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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


'Não permitiremos organizações terroristas na Otan', diz presidente turco

Os presidentes da Turquia, Recep Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin - 5.mar.2020 - Pavel Golovkin/Reuters
Os presidentes da Turquia, Recep Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin Imagem: 5.mar.2020 - Pavel Golovkin/Reuters

Do UOL*, em São Paulo

19/05/2022 05h30Atualizada em 19/05/2022 08h54

O presidente da Turquia, Recep Erdogan, reforçou hoje que seu país não quer a entrada de Suécia e Finlândia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Erdogan também declarou que não pretende abrir mão da relação com o presidente russo, Vladimir Putin, em razão da guerra da Rússia na Ucrânia, que hoje entrou no 85º dia, com ataques tanto em cidades ucranianas quanto russas.

"Dissemos aos nossos amigos que diremos não à adesão da Finlândia e da Suécia à Otan. E continuaremos a seguir isso. Não permitiremos que organizações terroristas façam parte da Otan", declarou Erdogan, citado pela agência de notícias russa Tass.

O governo turco acusa a Finlândia, e especialmente a Suécia, de ser um santuário para "terroristas", referindo-se tanto aos membros do guerrilheiro PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), atuante na Turquia e reconhecido pelos EUA e União Europeia como terrorista. "Esses países abrigam o Partido dos Trabalhadores do Curdistão."

Ontem, finlandeses e suecos apresentaram o pedido para entrar na Otan, um movimento que é decorrente da invasão promovida por Putin ao território ucraniano. Com a decisão de candidatarem-se à aliança militar, Finlândia e Suécia abandonaram uma histórica neutralidade na região, o que gerou reações da Rússia, indicando que poderá haver "respostas".

Para que os dois países possam ingressar na Otan, é preciso que todos os membros concordem. A Turquia tem se mostrado como principal entrave para que isso aconteça. "No momento, estamos determinados sobre isso [ser contra a entrada dos dois países]. Isto é especialmente verdade para a Suécia, eles são o centro do terrorismo, um foco sólido de terrorismo." Hoje, governantes de Suécia e Filândia serão recebidos pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Erdogan também disse hoje que não quer romper relações com Putin. "Estamos buscando uma política equilibrada nas relações com a Rússia e a Ucrânia. Não tenho intenção de cortar relações com Putin ou Zelensky." O presidente turco disse que pretende "continuar a conduzir a diplomacia telefônica com Putin e Zelensky" sobre a situação na Ucrânia.

Morte perto da fronteira

Ao menos uma pessoa morreu em um ataque em Tetkino, cidade russa da região de Kursk, perto da fronteira com a Ucrânia. Segundo o governador de Kursk, Roman Starovoit, a vítima é um caminhoneiro, que fazia transporte de carga para uma fábrica no momento do ataque. Um outro motorista também ficou ferido, disse Starovoit. Casas da região também foram atingidas.

O Ministério da Defesa da Ucrânia não fez menção a ataques em Kursk em seu relatório de hoje, mas indicou que "as unidades inimigas russas continuam a equipar posições de tiro adicionais e estruturas defensivas nas áreas fronteiriças das regiões de Bryansk e Kursk".

Em território ucraniano, um ataque em Sievierodonetsk, na região de Lugansk, leste do país, deixou ao menos quatro pessoas mortas em uma área residencial. Segundo o governador de Lugansk, Sergey Gaidai, uma mulher perdeu a mão após um ataque em Lysychansk.

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Ao menos quatro pessoas morreram no ataque a Sievierodonetsk, no leste da Ucrânia
Imagem: Reprodução/Sergey Gaidai

Em relatório, a ONG HRW (Human Rights Watch) disse que, em Kiev e Chernihiv, no norte da Ucrânia, as forças russas "submeteram civis a execuções sumárias, tortura e outros abusos graves que são aparentes crimes de guerra" entre fevereiro e março, período inicial da invasão russa.

A organização disse ainda, no documento apresentado ontem, que "21 civis descreveram o confinamento ilegal em condições desumanas e degradantes". "Esses abusos contra civis são crimes de guerra evidentes que devem ser investigados com rapidez e imparcialidade e processados adequadamente", disse Giorgi Gogia, diretor da HRW.

No complexo Azovstal, em Mariupol, o Ministério da Defesa da Rússia disse hoje que mais 771 combatentes ucranianos renderam-se. No total, 1.730 já se entregaram às forças russas. Azovstal era o último ponto de resistência da Ucrânia na cidade portuária que fica no sudeste do país.

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Mais um grupo de combatentes que estavam no complexo Azovstal entregou-se às forças russas
Imagem: Ministério da Defesa da Rússia

"Rifle na minha cabeça"

Casos de tortura foram mencionados no relatório da HRW. Soldados russos teriam espancado pessoas detidas, e usavam choques elétricos ou realizavam execuções simuladas para coagi-las a fornecer informações. "Eles colocaram um rifle na minha cabeça, carregaram e ouvi três tiros", disse um homem que estava com os olhos vendados. "Eu também podia ouvir os cartuchos de bala caindo no chão, e pensei que era isso para mim."

