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5 meses

Putin diz não querer guerra e que vai continuar negociações com Ocidente

Do UOL*, em São Paulo

15/02/2022 12h16Atualizada em 15/02/2022 15h19

O presidente russo Vladimir Putin disse hoje que deseja "continuar trabalhando em conjunto" com os países ocidentais em relação à segurança europeia para diminuir a crise na Ucrânia.

"Estamos dispostos a continuar trabalhando em conjunto. Estamos dispostos a seguir o caminho da negociação", disse em entrevista coletiva junto ao chanceler alemão Olaf Scholz.

O presidente russo criticou, no entanto, a rejeição dos países ocidentais a suas principais exigências, as quais "infelizmente, não receberam uma resposta construtiva".

Essas reivindicações são o fim da política expansionista da Aliança Atlântica, o compromisso de não implementar armas ofensivas perto das fronteiras russas e a retirada de infraestruturas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) das fronteiras de 1997 - um tratado que limitava a presença de bases permanentes na Europa central e oriental.

Putin também destacou que não vai renunciar a essas demandas e que elas fariam parte das negociações entre russos e ocidentais.

"Queremos [uma guerra] ou não? É óbvio que não. Por isso apresentamos nossas propostas para um processo de negociação", reiterou.

O presidente russo também confirmou "uma retirada parcial dos militares" na fronteira com a Ucrânia, mas não quis detalhar.

Secretário da Otan pede demonstração russa

O secretário-geral da aliança militar ocidental Otan, Jens Stoltenberg, reconheceu que a Rússia pode estar dando sinais de que procura uma solução diplomática em meio a uma concentração militar na fronteira com a Ucrânia, mas pediu que Moscou demonstre sua vontade de agir.

"Acreditamos que há espaço para um otimismo prudente, há sinais da parte de Moscou sobre seu interesse em manter os esforços diplomáticos", disse Stoltenberg horas após a retirada de parte das tropas russas da fronteira com a Ucrânia.

Em uma entrevista coletiva em Bruxelas, Stoltenberg explicou que soldados russos deixaram equipamentos pesados e infraestrutura militar na fronteira com a Ucrânia, e que isso permitiria um rápido retorno ao local.

Por isso, o secretário-geral da Otan acrescentou que "até agora não vimos uma desescalada, nem vimos sinais de redução da presença militar da Rússia nas fronteiras da Ucrânia".

Milhares de soldados russos se concentravam nas fronteiras com a Ucrânia, mas hoje o Ministério da Defesa anunciou a retirada de algumas tropas da região —é o primeiro sinal de que Moscou está recuando na crise com os países ocidentais, que persiste desde o fim de 2021.

Ao mesmo tempo, a Frota Norte da Rússia anunciou o início de exercícios militares com mais de 20 navios no Mar de Barents.

Entenda a tensão entre Rússia e Ucrânia

O regime de Vladimir Putin reclama de uma eventual adesão de Kiev à Otan, aliança militar criada para fazer frente à extinta União Soviética.

Para Putin, a Otan é uma ameaça à segurança da Rússia por sua expansão na região. Por isso, o presidente quer uma declaração formal de que a Ucrânia nunca vai se filiar à aliança.

Em contrapartida, os Estados Unidos e países aliados do Ocidente (como o Reino Unido, França e a Alemanha) têm dito repetidas vezes que a Rússia pode invadir a Ucrânia "a qualquer momento" e ameaçam o país com "sanções econômicas severas" e "resposta ágil" caso a invasão ocorra.

Moscou, por sua vez, acusa os países ocidentais —em especial os Estados Unidos— de fazerem "histeria e alarmismo" sobre um ataque russo à Ucrânia, o que, segundo eles, não estaria em seus planos.

A Rússia já anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014, o que culminou em sanções econômicas dos EUA e da União Europeia. O país também é acusado de financiar os rebeldes pró-Moscou que controlam as autoproclamadas Repúblicas de Lugansk e Donetsk, na região de Donbass.

* Com AFP, Ansa e Reuters

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