PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Conteúdo publicado há
1 mês

Terroristas que estão na lista do FBI participaram de invasão ao Capitólio

06 jan. 2021 - Manifestante fantasiado apoiador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invade Congresso - Win McNamee/Getty Images
06 jan. 2021 - Manifestante fantasiado apoiador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invade Congresso Imagem: Win McNamee/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

15/01/2021 14h18

Dezenas de pessoas que estão na lista de terroristas do FBI estavam em Washington para participar de eventos a favor do presidente Donald Trump em 6 de janeiro, dia da invasão ao Capitólio. As informações são do The Washington Post, que cita pessoas familiarizadas com uma investigação do FBI.

Segundo o jornal, a maioria das pessoas que aparece na lista de vigilância são suspeitas de serem supremacistas brancos —eles são monitorados pelo FBI por meio de um banco de dados nacional que acompanha riscos à segurança dos Estados Unidos.

Essa lista é diferente do registro de "exclusão aérea" do governo americano, que impede suspeitos de terrorismo de embarcar em voos. Neste caso, os supremacistas brancos não são impedidos de entrar em espaços públicos ou comerciais, explicaram funcionários do FBI ao The Washington Post.

A lista de observação foi criada depois dos ataques de 11 de setembro em Nova York. Ela pode ser usada tanto como uma ferramenta investigava quanto um alerta precoce, diz o jornal. Seu objetivo é informar agências sobre indivíduos considerados de risco potencial.

Mas a presença de supremacistas brancos em eventos pró-Trump expõe a falha do setor de inteligência do FBI, que não tomaram medidas de segurança robustas para proteger o público e o Capitólio no dia de certificação do democrata Joe Biden.

Agora, o FBI investiga líderes, membros e apoiadores do grupo Proud Boys, com ligações ao nacionalismo branco, que podem ter participado da invasão ao Capitólio. Segundo informações do The Washington Post, o presidente do grupo, Enrique Tarrio, planejava comparecer ao comício de Trump no dia 6 de janeiro, mas foi preso ao chegar em Washington.

Outras dezenas de manifestantes que invadiram o Congresso americano já foram presos e podem receber uma sentença de até 20 anos por conspiração.

Invasão ao Capitólio

O Capitólio dos EUA, como é conhecido o Congresso americano, foi invadido no dia 6 de janeiro por manifestantes apoiadores de Trump durante a sessão que certificaria Joe Biden como presidente. Cinco pessoas morreram.

Momentos antes da invasão, o presidente havia insuflado seus apoiadores a se manifestarem contra a proclamação da vitória Biden com um discurso na capital americana.

Depois que a polícia conseguiu dispersar a multidão que invadiu o Congresso, a sessão foi retomada por volta das 20h locais (22h de Brasília) com um pronunciamento do vice-presidente, Mike Pence: "Aqueles que causaram estragos em nosso Capitólio hoje, vocês não venceram. A violência nunca vence. A liberdade vence. Esta ainda é a casa do povo. Ao nos reunirmos nesta câmara, o mundo testemunhará novamente a resiliência e a força de nossa democracia."

Em seguida, o Congresso americano conseguiu certificar a vitória do democrata. Em mensagem, Trump disse que haverá "transição ordenada" após o dia de caos em Washington.

"Embora eu discorde totalmente do resultado da eleição e os fatos me confirmem, haverá uma transição ordenada em 20 de janeiro", disse o presidente em um comunicado postado no Twitter pelo porta-voz da Casa Branca Dan Scavino.

Depois do episódio, Trump foi acusado de "incitação à insurreição" por congressistas, que aprovaram seu impeachment na Câmara dos Deputados. O artigo segue para aprovação no Senado.

Todos os 222 deputados democratas votaram a favor do afastamento de Trump. Entre os republicanos, que no ano passado votaram contra a retirada de Trump do poder, dez dos 211 parlamentares votaram pelo impeachment. O placar final ficou em 232 a 197, com quatro abstenções republicanas.

Internacional