto - Enzo De Luca/ABI/Handout via Xinhua
Evo Morales fala em El Alto Imagem: Enzo De Luca/ABI/Handout via Xinhua

Do UOL*, em São Paulo

11/11/2019 18h23Atualizada em 11/11/2019 23h02

Resumo da notícia

  • O México concedeu, por razões humanitárias, asilo político a Evo Morales
  • Evo Morales, segundo o presidente do México, já aceitou a oferta
  • No domingo, Evo Morales renunciou à presidência da Bolívia depois da crise política aumentar após suspeitas de fraudes nas eleições

O México concedeu hoje, por razões humanitárias, asilo político a Evo Morales após o ex-presidente da Bolívia renunciar ontem ao cargo. O anúncio foi feito pelo chanceler Marcelo Ebrard, que afirmou ainda que Evo aceitou a oferta do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador.

Poucas horas depois, Morales confirmou que está "partindo rumo ao México". "Me dói sair do país por razões políticas, mas sempre estarei atento. Em breve voltarei com mais força e energia.", escreveu o ex-presidente boliviano em seu Twitter.

"Pedimos a criação de uma conduta segura para garantir a segurança e a vida de Morales, e que sua integridade pessoal não esteja em perigo", disse o chanceler Ebrard ao explicar que a decisão de receber Evo Morales responde à longa carreira diplomática do México no país.

"A América Latina testemunhou em sua história eventos infelizes e violentos em que a ordem democrática é quebrada, em inúmeras ocasiões com a participação de forças militares", afirmou o chanceler.

Em entrevista coletiva concedida hoje, Obrador acusou o exército boliviano de "violar a ordem constitucional" e criticou a Organização dos Estados Americanos (OEA), que denunciou irregularidades nas eleições do país da América Latina no dia 20 de outubro, por ficar calada diante das pressões militares.

"Pedimos que a OEA estabeleça uma posição o mais rápido possível. Não há silêncio ", disse Obrador. A organização americana emitiu uma declaração poucos minutos depois para rejeitar "qualquer saída inconstitucional" para a situação.

Evo Morales ficou quase 14 anos no poder na Bolívia, tendo assumido o cargo no começo de 2006, época em que Lula estava ainda em seu primeiro mandato como presidente do Brasil. Além do petista, outros políticos da esquerda brasileira também se manifestaram acusando o "golpe".

Depois de uma crise política que só aumentou a partir das denúncias de fraude nas eleições por parte da oposição boliviana, o mandatário disse que renunciava para "pacificar o país". Casas de sua irmã e políticos do MAS (Movimento para o Socialismo, em português) foram atacadas.

Evo se disse vítima de um golpe após ter convocado novas eleições na Bolívia ontem. Isso aconteceu após relatório da OEA (Organização dos Estados Americanos) recomendar a invalidação do pleito que oficialmente havia assegurado um novo mandato ao presidente.

*Colaborou Alex Tajra, do UOL em São Paulo

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