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1 mês

Morte de Genivaldo repercute na imprensa estrangeira: '2 anos após Floyd'

Do UOL, em São Paulo

27/05/2022 09h36Atualizada em 27/05/2022 12h10

Genivaldo de Jesus Santos, 38, morreu no mesmo dia em que a tragédia com George Floyd, nos Estados Unidos, completava dois anos. A coincidência de datas e da história dos dois homens foi destaque no jornal britânico The Guardian, que detalhou que o homem negro, que tinha esquizofrenia diagnosticada, foi preso em uma "câmara de gás" improvisada por agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que teriam jogado bombas de gás lacrimogêneo dentro da viatura em que a vítima estava.

Um laudo do IML atestou que o brasileiro morreu asfixiado. A mesma causa do óbito de Floyd, sufocado sob o joelho de um policial branco por mais de 9 minutos em 25 de maio de 2020. O agente Derek Chauvin, flagrado sobre o norte-americano em imagens feitas por testemunhas, foi condenado a 22 anos de prisão pelo crime.

"A morte terrível causou choque no Brasil, onde a violência policial é banalizada e afeta desproporcionalmente a população negra do país. De acordo com o Fórum de Segurança Pública Brasileiro, a polícia matou 6.416 pessoas em 2020. Quase 80% das vítimas eram negras", relatou o Guardian.

O francês Le Parisien afirmou que o caso de Genivaldo "comoveu" o país. "A morte de um homem asfixiado depois de ser colocado no porta-malas de uma viatura de polícia, de onde saía uma fumaça espessa, chocou o Brasil", continuou o jornal.

genivaldo e floyd - Reprodução - Reprodução
Genivaldo Santos, 38, morreu no mesmo dia em que assassinato de George Floyd completou 2 anos
Imagem: Reprodução

Na Argentina, o La Nacion também destacou a "comoção" nacional pela história, registrada em Umbaúba, litoral sul de Sergipe. O veículo local ainda lembrou que a PRF, "órgão de segurança que deve atuar exclusivamente em estradas", participou na terça (24) de uma ação policial que deixou pelo menos 26 mortos na favela de Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

Já o norte-americano Washington Post avaliou que "mesmo em um lugar familiarizado com mortes provocadas por policiais", como o Brasil, o vídeo da morte de Genivaldo "gerou terror e revolta".

Abordagem

Segundo testemunhas, Genivaldo Santos foi abordado pelos agentes na tarde de quarta (25) enquanto pilotava uma motocicleta. Imagens gravadas por populares, mostram que a ação começa com três agentes que se lançam sobre o homem, na tentativa de imobilizá-lo ao encontrarem uma cartela de remédios com ele.

Sobrinho da vítima, Wallison de Jesus disse que estava perto do tio no momento em que ele foi abordado pelos policiais. No vídeo de testemunhas, é possível ver o momento em que Genivaldo ergue os braços, demonstrando colaborar. Ainda assim, é possível ouvir os policiais gritando com ele e o ofendendo.

O homem que grava toda a cena diz: "Ele tem problema mental". Depois, ao saber que havia um parente de Santos presente, ele se dirige a ele e diz: "Cara, se você sabe que ele tem problemas mentais, você tem que avisar". Ao que Wallison responde: "Já avisei".

Os avisos, porém, parecem não influenciar os agentes, que continuam posicionados sobre o homem caído ao chão. Somente depois de um tempo ele é jogado no porta-malas da viatura.

Em outro vídeo que circulou nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, é possível ver o momento em que Santos é mantido preso no porta-malas da viatura da PRF por dois agentes da corporação, enquanto uma fumaça - de um tipo ainda não identificado oficialmente - escapa do veículo.

Toda a cena é assistida por dezenas de populares que, segundo demonstram os vídeos, preferiram manter distância dos policiais. "Vai matar o cara aí dentro", diz um deles.

Assim que Santos parou de se debater e gritar, os policiais fecharam a porta traseira da viatura, entraram no carro e deixaram o local. O episódio gerou protesto na manhã de hoje.

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