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Estados criticam decreto de Bolsonaro e não admitem perder voz na Amazônia

Waldez Góes, governador do Amapá e presidente do Consórcio Interestadual dos Estados da Amazônia Legal - Mateus Bonomi - 20.nov.2019/Agif/Estadão Conteúdo
Waldez Góes, governador do Amapá e presidente do Consórcio Interestadual dos Estados da Amazônia Legal Imagem: Mateus Bonomi - 20.nov.2019/Agif/Estadão Conteúdo

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa (PR)

12/02/2020 17h18Atualizada em 12/02/2020 18h21

Resumo da notícia

  • Decreto de Bolsonaro deixou de fora de conselho governadores da Amazônia
  • Para governador do Amapá, é "inconcebível" debater a região sem seus líderes
  • Góes compara medida à crítica que Bolsonaro faz sobre ajuda de estrangeiros à região

O governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), considerou que "não tem como dar certo" as futuras medidas do novo Conselho Nacional da Amazônia Legal. Em decreto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) excluiu os governadores da região do órgão de assessoramento. Góes é presidente do Consórcio Interestadual dos Estados da Amazônia Legal.

Para ele, é importante que o governo federal escute os governos locais antes de tomar alguma medida que influencie na região. "Não admitimos qualquer debate e iniciativa de ação, de controle e alternativas sem a participação dos amazônidas. É inconcebível", diz.

O colegiado, que antes era vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, agora é comandado pela Vice-Presidência, além de outras 14 pastas, sem a presença dos nove governadores da Amazônia Legal.

"Olha, não tem como dar certo. Se não for criada uma metodologia que o conselho considere, prioritariamente, valorizar e escutar o conhecimento dos agentes locais da sociedade civil, não tem como dar certo. A construção deve ser coletiva e integrada", comentou.

O pedetista ainda considerou que, comparado ao decreto de criação do conselho em 1995, o vigente é um "retrocesso" e "inconcebível".

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Articulação

Os governadores que compõem Consórcio Interestadual da Amazônia Legal articulam alinhar um posicionamento para alguma medida prática a ser debatida no próximo fórum do colegiado regional, a ser realizado em março, em Belém.

"É lamentável, né? Se considerarmos o decreto de 1995, que garantia a participação dos governos, é um retrocesso muito grande, mas, sobretudo, lamentável", diz Góes.

O líder do fórum dos governadores da Amazônia ainda ressaltou que o ato do governo federal vai ao encontro do que o próprio presidente Jair Bolsonaro critica: a interferência externa em assuntos da Amazônia.

Quando é a comunidade internacional querendo ajudar, o governo federal questiona. Mas quando o governo federal quer pensar as estratégias para a Amazônia sem a nossa participação, está reforçando uma tese que ele mesmo critica
Waldez Góes, governador do Amapá e presidente do Consórcio Interestadual dos Estados da Amazônia Legal

"Esperamos sermos convidados. Está sendo mais Brasília e menos Amazônia", concluiu Góes.

Os membros do Conselho Nacional da Amazônia devem se reunir a cada três meses e serão divididos em comissões e subcomissões para tratar de temas específicos da região. O órgão de assessoramento ainda poderá convidar para as suas reuniões especialistas e representantes de órgãos ou entidades públicos ou privados nacionais ou internacionais.

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