Segundo a ONG, "civis descreveram ter sido detidos pelas forças russas por dias ou semanas em condições sujas e sufocantes em locais como um porão de escola, uma sala em uma fábrica de janelas e um poço em uma sala de caldeiras, com pouca ou nenhuma comida, água inadequada e sem acesso a banheiros". Algumas pessoas chegaram a ficar nessas condições por 28 dias.

Em Dymer, cerca de 45 quilômetros ao norte de Kiev, dezenas de pessoas ficaram presas "em uma sala de 40 metros quadrados na fábrica de janelas da cidade", com pouca comida e água, e com baldes sendo usados como banheiro.

No relatório, a HRW também citou o caso de uma mãe que, após a retirada das forças russas da região de Kiev, em 31 de março, encontrou o corpo de seu filho em um celeiro, a cerca de 100 metros de sua casa, depois de reconhecer seus tênis. Em 19 de março, soldados haviam detido o homem, de 45 anos, após encontrarem seu antigo casaco militar. A ONG também disse que registrou ao menos nove casos em que "as forças russas atiraram e mataram civis sem uma justificativa militar evidente".

A HRW lembrou que "as leis da guerra proíbem ataques a civis, execuções sumárias, tortura, desaparecimentos forçados, confinamento ilegal e tratamento desumano de detidos". "Os comandantes das forças que sabiam ou tinham motivos para saber de tais crimes, mas não tentaram impedi-los ou punir os responsáveis, são criminalmente responsáveis."

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Bombardeios

O Ministério da Defesa da Ucrânia disse que as forças russas fizeram ataques contra as regiões de Chernihiv, norte do país, e Sumy, no nordeste.

Em Kharkiv, região onde está a segunda maior cidade da Ucrânia, de mesmo nome, a Defesa do país disse que a Rússia tenta "restaurar as posições perdidas". Na segunda-feira (16), as forças ucranianas conseguiram avançar em algumas áreas que estavam ocupadas pelas forças russas na região.

Já o Ministério da Defesa da Rússia disse ter feito novos ataques contra a infraestrutura militar da Ucrânia, matando ao menos 320 militares do país. A Ucrânia, por sua vez, disse ter matado 200 membros das forças russas entre ontem e hoje.

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O militar russo Vadim Shishimarin, 21, é julgado em Kiev, na Ucrânia
Imagem: Vladyslav Musiienko/Reuters

Russo pede perdão

O primeiro militar russo julgado na Ucrânia por crimes de guerra pediu "perdão" hoje em um tribunal de Kiev ao detalhar como matou um civil no início da invasão russa. "Sei que você não poderá me perdoar, mas, mesmo assim, peço perdão", afirmou Vadim Shishimarin, 21, à esposa de um civil de 62 anos que ele admitiu ter matado em 28 de fevereiro.

Zelensky ironiza nova arma russa

Em seu pronunciamento em vídeo na noite de ontem, Zelensky disse que a Rússia está tentando encontrar sua "arma maravilhosa". "Na propaganda da Alemanha nazista havia esse termo "wunderwaffe", arma maravilhosa. Quanto mais claro ficasse que eles não tinham chance na guerra, mais propaganda havia sobre a arma maravilhosa, que seria tão poderosa que forneceria um ponto de virada na guerra."

Para Zelensky, o anúncio da Rússia de que está usando uma nova geração de armas a laser na Ucrânia "indica claramente o fracasso completo da invasão". "Eles virão com mais e mais 'wunderwaffe' à medida que as Forças Armadas da Ucrânia e todos os nossos defensores liberam nossa terra passo a passo."

Central nuclear

A Rússia pretende cortar a Ucrânia de sua central nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, ocupada pelo exército russo. Isso não acontecerá se o governo ucraniano pagar a Moscou pela energia elétrica produzida, afirmou o vice-primeiro-ministro russo, Marat Jusnulin.

"Atalho" para a UE

O chanceler alemão, Olaf Scholz, afirmou hoje que não é favorável a conceder à Ucrânia um "atalho" para uma adesão à UE (União Europeia) que, segundo ele, "não é um assunto de alguns meses ou alguns anos". "O fato de não existir atalho no caminho de adesão é um imperativo de equidade para os seis países dos Bálcãs Ocidentais que desejam há muito tempo entrar para o bloco europeu", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, falou hoje em um "tratamento de segunda divisão por parte de "algumas capitais europeias" a respeito da candidatura da Ucrânia à UE. "A ambiguidade estratégica sobre a perspectiva europeia da Ucrânia praticada por algumas capitais da UE nos últimos anos fracassou. E deve acabar", escreveu Kuleba no Twitter.

(Com EFE e AFP)