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Equipe de Fernández vê com "entusiasmo" ida de vice de Bolsonaro à posse

Daniel Scioli, indicado para ser embaixador da Argentina no Brasil - Juan Mabromata - 10.ago.2015/AFP
Daniel Scioli, indicado para ser embaixador da Argentina no Brasil Imagem: Juan Mabromata - 10.ago.2015/AFP

Luciana Taddeo

Colaboração para o UOL, em Buenos Aires (Argentina)

09/12/2019 19h51

Resumo da notícia

  • Hamilton Mourão vai representar Bolsonaro na posse de Fernández
  • Indicado para ser embaixador no Brasil vê chance de "deixar de lado desencontros"
  • Scioli disse que atuou para mostrar importância de representante brasileiro na posse

Indicado pelo presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, para ser embaixador no Brasil, o peronista Daniel Scioli disse hoje que a notícia da ida do vice-presidente Hamilton Mourão ao país para a cerimônia de posse amanhã "é um resultado muito auspicioso" para relação entre os países.

"Sentimos um particular entusiasmo com o Brasil ter uma representação de nível de vice-presidente. Isso é mais um passo na direção dos objetivos que nos propusemos, tanto do lado do Brasil como da Argentina, de um pragmatismo, deixar de lado os desencontros, ter a maior harmonia possível para enfrentar grandes desafios e desenvolver todas as oportunidades que temos", afirmou Scioli em entrevista ao UOL após receber a notícia.

Porta-voz do Palácio Planalto, Otávio Rêgo Barros disse que Mourão deve ir para a Argentina ainda hoje. Foi uma decisão do presidente. Ele vem ao longo do dia e mesmo ontem fazendo análises, discutindo com vários ministros e entendendo que se faria necessário a presença de uma autoridade lá. Hoje de manhã ainda havia dúvida. (Mourão será enviado) para valorizar o relacionamento com a Argentina, em especial, os aspectos comerciais".

"Importância"

Scioli confirma que, a partir da notícia, no domingo (8), de que o governo brasileiro não mandaria o ministro da Cidadania Osmar Terra, atuou pessoalmente para "transmitir" para o governo brasileiro uma mensagem sobre "a importância que tinha que esteja o presidente com a melhor representação possível" na posse. "Também para enviar meu respeito, o que sentimos pelo Brasil, as expectativas que temos e minha vocação de trabalhar em conjunto", esclareceu, complementando, porém, que não faria mais comentários sobre o contato "por respeito aos protagonistas".

Sobre sua atuação, diz que procura fazer "o possível para aproximar posições, 'desestressar' o vínculo, gerar pontos de encontro e deixar atrás os preconceitos, e passar a ter uma agenda positiva". "Esse é o espírito com o qual eu pretendo levar adiante essa tarefa, com um trabalho em conjunto com as autoridades brasileiras, em função do mandato que o presidente Fernández vai me dar", pontuou.

Scioli disse que busca um "diálogo frutífero que leve a desenvolver ao máximo os acordos vigentes, mas a avançar em relação a outras oportunidades".
Ele também ressalta que começa uma etapa entre os países "com uma clara vocação, como disse [o presidente] Jair Bolsonaro, de pragmatismo, e de aumentar o volume de negócios, como disse Alberto Fernández, para além de ideologias, que nos una o respeito, nossa história, e a grande perspectiva de futuro, aí vamos colocar o esforço", afirmou.

Citando como exemplo uma missa ontem da qual Fernández participou ao lado de Mauricio Macri, que cumpre hoje seu último dia de mandato, Scioli afirma que o futuro presidente argentino se propõe a fechar a "fratura" na Argentina. "Fratura" é uma tradução para "grieta", expressão em espanhol muito usada nos últimos anos na Argentina para definir a polarização política local. Segundo ele, sua "missão" é "fechar a fratura ['grieta´] que possa haver entre Argentina e Brasil".

Bolsonaro não vai

Ex-candidato presidencial em 2015, Scioli também foi governador da província de Buenos Aires. Questionado sobre o fato de ser a primeira vez, em 30 anos, em que um presidente brasileiro não vai à posse de um par argentino eleito pelo voto popular, ele ressalta sua experiência como vice do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, entre 2003 e 2007.

"Eu fui vice-presidente por 4 anos e fui a uma grande quantidade de posses de presidentes em nome do presidente [Kirchner]. É uma representação institucional da mais alta hierarquia", afirma.

Scioli diz ainda que gostaria de trocar experiências com a pasta de Terra, que não virá à cerimônia: "Acho tão interessante uma pasta de Cidadania, porque tem a ver com a agenda da Argentina, reverter a situação da fome, desenvolver a agricultura familiar, o esporte, que eu, que sou esportista, levo em minha alma e em meu coração", diz.

O indicado por Fernández para a representação diplomática brasileira estará em Brasília na próxima quinta-feira (12) para conhecer a equipe da embaixada onde deve atuar após ser formalizado no cargo, o que ainda precisará ser pedido pela Argentina e avaliado pelo Brasil.

Fernández foi eleito presidente da Argentina em primeiro turno em outubro

AFP

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