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Bolsonaro ironiza críticas sobre desmatamento: 'Sou o capitão motosserra'

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

06/08/2019 11h41Atualizada em 21/08/2019 00h07

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a questionar hoje, em São Paulo, a precisão de dados sobre o desmatamento da Amazônia, assim como a divulgação dos mesmos. As críticas fizeram parte de um discurso repleto de ironias por parte de Bolsonaro, mirando não só a questão do meio ambiente, mas também a imprensa e líderes estrangeiros.

Na semana passada, o governo decidiu exonerar Ricardo Galvão, que dirigia o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o órgão responsável por coletar dados de desmatamento, depois de um embate público entre ele e Bolsonaro sobre a qualidade e a publicidade das informações.

Hoje, Bolsonaro afirmou que "dados imprecisos" sobre desmatamento estão sendo divulgados, e ironizou a questão.

"Um número absurdo como aquele de que eu desmatei 88% da Amazônia. Eu sou o 'capitão motosserra'", disse o presidente, em tom de brincadeira. "[Se] divulga isso, é péssimo para a gente."

Em sua fala, o presidente distorceu o dado do Inpe, que apontou que o desmatamento na Amazônia avançou 88% em junho na comparação com o mesmo mês em 2018.
Bolsonaro deu as declarações em discurso no congresso da Fenabrave, entidade que representa o setor de concessionárias de veículos.

Crítica a terras indígenas e reservas

A menção ao desmatamento na Amazônia veio logo depois de Bolsonaro defender que questões como o licenciamento ambiental deveriam ser de responsabilidade dos estados, citando como exemplo o estado de Roraima, que estaria "inviabilizado" por reservas indígenas e áreas de preservação.

"Se eu fosse rei de Roraima, com tecnologia, em 20 anos teria uma economia próxima do Japão. Lá tem tudo. Mas 60% está inviabilizado por reservas indígenas e outras questões ambientais. Nós temos tudo para desenvolver essa região maravilhosa chamada Amazônia."

Em seguida, o presidente fez mais uma ironia, desta vez direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, e à chanceler alemã, Angela Merkel, que já demonstraram divergências públicas com Bolsonaro na questão do meio ambiente.

"Vocês não imaginam o prazer de conversar com Macron e Merkel. Eles não se deram conta de que o Brasil está sob nova direção."

Bolsonaro também reservou parte do discurso para criticar a imprensa, que em sua visão "faz política" em vez de "vender a verdade para o povo brasileiro".

O presidente aproveitou a menção a uma medida provisória que dá a empresas de capital aberto a possibilidade de publicar seus balanços no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ou no diário oficial, retirando a obrigação de divulgar os números em jornais, para alfinetar a imprensa mais uma vez.

"Espero que o 'Valor Econômico' sobreviva à medida provisória de ontem", disse, para risos da plateia.

Aplausos e afago do setor

Diante de uma plateia de 1.700 pessoas, segundo a organização do evento, Bolsonaro fez um discurso de cerca de 20 minutos e foi bastante aplaudido no fim.

O presidente usou a fala para retomar diversas bandeiras do governo. Voltou a defender, por exemplo, mudanças na legislação de trânsito, com a ampliação do limite de pontos na carteira de habilitação e o prazo estendido para renovação do documento. O projeto está no Congresso.

Bolsonaro também disse ter certeza de que a Reforma da Previdência será aprovada no Senado e afirmou, diante da plateia de empresários, que "a maior contribuição que podemos dar aos senhores é não interferir em seu trabalho".

Na mesma linha, o presidente foi aplaudido quando defendeu, mais uma vez, que é necessário escolher entre "todos os direitos e nenhum emprego" ou "menos direitos e mais emprego".

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