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Desmatamento na Amazônia quase dobra e bate recorde para abril

Vista aérea de desmatamento na Amazônia para expansão da pecuária, em Lábrea (AM) - Victor Moriyama/Amazônia em Chamas
Vista aérea de desmatamento na Amazônia para expansão da pecuária, em Lábrea (AM) Imagem: Victor Moriyama/Amazônia em Chamas

Do UOL*, em São Paulo

06/05/2022 09h31Atualizada em 06/05/2022 12h28

A área desmatada na Amazônia chegou a 1.012 km² em abril, um recorde para o mês, de acordo com dados do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A área é quase o dobro do maior número registrado até então, no ano passado (580 km²).

De acordo com o Observatório do Clima, rede de organizações que monitoram temas ambientais, essa é a primeira vez a marca de 1.000 km² é ultrapassada em abril — último mês da época de chuvas na Amazônia, quando o desmatamento é historicamente inferior.

Desmatamento na Amazônia em abril, segundo dados do Deter:

  • 2016: 439,32 km²
  • 2017: 126,85 km²
  • 2018: 489,52 km²
  • 2019: 247,39 km²
  • 2020: 407,2 km²
  • 2021: 579,98 km²
  • 2022: 1.012,5 km²

O Observatório do Clima ressalta ainda que o dado de abril ainda não é final e se refere apenas a 29 dias — logo, o número será ainda maior.

"Desde agosto passado, os alertas vêm batendo recordes: em outubro, janeiro, fevereiro e agora em abril", destaca a organização.

Desde o início do ano, 1.954 km² foram desmatados, quase o dobro dos primeiros quatro meses de 2021 (1.153 km²).

Os dados oficiais de desmatamento são medidos pelo sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônia Brasileira por Satélite), do Inpe, e divulgados apenas no fim do ano. Os alertas do Deter são menos precisos, mas "ajudam a projetar o tamanho do problema", segundo o Observatório do Clima.

Críticas ao governo Bolsonaro

Para o secretário-executivo da entidade, Marcio Astrini, o recorde pode ser atribuído ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

As causas desse recorde têm nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. O ecocida-em-chefe do Brasil triunfou em transformar a Amazônia num território sem lei, e o desmatamento será o que os grileiros quiserem que seja.
Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima

"O próximo presidente terá uma dificuldade extrema de reverter esse quadro, porque o crime nunca esteve tão à vontade na região como agora."

A responsável científica da WWF Brasil, Maria Napolitano, também lamentou o dado."Esse número é extremamente alto para este período, mostra a imensa pressão sobre a floresta este ano".

Um estudo publicado nesta semana pelo coletivo de ONGs e universidades MapBiomas mostrou que, desde que Bolsonaro chegou ao poder, em janeiro de 2019, os órgãos governamentais de proteção ambiental não fiscalizaram 194.964 dos 199.520 alertas de desmatamento no Brasil recebidos por eles desde 2019, aproximadamente 97% dos casos.

O STF (Supremo Tribunal Federal) analisa duas ações que discutem se o governo Bolsonaro é omisso em relação ao desmatamento. Entretanto, o julgamento foi suspenso no mês passado após o ministro André Mendonça pedir mais tempo para estudar os processos, e ainda não tem data para ser retomado.

Mourão diz que questão climática está em 'banho-maria'

Presidente do Conselho da Amazônia, o vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos), afirmou nesta semana que a "questão da mudança climática entrou em banho-maria" por causa da guerra na Ucrânia.

"Essa questão da mudança climática entrou em banho-maria por conflito na Europa. A questão energética na Europa está um problema sério para eles. O grande ponto de eles fazerem frente aos objetivos é a transição energética, eles vão ter problema nisso aí", declarou.

Mourão chefia o conselho após pressão da comunidade internacional por soluções para o desmatamento na Amazônia.

*Com informações da AFP e Estadão Conteúdo

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