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Noruega convida Onyx à embaixada, após ele dizer que país precisa aprender

Reprodução Facebook
Na imagem, Onyx Lorenzoni Imagem: Reprodução Facebook

Wanderley Preite Sobrinho e Bruno Aragaki

Do UOL, em São Paulo

2018-11-13T12:00:13

13/11/2018 12h00

O embaixador da Noruega no Brasil, Nils Martin Gunneng, respondeu nesta terça-feira (13) ao deputado federal e futuro ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que ontem afirmou que a Noruega precisa aprender com o Brasil sobre preservação ambiental. Por meio de sua conta no Twitter, Gunneng afirma ter orgulho da parceria de seu país com o Brasil e que os resultados são “impressionantes”.

Ontem, Onyx foi irônico em entrevista coletiva quando comparou as atuações dos dois países em relação à preservação do meio ambiente. "O que nós fizemos não vale nada, o que vale é a Noruega. E a floresta norueguesa, quanto eles preservaram? Só uma coisa importante que tem que ser lembrada: o Brasil preservou a Europa inteira territorialmente, toda a União Europeia, com as nossas matas, mais cinco Noruegas. Os noruegueses têm que aprender com os brasileiros, e não a gente aprender com eles."

Após a resposta irritada, o deputado encerrou a entrevista coletiva, dando as costas para as pessoas presentes e deixando o local de entrevista.

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Gunneng respondeu o futuro ministro pelo Twitter em três diferentes mensagens. Na primeira, reconhece que a Noruega “aprendeu muito a respeito de preservação ambiental com o Brasil”. “São 10 anos de parceria entre nossos países.”

O embaixador disse, em seguida, que “os resultados” da parceria por meio do Fundo Amazônia “são impressionantes para o mundo. Temos orgulho por ter contribuído”.

O diplomata também convidou Onyx para uma conversa. “Será um prazer receber o senhor em nossa embaixada para conversar sobre a floresta e outras áreas de cooperação.”

Reprodução/Twitter
Tuítes de Nils Martin Gunneng, embaixador da Noruega Imagem: Reprodução/Twitter
O acordo

Brasil e Noruega firmaram um acordo em 2009 para que o país europeu fosse um dos principais doadores do Fundo Amazônia. Até 2017, foram contabilizados mais de US$ 1,1 bilhão em doações. O acordo diz, entretanto, que os aportes são condicionados à redução de gases do efeito estufa e do desmatamento.

Em dezembro do ano passado, o Fundo Amazônia recebeu uma doação de R$ 139,3 milhões do governo norueguês e uma de R$ 139,3 milhões do Banco de Desenvolvimento da Alemanha. As verbas recebidas são geridas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e aplicadas na restauração de áreas desmatadas.

As doações vieram alguns meses após uma crise política entre os governos do Brasil e da Noruega. No final de junho do ano passado, receoso com o aumento do desmatamento na floreta amazônica (que atingiu 8.000 km² em 2016, pior número desde 2008), o governo norueguês anunciou um corte nos investimentos no Fundo Amazônia.

Meio ambiente

Ao ser questionado sobre quem vai comandar o Ministério do Meio Ambiente, Onyx respondeu: "Estamos debruçados, existem vários nomes, amanhã [nesta terça, 13] vamos conversar. Já temos uma linha".

O nome da atriz Maitê Proença chegou a ser cogitado para o posto, segundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo.

Lorenzoni disse que Bolsonaro "vai receber um pré-estudo sobre uma série de questões que há no Brasil". "Vocês lembram que ele mesmo falou na semana passada dos tais dos R$ 14 bilhões de multa. As ONGs nacionais e internacionais levam 40% desse dinheiro. Há agora R$ 1 bilhão que vai ser destinado a algumas ONGs brasileiras e internacionais. Então a gente está muito preocupado com isso. Porque, se a gente for olhar tecnicamente --isso ele vai ver amanhã [nesta terça]--, a média de conservação dos países que têm território semelhante ao nosso, das suas matas, é de 10%. O Brasil tem 31% de preservação das suas matas."

Ele foi então perguntado se a meta seria reduzida para 10%: "Claro que não, né, amigo? Seria uma irresponsabilidade escrever ou falar isso. Porque, primeiro, nós vamos preservar o Brasil. Agora, com altivez. Não dá para vir a ONG da Noruega ou lá da Holanda e vir aqui dizer o que é que a gente tem que fazer".

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