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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Na ONU, Rússia diz que entrada da Ucrânia na Otan cruzaria "linha vermelha"

Depósito de petróleo perto de Kiev foi atingido por bombardeios neste 4º dia de guerra entre Rússia e Ucrânia - Maksim Levin/Reuters
Depósito de petróleo perto de Kiev foi atingido por bombardeios neste 4º dia de guerra entre Rússia e Ucrânia Imagem: Maksim Levin/Reuters

Do UOL, no Rio

28/02/2022 13h18

O representante da Rússia na ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou hoje durante sessão extraordinária da Assembleia-Geral que a entrada da Ucrânia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) representaria cruzar uma "linha vermelha" para a segurança russa.

Já o embaixador ucraniano comparou a invasão de seu país pela Rússia com as ações do regime nazista de Adolf Hitler que deram origem à Segunda Guerra Mundial. Convocada ontem, reuniões de emergência da Assembleia-Geral da ONU são raras. Desde 1950, houve apenas dez encontros do gênero.

Repetindo o que já vinha sendo dito pelo presidente russo Vladimir Putin, o embaixador russo Vasily Neenzya disse que a operação militar tem como objetivo "desmilitarizar e desnazificar" a Ucrânia. Ele citou em diversos momentos a presença de "neonazistas" nas forças ucranianas e disse que a população etnicamente russa na região do Donbass, no leste da Ucrânia, sofria genocídio.

"Em 2014, houve um golpe inconstitucional em Kiev. E a política deles foi criar um sentimento anti-Rússia e entrar na Otan. Para nós, a entrada da Ucrânia na Otan é cruzar uma linha vermelha", resumiu o embaixador.

  • Veja as últimas informações sobre a guerra na Ucrânia e mais no UOL News com Diego Sarza:

O representante russo também negou que a população e alvos civis estejam sendo atacados pela Rússia, embora haja relatos e vídeos mostrando o oposto. Segundo a própria ONU, 102 civis já morreram no conflito e mais de 300 ficaram feridos.

Ele ainda acusou as potências ocidentais de terem "inundado" a Ucrânia com armas nas mãos de civis.

"As forças armadas russas têm controle, não há bombardeio de civis. Essas áreas estão vivendo suas vidas normalmente, a infraestrutura e transportes não estão sendo atacados. Isso inclui usinas elétricas que estão operando normalmente", disse

Ucrânia compara invasão com ação de Hitler

Antes da fala do representante russo, o embaixador ucraniano na ONU, Sergiy Kylskysia, comparou a invasão de seu país às ações do regime nazista.

"Há paralelos muito claros que poderiam ser feitos com o início da Segunda Guerra Mundial", apontou. "A ação russa é muito similar à estratégia usada pelo Terceiro Reich".

O embaixador ucraniano responsabilizou o regime de Vladimir Putin pela guerra.

"Todo mundo nessa sala, todo mundo no mundo sabe que a Rússia e apenas a Rússia começou essa invasão. Essa guerra não foi provocada e não foi escolhida", ressaltou.

Por fim, o representante da Ucrânia instou os demais países-membros a dizer se apoiaram a entrada da Rússia na ONU após a dissolução da União Soviética.

"Putin fez tudo ao seu alcance para deslegitimar a presença russa na ONU. Mas eu me pergunto se a presença da Rússia na ONU foi legítima em qualquer momento. Se em qualquer momento essa assembleia votou e deliberou sobre a admissão da Federação Russa às Nações Unidas", provocou.

Brasil evita criticar Rússia

O Brasil evitou condenar a Rússia pela invasão na Ucrânia, mas alertou para o risco de o conflito ganhar escala e envolver mais países.

Segundo o embaixador Ronaldo Costa Filho, é preciso agir com cautela para não ampliar as tensões na Europa Oriental, no momento em que a Rússia colocou em prontidão seu arsenal nuclear.

"Nós precisamos ser cautelosos na Assembleia-Geral e em outros contextos. Nós vemos uma sucessão de eventos que se não forem contidos em breve levarão a um confronto muito mais amplo. Todos sofrerão, não só aqueles envolvidos na guerra", disse.

Secretário-Geral da ONU diz que ameaça nuclear é inaceitável

Antes do início das discussões pelos países-membros, o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, destacou os impactos dos ataques à população civil, "inclusive crianças".

"Os civis têm que ser protegidos e as leis humanitárias respeitadas", declarou.

Guterres ainda condenou a decisão de Putin de colocar em alerta suas forças de dissuasão, que inclui o arsenal nuclear russo.

"A soberania da Ucrânia, com suas fronteiras internacionais reconhecidas, tem que ser respeitada. As forças nucleares da Rússia foram postas em alerta ontem. É uma novidade terrível, nada pode justificar o uso de armas nucleares", disse.

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou no Twitter que mais de 500 mil pessoas já deixaram a Ucrânia rumo aos países vizinhos, fugindo da guerra.

Em seu pronunciamento na sessão extraordinária da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a China, aliada da Rússia, criticou as potências ocidentais por manterem "a mentalidade da Guerra Fria".

"A Guerra Fria terminou há muitos anos, mas a mentalidade da Guerra Fria não foi abandonada. Não podemos estar diante de uma nova Guerra Fria, todos perderíamos", disse o embaixador chinês na ONU (Organização das Nações Unidas), Zhang Jun.

Segunda maior economia do mundo, a China vive nos últimos anos uma guerra comercial com os Estados Unidos, definida por parte dos analistas como uma Guerra Fria 2.0.

O embaixador francês, Nicolas de Rivière, condenou a invasão russa e conclamou os demais países a aprovar a resolução na Assembleia-Geral: "não reagir é concordar", resumiu. Ainda segundo ele, a França e a União Europeia "estão lado a lado ao povo da Ucrânia"

Já Dame Barbara WoodWard, embaixadora do Reino Unido, definiu a ação russa como "ataque ilegal": "Os fatos são claros: a Rússia invadiu a Ucrânia sem provocação e justificativa".

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL