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Grande Barreira de Corais está mais ameaçada do que se pensava

Peixes e outros animais circulam por coral da Grande Barreira de Corais, na costa de Queensland, Austrália - Universidade James Cook/EPA/Efe
Peixes e outros animais circulam por coral da Grande Barreira de Corais, na costa de Queensland, Austrália Imagem: Universidade James Cook/EPA/Efe

23/02/2016 22h14

A Grande Barreira de Corais australiana, o maior arrecife formado por seres vivos no mundo, é mais ameaçada do que se pensava, devido à acidificação dos oceanos causada pelo aquecimento global, segundo pesquisadores divulgaram nesta terça-feira (23).

A diminuição da quantidade de aragonite - um mineral necessário para os corais na formação do seu esqueleto - tende a acelerar com o aumento da absorção pelos oceanos de dióxido de carbono (CO2), resultante da combustão de combustíveis fósseis em seres humanos, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Communications.

O equilíbrio químico dos oceanos está perturbado, com um declínio do pH (parâmetro que define se um meio é ácido ou básico) e a concentração de aragonite, uma forma cristalina do carbonato de cálcio.

Sem aragonita, os corais não conseguem reconstruir seus esqueletos e se desintegram ao longo do tempo.

Uma equipe de cientistas da Austrália e Arábia Saudita estabeleceu um novo modelo para medir a taxa de aragonita em mais de 3.000 recifes da Grande Barreira.

Medir no local a taxa de aragonita em cada um dos recifes de 2.300 quilômetros da Grande Barreira é uma tarefa impossível na prática.

De acordo com estes cientistas, a diminuição de aragonita "deve ser provavelmente mais importante na Grande Barreira do que o previsto anteriormente" pelo IPCC, o Painel Intergovernamental sobre a Evolução do Clima.

A acidez dos oceanos aumentou 26% com relação à era pré-industrial e os recifes de corais talvez estejam condenados a acabar, segundo o IPCC.

A ONG ambientalista WWF afirma que quase um terço dos recifes coralinos do mundo já se perderam, e que os que restam poderiam desaparecer antes da metade do século atual.

Estes ecossistemas únicos representam menos de 0,1% da superfície dos oceanos, e abrigam cerca de um quarto das espécies marinhas, inclusive peixes essenciais para o ser humano. 

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