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8 meses

Vídeo mostra CEO admitindo ter 'quebrado regras' para construir submersível

Do UOL, em São Paulo

23/06/2023 18h15Atualizada em 23/06/2023 18h15

Em vídeo que voltou a circular nas redes sociais, Stockton Rush, CEO da OceanGate, empresa responsável pelo submersível que estava desaparecido e uma das vítimas da tragédia, afirma, em 2021, que "gostaria de ser lembrado como um homem inovador" e comentou que "quebrou algumas regras" na construção do Titan.

O que aconteceu:

Rush declarou achar "que foi o general MacArthur quem disse: 'Você é lembrado pelas regras que quebra' e você sabe que quebrei algumas regras para fazer isso, com lógica e boa engenharia". A fala foi concedida ao blogueiro de viagens mexicano Alan Estrada, responsável pelo canal no YouTube "Alan por el mundo". O vídeo foi divulgado em setembro de 2021, segundo a CNN norte-americana.

O presidente da OceanGate continuou afirmando que "quebrou algumas regras para tornar isso possível". O homem citou que inovação significa quebrar regras que irão agregar valor à sociedade. Ele não comentou quais regras foram quebradas para a construção do submersível. Rush é um dos tripulantes do submersível.

Além disso, a BBC revelou troca de emails, com avisos de que o Titan representava riscos aos clientes. O alerta partiu de Rob McCallum, especialista em exploração do fundo do mar, para o CEO da OceanGate, Stock Rush.

Os advogados da OceanGate ameaçaram processar McCallum depois que ele pediu para que a empresa parasse de usar o submersível até haver classificação por órgão independente, mas Rush disse defender sua "abordagem inovadora".

Mais de três dezenas de especialistas e líderes da indústria também alertaram Rush sobre problemas "potencialmente catastróficos" quanto à "abordagem tecnológica" da OceanGate, ainda em 2018. Eles se referiam ao risco do design experimental do Titan e o material de fibra de carbono usado na construção do submersível.

No vídeo resgatado, Rush ainda comentou que gostaria futuramente de fazer o Titan, apelido do submersível, detectar movimento, reconhecer voz e cumprimentar assim que o tripulante entrasse nele. Entre os desejos, o CEO também falou que o submersível deveria ser como um elevador e não ter vários botões e alancavas.

O homem declarou que inovar seria quando você torna uma "invenção amplamente aceita" e que, talvez, deve-se pensar na exploração do oceano da mesma forma que a exploração do espaço.

Porque é aqui [no mar] que vamos encontrar novas e estranhas formas de vida. O futuro da humanidade está debaixo d'água, não em marte. Não teremos base em marte ou na lua. Vamos tentar, vamos gastar muito dinheiro, mas no final teremos uma base submarina. Porque quando o sol se põe, ainda haverá correntes hidrotermais e formas de vida que não precisam do sol para viver. E se destruirmos este planeta, a melhor 'tábua de salvação' que temos é debaixo d'água."
Stockton Rush, CEO da OceanGate

Entenda o caso:

O submersível, apelidado de "Titan", submergiu na manhã de domingo, 18 de junho. Os turistas queriam ver os destroços do Titanic, localizado no Atlântico Norte.

O barco de apoio na superfície, o quebra-gelo Polar Prince, perdeu contato com ele cerca de uma hora e 45 minutos mais tarde, segundo a Guarda Costeira dos EUA.

Todos os ocupantes do submersível Titan, que estava sumido no Oceano Atlântico, morreram. A informação foi confirmada pela OceanGate, empresa que promove a expedição até o Titanic, e pela Guarda Costeira dos Estados Unidos na quinta-feira (22).

Um piloto e quatro passageiros faziam parte da expedição. São eles: Stockton Rush, presidente da OceanGate; o bilionário Hamish Harding; Shahzada e Suleman Dawood, um empresário paquistanês e seu filho; e Paul-Henry Nargeolet, ex-comandante da Marinha Francesa e considerado um dos maiores especialistas do naufrágio do Titanic.

O submersível foi dado como desaparecido a cerca de 700 quilômetros ao sul de São João da Terra Nova, capital da província canadense de Terra Nova e Labrador, segundo as autoridades canadenses, na área onde ocorreu o naufrágio do Titanic, em 1912.