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Pesquisadores encontram óleo em corais e sedimentos no fundo do mar no RN

Parrachos têm manchas de óleo em Pirangi do Sul, no Rio Grande do Norte - Patrícia Eichler
Parrachos têm manchas de óleo em Pirangi do Sul, no Rio Grande do Norte Imagem: Patrícia Eichler

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

22/10/2019 18h59

Resumo da notícia

  • Pesquisadores acharam óleo em piscinas naturais de corais
  • Sedimento do fundo do mar também foi analisado e está comprometido
  • Ainda não há certeza de que é o mesmo material encontrado nas praias
  • Animais devem ser afetados na cadeia alimentar

Pesquisadores ligados à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) encontraram manchas de óleo em corais e em sedimentos marinhos nos parrachos de Pirangi do Sul, no litoral leste do estado.

Os parrachos são um conjunto de recifes de coral que formam piscinas naturais, com águas transparentes. A presença de óleo foi identificada em corais a três metros de profundidade. "Foram coletadas 30 amostras e em 28 delas havia indícios de óleo", diz a pesquisadora Patrícia Eichler, professora visitante de geologia na UFRN e da pós-graduação em ciências ambientais da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), que comandou o levantamento.

Coral com manchas de óleo em Pirangi do Sul - Patrícia Eichler
Coral com manchas de óleo em Pirangi do Sul
Imagem: Patrícia Eichler
A descoberta do óleo foi feita durante a visita da equipe do Laboratório de Geologia e Geofísica Marítima e Monitoramento Ambiental da UFRN no último dia 16. As amostras foram coletadas do estuário do rio Pium (berçário das espécies) a até 5 km mar adentro.

O óleo encontrado vai ser analisado quimicamente. Ainda não é possível afirmar que seja o mesmo que aparece na costa do Nordeste desde o dia 30 de agosto. Entretanto, Eichler afirma que visitou o local entre 2013 e 2014 e não havia qualquer vestígio do material.

Contaminação profunda

Segundo as amostras, havia a presença do óleo nas camadas superficial e interna do fundo dos corais. Para ela, o material pode impedir trocas gasosas e provocar alterações no pH essencial para a vida no local.

"Houve uma penetração nas camadas mais internas do solo marinho. O que isso acarreta é que não mata apenas a epifauna —que vive sob o fundo do mar—, mas também a infauna —que vive dentro do sedimento marinho a até a 10 cm [de profundidade]. É um impacto ambiental violento", explica ela.

Eichler conta que, ao entrar em contato com a água, o óleo libera ácido sulfídrico, aumentando a acidez do fundo marinho e prejudicando toda a cadeia ambiental.

Sedimentos marinhos analisados contêm óleo - Patrícia Eichler
Sedimentos marinhos analisados contêm óleo
Imagem: Patrícia Eichler

"Os consumidores primários são feitos com carbonato de cálcio. Em contato com o óleo, isso acidifica e é dissolvido. Ou seja, você tem uma dissolução dos consumidores primários e secundários da cadeia alimentar. Vai faltar alimento para camarão, caranguejo, peixe."

Outro problema é como o deve se comportar o mar após o desaparecimento das manchas. "Há uma tendência de 30% desse óleo derramado ir para o fundo do mar. O que cair no solo fará a acidez continuar alta por anos", diz a especialista.

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