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Colômbia expulsa diplomatas argentinos após Milei insultar Gustavo Petro

O governo da Colômbia ordenou a expulsão de diplomatas da embaixada da Argentina em Bogotá após Javier Milei chamar o presidente colombiano Gustavo Petro de "assassino terrorista".

O que aconteceu

O Ministério de Relações Exteriores da Colômbia emitiu um comunicado no qual repudia as declarações de Milei. Em nota, publicada nesta quarta-feira (27), o governo diz que "repudia declarações proferidas pelo senhor Javier Milei, presidente da Argentina, em entrevista ao canal CNN na qual se expressou de forma degradante contra o presidente dos colombianos, o respeitado Sr. Gustavo Petro".

Governo ordenou expulsão de diplomatas. "O alcance desta decisão será comunicado à embaixada da Argentina através dos canais institucionais diplomáticos", diz comunicado, que não detalhou quais serão os funcionários removidos.

Declaração de Milei foi dada em entrevista à CNN espanhola. Em entrevista ao programa "Oppenheimer Presenta" o presidente da Argentina disse: "Não se pode esperar muito de alguém que foi um assassino terrorista". A entrevista durou cerca de 50 minutos e irá ao ar no domingo (31).

Comunicado diz que não é a primeira vez que Milei ofende Gustavo Petro. O governo acusa ainda o presidente argentino de afetar "as históricas relações de fraternidade entre a Colômbia e a Argentina". "As expressões do presidente argentino deterioraram a confiança da nossa nação, além de ofenderem a dignidade do presidente Petro, eleito democraticamente", diz outro trecho do anúncio.

Milei já havia xingado Petro em janeiro

Em janeiro, Milei chamou o presidente colombiano de "comunista assassino" e afirmou que, por causa dele, a Colômbia estava destruída. As declarações de Milei ocorreram durante entrevista à jornalista colombiana-americana Patricia Janiot —o vídeo foi divulgado ontem em seu canal.

O Ministério de Relações Exteriores da Colômbia também reagiu na época. Por meio de nota, afirmou que "o governo rejeita veementemente esta afirmação que ataca a honra do presidente" e que as palavras de Milei ignoram e violam a amizade profunda entre os dois países.

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Relação turbulenta

Historicamente, Colômbia e Argentina têm mantido boas relações diplomáticas e comerciais.Mas com a chegada do líder ultraliberal à presidência argentina, as relações começaram a se deteriorar com Petro, o primeiro presidente de esquerda na história da Colômbia.

"Eles nos atacam como comunistas, como socialistas, que o Estado é o dono dos meios de produção. Claro, aqueles que nos atacam não têm ideia do que é o comunismo ou do que é o socialismo", disse o presidente da Colômbia em evento governamental, numa referência às críticas de Milei.

Quando o argentino foi eleito, em novembro de 2023, o presidente colombiano não cumpriu o protocolo e economizou os parabéns pelo resultado nas urnas. Petro, na ocasião, lamentou a vitória de Milei, afirmando que a extrema-direita havia ganhado na Argentina e que o resultado era uma tristeza para a América Latina. O presidente colombiano também não esteve na posse de Milei.

As reformas econômicas de Milei também geraram mal-estar entre os dois presidentes. Isso porque a Argentina quer cobrar de estrangeiros que não têm residência permanente a mensalidade em universidades locais.

Muitos estudantes da região vão estudar na Argentina, que não tem vestibular e oferece educação pública e gratuita. Entre esses estudantes estão os colombianos. Petro afirmou que a Colômbia receberia os mais de 20 mil estudantes que seriam expulsos por Milei.

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