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Taleban diz que mulheres seguirão a radical 'lei islâmica'; entenda

17.ago.2021 - Meninas assistem às aulas em Herat após tomada do Afeganistão pelo Taleban - Aref Karimi/AFP
17.ago.2021 - Meninas assistem às aulas em Herat após tomada do Afeganistão pelo Taleban Imagem: Aref Karimi/AFP

Colaboração para o UOL*

17/08/2021 14h38

O grupo fundamentalista Taleban disse hoje que as mulheres poderão trabalhar e estudar "dentro de nossas estruturas". Para entender o que isso significa é preciso, primeiro, conhecer a "lei islâmica".

A chamada "sharia" se baseia na fé derivada do Alcorão e do "hadith", o registro de palavras e atos do profeta Maomé, para estabelecer normas. No Afeganistão, a Constituição se baseia nessa lei, mas sua interpretação está ligada aos costumes locais e às tradições tribais.

Além disso, a "sharia" atua como um "código de vida", seguida por todos os muçulmanos, o que inclui orações, jejuns e doações aos pobres, com o objetivo de guiá-los conforme os desejos de Deus.

No caso do grupo extremista, que assumiu o controle do país no último domingo, é imposta uma interpretação radical e estrita da lei às mulheres, o que restringe severamente os direitos delas.

O que pode mudar?

Quando estiveram no poder, entre 1996 e 2001, eles as proibiam de sair de casa sem a companhia de um homem e sem usar burca — veste que cobre todo o corpo. Àquela época, elas também foram proibidas de trabalhar, e a educação foi restringida para meninas com mais de 10 anos.

Além disso, as punições mais duras para pecados — como o adultério, o estupro, a homossexualidade, o roubo e o assassinato — eram generalizadas. Para a retomada do poder, agora, o grupo fundamentalista pode voltar com apedrejamentos, amputação de membros e até execuções públicas.

Desde que o Taleban foi retirado do poder, elas passaram a estudar e trabalhar, e até ingressaram na vida pública. Por isso, a volta do grupo amedronta tantas delas, que temem perder direitos sociais e econômicos que conquistaram nas últimas duas décadas.

Algumas das mudanças esperadas, inclusive, já foram observadas na capital Cabul em relação às mulheres.

Logo nos primeiros dias após a volta do grupo, fotos nas redes sociais, por exemplo, mostram que vitrines com imagens de mulheres sem véu, maquiadas e com vestidos de festa estavam sendo arrancadas ou cobertas de tinta.

* Com informações da AFP

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