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Meio Ambiente

Salles pede ajuda a outros países para Amazônia: 'Só crítica não adianta'

Do UOL, em São Paulo

03/12/2020 20h36

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu recursos de outros países para a preservação da região amazônica, durante live semanal realizada nas redes sociais ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em sua fala, Salles disse que as nações precisariam "pôr a mão no bolso" e que "só crítica de graça não adianta".

"Estamos abertos a cooperação com todos os países, mas essa cooperação tem que ser sempre em termos concretos. A gente até discute, ouve os discursos, mas tem que ter o recurso em cima da mesa. Colocar recursos para nos ajudar, quer dizer, só crítica de graça não adianta", ironizou ele. "A turma que diz que está disposta para colocar recursos, está aí a oportunidade", acrescentou, em seguida.

"Isso não quer dizer que nós estejamos contentes com isso, mas tem que trazer prosperidade para a região e muitos dos que nos criticam podem pôr a mão no bolso e colocar recursos para ajudar", concluiu.

Em agosto de 2019, o governo do presidente Jair Bolsonaro chegou a admitir que faltava dinheiro para combater as queimadas na região amazônica. Apesar dos contingenciamentos financeiros que estrangulavam as finanças do governo, o presidente impôs condições para aceitar a ajuda financeira do G7, o grupo dos sete países mais ricos do mundo.

Depois de a cúpula do governo afirmar que o Brasil recusaria os US$ 20 milhões (cerca de R$ 104 milhões) oferecidos pelo G7, Bolsonaro surgiu negando a recusa, mas condicionou o recebimento da verba à retirada de "insultos" do presidente francês, Emmanuel Macron, que disse que Bolsonaro mentiu ao assumir compromisso em defesa do ambiente na cúpula do G20.

E a ajuda de Biden?

No setembro, durante debate entre candidatos a presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden disse que poderia organizar US$ 20 bilhões (R$ 104,3 bilhões, na cotação) para a Amazônia junto a outros países.

Bolsonaro rebateu a fala do então candidato citando uma cobiça de outros países pela Amazônia e que não aceitaria "subornos".

"A cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade. Contudo, a externação por alguém que disputa o comando de seu país sinaliza claramente abrir mão de uma convivência cordial e profícua. Custo entender, como chefe de Estado que reabriu plenamente a sua diplomacia com os Estados Unidos, depois de décadas de governos hostis, tão desastrosa e gratuita declaração", escreveu ele, na ocasião.

Enquanto isso...

O desmatamento na floresta amazônica brasileira aumentou 9,5% em relação ao ano anterior, atingindo 11.088 km², segundo dados divulgados no início da semana pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em São José dos Campos, interior de São Paulo. O índice é o pior registrado desde 2008, quando o pico atingido foi de 12.911 km².

A informação coletada pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) leva em consideração o desmate ocorrido entre agosto de um ano a julho do ano seguinte; neste caso, entre agosto de 2019 e agosto de 2020. Pela primeira vez o período analisado pelo sistema abrange exclusivamente o governo de Jair Bolsonaro.

Os dados coletados pelo Prodes foram divulgados em cerimônia que contou com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), coordenador do Conselho da Amazônia, e do ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovação). De acordo com Mourão, a maior parte do desmatamento se concentra em quatro estados: Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia.

"É importante destacar que 45% desse desmatamento ocorre em áreas já consolidadas, propriedades já consolidadas, e 30% — esse é o nosso maior problema, deixo claro — estão ocorrendo em áreas públicas, aquelas terras que não foram entregues para ninguém, nem unidade de conservação, nem terra indígena e nem colocadas na mão de particulares. Isso configura a mais flagrante de todas as ilegalidades", declarou o vice-presidente.

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