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Exército do Sudão atira em manifestantes em protesto contra golpe de Estado

Manifestantes sudaneses erguem bandeiras enquanto se manifestam na capital Cartum, para denunciar as detenções noturnas do exército de membros do governo - AFP
Manifestantes sudaneses erguem bandeiras enquanto se manifestam na capital Cartum, para denunciar as detenções noturnas do exército de membros do governo Imagem: AFP

Do UOL, em São Paulo*

25/10/2021 07h36

O Ministério da Informação do Sudão disse, hoje, que membros das Forças Armadas atiraram contra manifestantes "que rejeitam o golpe de Estado militar" em Cartum, capital do país.

O Exército atirou "com balas reais" contra manifestantes diante dos quartéis-generais das Forças Armadas, no centro de Cartum. O acesso à área está bloqueado por blocos de concreto e por soldados há vários dias, acrescentou o mesmo ministério no Facebook.

As Forças Armadas do Sudão prenderam hoje várias autoridades civis, incluindo o primeiro-ministro Abdallah Hamdok, pela recusa a apoiar um "golpe de Estado", anunciou o ministério da Informação, após semanas de tensões entre militares e civis, que compartilham o poder desde 2019.

"É um golpe de Estado militar", denunciou a Associação de Profissionais, uma das organizações que liderou a revolta de 2019 que acabou com 30 anos de ditadura de Omar Al Bashir neste país do leste da África, um dos mais pobres do mundo.

Em Cartum, manifestantes se aglomeraram nas ruas e queimaram pneus para protestar contra as detenções. Ao mesmo tempo, homens de uniforme militar bloquearam as estradas principais que levam à capital e à cidade vizinha de Omdurman.

Muitos manifestantes seguiam para o principal avenida do centro de Cartum, onde os simpatizantes do governo civil organizaram na quinta-feira passada uma demonstração de força, com gritos de "revolução", para rejeitar o que já chamavam de "golpe de Estado em curso".

O gabinete do primeiro-ministro sudanês convocou seus compatriotas a saírem às ruas. "Estimulamos o povo sudanês a protestar utilizando todos os meios pacíficos possíveis (...) para recuperar sua revolução das mãos dos ladrões", declarou a assessoria do premiê, em um comunicado.

O Sudão enfrenta uma transição política precária, marcada por divisões e lutas de poder desde a queda de Bashir em abril de 2019.

Desde agosto, o país está sob o comando de uma administração cívico-militar, responsável por conduzir o país para uma transição democrática plena sob gestão civil, com o objetivo de organizar no fim de 2023 as primeiras eleições livres em três décadas.

Mas nos últimos dias, a tensão aumentou entre os dois lados.

Em 21 de outubro, dezenas de milhares de sudaneses participaram de passeatas em várias cidades para apoiar a transição de poder aos civis e contra-atacar uma "manifestação" iniciada dias antes diante do palácio presidencial de Cartum para exigir a volta do "governo militar".

Um dos problemas é que o principal bloco civil, as FCC (Forças pela Liberdade e a Mudança), que liderou o movimento contra Bashir, se dividiu em duas facções.

* Com AFP

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