Argentina: quem é Sergio Tomas Massa, que surpreendeu ao ganhar 1º turno

Atual ministro da Economia, Sergio Tomas Massa, 51, surpreendeu e foi o candidato mais votado nas eleições à Presidência da Argentina. Ele vai disputar o segundo turno com o radical de direita Javier Gerardo Milei, que aparecia na liderança das pesquisas, no dia 19 de novembro.

Quem é Sergio Massa?

É advogado e tem 51 anos. Nasceu em San Martín, na província de Buenos Aires, e é filho de imigrantes italianos que chegaram ao país após a Segunda Guerra Mundial e abriram uma pequena empresa de construção.

Iniciou sua militância no UCeDé, partido de direita, no final dos anos 1980. Na década de 1990, voltou sua militância para o peronismo de Buenos Aires, através das líderes políticas Cristina Camaño e Marcela Durrieu. Durrieu o apresentou à sua filha, Malena Galmarini. O casal tem dois filhos.

Foi deputado provincial de Buenos Aires aos 27 anos, em 1999. Após a crise de 2001, foi nomeado diretor da Administração Nacional da Segurança Nacional, responsável por um dos orçamentos mais importantes do governo.

Em 2007, foi eleito prefeito de Tigre, nos arredores da capital, e chegou a ocupar o posto de chefe de Gabinete de Cristina Kirchner. Ele rompeu com a política no início dos anos 2010, passando a denunciá-la publicamente e formando um grupo político rival.

Em 2015, concorreu à Presidência tendo Mauricio Macri e um candidato apoiado por Cristina como adversários. Acabou em terceiro na disputa. Como deputado, presidiu a Câmara argentina entre 2019 e 2022. Em 2019, selou uma reconciliação com o kirchnerismo.

Em 2022, com a economia indo para o abismo, o então deputado Massa foi convocado pelo atual presidente Alberto Fernández para assumir a pasta da Economia. Ele substituiu Silvina Batakis, que era mais diretamente ligada a Cristina.

Massa assumiu o Ministério da Economia em um dos piores momentos da prolongada crise no país. Hoje, os argentinos vivem atormentados por uma inflação de 138,8% ao ano. Fernández ainda fundiu outros dois ministérios, cujas áreas também passaram a ser chefiadas por Massa.

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Com Fernández desistindo de concorrer à reeleição, Massa se lançou como pré-candidato nas primárias da União Pela Pátria, principal agrupamento de peronistas da Argentina. Ele assegurou a candidatura ao derrotar Juan Grabois, da esquerda peronista. Durante a campanha, apareceu poucas vezes ao lado de Cristina Kirchner.

Sobre a situação econômica, o ministro tem argumentado que o momento é de transição, e que medidas recentemente adotadas ainda vão render frutos. "O pior passou, o melhor está por vir", disse na reta final da campanha.

Ajuda de Lula

Massa esteve no Brasil no fim de agosto e se reuniu com o presidente Lula (PT). O objetivo da visita foi tratar de um empréstimo de R$ 600 milhões para financiar exportações.

Na ocasião, Lula disse ao ministro, de acordo com o candidato, que enviaria pessoas de sua equipe à Argentina, com o objetivo de ajudá-lo na campanha "para parar a direita". Em conversas reservadas, diplomatas do Itamaraty se queixaram do vazamento, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Um gênio, Lula. Ele prometeu que nos ajudaria a vencer (Javier) Milei Sergio Massa, segundo reportagem publicada no jornal La Nacíón, em 29 de agosto

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