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Internacional

Forças Armadas mantêm 'busca incansável' por Dom e Bruno, diz Bolsonaro

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Balneário Camboriú (SC)

10/06/2022 14h35Atualizada em 10/06/2022 16h57

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou hoje que as buscas ao jornalista inglês Dom Phillips e ao indigenista Bruno Araújo Pereira, que sumiram na Amazônia em 5 de junho, ocorrem de forma "incansável". A declaração foi feita na segunda plenária da Cúpula das Américas, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

"Desde o primeiro momento do desaparecimento as nossas Forças Armadas têm se destacado para a busca incansável dessas pessoas, pedimos a Deus que sejam encontrados com vida", disse.

Ontem, Bolsonaro teve um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden —a primeira reunião entre as duas autoridades desde as eleições norte-americanas. Porém, o mandatário brasileiro não fez referência ao desaparecimento.

A suspeita das lideranças indígenas é a de que Dom e Bruno tenham sumido enquanto retornavam para a cidade de Atalaia do Norte após de visitarem a comunidade ribeirinha de São Gabriel. Eles estariam em uma embarcação nova, com motor de 40 HP e 70 litros de gasolina. A quantidade seria suficiente para a viagem.

Em carta reproduzida pelo jornal O Globo, pescadores prometeram "acertar contas" com o indigenista.

'Maravilhado'

Pré-candidato à reeleição, Bolsonaro aproveitou boa parte do discurso na Cúpula das Américas para falar com o público interno. Abordou temas de interesse dos seus apoiadores, como o ideário de defesa da liberdade, concepção da vida (em referência ao aborto) e lealdade ao povo.

Ele também voltou a dizer que ficou "maravilhado" após reunião com o americano Joe Biden. Destacou que ambos estavam sem máscara e a menos de um metro de distância durante o encontro bilateral, que durou 30 minutos.

A experiência de ontem com o presidente Biden foi simplesmente fantástica. Estou realmente maravilhado e acreditando em suas palavras e naquilo que foi tratado reservadamente entre nós."

'De forma democrática'

No encontro de ontem com Biden, Bolsonaro disse que deixará o governo "de forma democrática". E criticou o que chamou de "política do fique em casa, a economia a gente vê depois" ao justificar a situação econômica do país e alta da inflação nos alimentos, que pressiona as faixas mais pobres da população.

"Neste ano, temos eleições no Brasil, e nós queremos, sim, eleições limpas, confiáveis, e auditáveis, para que não sobre nenhuma dúvida após o pleito. Eu tenho certeza que será realizada neste espírito democrático. Cheguei pela democracia e tenho certeza que, quando deixar o governo, também será de forma democrática", disse.

Bolsonaro também disse ao presidente americano que o Brasil está "à disposição" para construir uma saída para o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que teria agravado o cenário econômico brasileiro.

Na abertura da reunião bilateral entre os presidentes, Biden afirmou que o Brasil possui instituições eleitorais fortes, e é uma "democracia vibrante". Na introdução do encontro, o norte-americano garantiu que os países possuem "valores compartilhados".

Segundo o presidente dos EUA, há interesse em ajudar o Brasil na recuperação econômica. Biden adiantou também que falaria de questões climáticas e ambientais com Bolsonaro.

Líderes voltam a reclamar de exclusão de países

Na plenária de hoje, a exclusão dos governos de Cuba, Venezuela e Nicarágua para participação da Cúpula das Américas voltou a ser alvo de críticas. A gestão de Joe Biden deixou de convidá-lo por considerar que esses países não são democráticos.

Ontem, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, fez duras críticas a essa situação.

"O fato de ser o anfitrião da Cúpula não lhes dá o direito de dividir os países do continente. O diálogo, a diversidade são os melhores instrumentos para promover a democracia e a igualdade. O presidente (dos Estados Unidos, Joe) Biden tenho certeza que se deve abrir de forma fraterna a interesses em comum", disse Fernández.

Ele foi acompanhado pelo primeiro-ministro de Belize, Johnny Briceño, que também fez críticas aos Estados Unidos. "A ausência da Venezuela é inaceitável", disse o político.

Na plenária de hoje, alguns líderes também reclamaram da crise econômica - ainda por decorrência da pandemia da covid-19. A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, sugeriu a criação de uma plataforma comum para ajudar em negociações de preços e serviços.

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