Os 13 dias que abalaram a campanha de Biden

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Parecia que seria tudo mais do mesmo. Mais uma eleição americana com dois candidatos mais do que conhecidos: Donald Trump e Joe Biden. E com as mesmas historinhas de sempre. Biden dizendo que Trump vai acabar com a democracia e que só ele pode derrotar Trump. Trump dizendo que vai deportar todo mundo que não é americano, que Biden é velho demais (como se ele não tivesse só 3 anos a menos) e contando várias mentiras no meio do caminho. Que sono, Tixa! Não durma ainda, darling, porque tem um plot twist carpado vindo aí.

Eis que Democratas e Republicanos concordam em fazer um debate antecipado. Antes mesmo de os candidatos estarem oficialmente escolhidos (as convenções finais dos partidos ainda não aconteceram).

O primeiro debate de uma eleição americana costuma acontecer em setembro. Neste ano, tudo começou em uma quinta-feira, 27 de junho. Sim, dois meses antes, BRASEW. E aí, pulamos de cabeça.

E a partir de hoje, todos os leitores do UOL poderão conferir essa saga da guerra das estrelas aqui com a gente. Mas aposto que você está perdido. Então vamos ajudar a se achar com o resumo dos 13 dias que abalaram por completo a candidatura de Joe Biden.

Dia 1. Era para ser só mais um debate para a imprensa falar das mentiras de Trump. Mas eis que Biden adentra aos estúdios da CNN em Atlanta já titubeante e proporciona os 90 minutos mais angustiantes da história dos Democratas. Biden não conseguia rebater Trump, trocava palavras, errava nas informações de suas próprias conquistas. Quando não estava falando, parecia um zumbi, paralisado, olhando o além, boquiaberto, olhos arregalados e sem piscar. Trump precisou só respirar para ganhar o debate porque Biden parecia que já não respirava.

Dia 2. O pânico se instala entre os Democratas. No escurinho do cinema, eles começam a pensar como fazer para ter um novo candidato. O capitão Nascimento encarna toda a imprensa pró-Biden e eles começam o clamor: Pede pra sair, Biden!

Biden faz um discurso público, lendo na tela do teleprompter e gritando ao mesmo tempo. Tudo para tentar provar que seguia respirando.

Dias 3 e 4. Em um almoço de família, amparado pelo filho condenado Hunter Biden (o filhote mentiu que não usava drogas para comprar uma arma), Biden decide que vai seguir concorrendo. Mas pouco fala com jornalistas, com os congressistas ou com governadores. Os clamores se intensificam na imprensa, e a especulação sobre quem pode substituí-lo corre solta. Republicanos aproveitam a onda e questionam se Biden tem até mesmo condições de continuar presidente. O que Xi e Putin devem ter achado do debate, hein, Tixa? Digo nada, darling!

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Dia 5. O Supremo americano tira os holofotes de Biden por breves instantes ao decidir que presidentes americanos não podem ser responsabilizados criminalmente por atos oficiais. Sim, um rei. O caso beneficia Trump, que responde a processos por ataques à democracia. Ele vaticina: viva a Democracia.

Dia 6. Michelle Obama surge em uma pesquisa Reuters/Ipsos como a única democrata que venceria Donald Trump. 59% a 39%. Mas Michelle pode mesmo ser candidata? Poder, pode. Mas a imprensa americana ignora esse dado da pesquisa porque aparentemente não existe a menor chance de os Democratas botarem a Michelle contra o Trump. Lágrimas para os fãs de Obama.

Os olhos estão mesmo voltados para Kamala Harris, a candidata a vice de Biden e atual vice-presidente (ou veep, como dizem lá. Tem até uma série com esse nome). Kamala está até melhor que Biden nas pesquisas. E assim os primeiros congressistas democratas vão a público pedir a saída de Biden.

Biden se justifica pela primeira vez e me vem com essa: ele estava muito cansado por conta de viagens internacionais e tenta explicar seu comportamento zumbi dizendo que quase dormiu no debate. Sim, BRASEW, ele diz que quase dormiu no debate. Detalhe: as tais viagens aconteceram 12 dias antes do debate, e ele passou 6 dias se preparando para o rolê.

Dia 7. As primeiras pesquisas pós-debate feitas pelo New York Times e Wall Street Journal começam a mostrar que se abriu um buraco de seis pontos entre Trump e Biden. Mas Biden já estava atrás de Trump, o que na análise dos entendidos pode significar que o debate só piorou algo que já estava ruim há mais tempo. Com costuma dizer o Trump: NOT GOOD.

Dia 8. Doadores forçam a barra e intensificam o movimento "Pede pra sair, Biden". Herdeira da Disney suspende doações. Um dia antes, o homem da Netflix também já tinha dito que não daria mais grana nenhuma. Alguns doadores mais ousados chegam a lançar um fundo para arrecadar dinheiro para a campanha do substituto de Biden. A revista The Economist engrossou o coro e disse que pior do que o desempenho de Biden foi seu comitê de campanha tentando encobrir a situação de Biden. Tudo no melhor estilo "se ela dança, eu danço."

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Dia 9. Biden finalmente resolve dar uma entrevista mais longa, depois de uma semana com todo mundo dizendo que ele foi o presidente que menos deu entrevistas na história. Especula-se que já era uma tentativa de encobrir a real condição de saúde. Mas Biden diz que só deixará a disputa se o Senhor Todo-Poderoso descer à Terra e disser: "Joe, saia." Cuidado com o que deseja, darling!

Dias 10 e 11. Biden adota a estratégia de se voltar para sua base, especialmente para o movimento negro. Vai à uma igreja negra e reza, digo, e faz discurso com direito a muitos aplausos. Enquanto isso, democratas fazem planos para realizar primárias relâmpagos para escolher um novo candidato, com direito a uma semana de palestras com Michelle Obama, Oprah e Taylor Swift, terminando com Biden, Bill Clinton e Obama em um palco anunciando um novo candidato. Não se confunda, isso foi só um sonho de verão de alguns democratas. Nada disso aconteceu na vida real.

Dia 12. Biden manda cartinha para os congressistas enfatizando que não há a menor chance de ele sair da disputa. Ainda aproveita para dar uma longa entrevista, por telefone, a um programa da MSNBC e critica o que ele chama de elite democrata que quer tirá-lo do páreo. "Esses tagarelas", diz Biden. Blá, blá, blá.

Dia 13. Cartinha ao Congresso fez efeito. Deputados e senadores decidem fazer nada, por enquanto. Mas há relatos de que houve até gente chorando nas reuniões. Biden faz discurso (cheio de energia, mas com teleprompter) no primeiro dia de reunião da cúpula da Otan. E promete que dará uma coletiva de imprensa amanhã. Todos aguardam o momento, como mais um teste para Biden.

Para os perdidos: OTAN é a Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma espécie de tratado militar de países da América do Norte e Europa em que todos os membros prometem defender uns aos outros.

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Quem faz a Tixa: Josette Goulart, Marcelo Chello, Juliana Souza e Pedro Vedovato. Colaboração de arte: Osi Nascimento

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