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Líder do partido das Farc nega relação com garimpo ilegal na Venezuela

Gabriel Angél afirmou que paramilitares são responsáveis por ações criminosas na Amazônia - Arquivo pessoal
Gabriel Angél afirmou que paramilitares são responsáveis por ações criminosas na Amazônia Imagem: Arquivo pessoal

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

19/06/2022 04h09Atualizada em 19/06/2022 10h38

O dirigente do Partido Comunes, sucessor das antigas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e depois Força Alternativa Revolucionário dos Comuns, Gabriel Angél, afirmou ao UOL que sua legenda não tem relação com a atuação criminal de ex-guerrilheiros que atuam na Venezuela em parceria com garimpeiros brasileiros.

"O Partido Comunes é uma organização política nascida dos acordos de paz", afirmou Angél, em mensagem enviada à reportagem. Ele disse não ter condições de informar sobre as atividades de garimpo ilegal, mas afirmou ter conhecimento do envolvimento de dissidentes em assassinatos.

"Esses grupos têm sido responsáveis pelos assassinatos de boa parre dos reincorporados à vida legal depois do acordo de paz, os que militam no Comunes", afirmou Angél à reportagem. "Alguns dirigentes e militantes do nosso partido têm sido ameaçados de morte por esses grupos."

Segundo o doutor em relações institucionais pela PUC de Minas Gerais Christian Ávila — que tem estudo sobre a atuação dos ex-guerilheiros das Farc, inclusive com garimpo ilegal —, há dois grupos paramilitares em atuação hoje. Um deles era liderado por Gentil Duarte, morto há poucas semanas. Seu grupo chama-se "Farc-EP", de acordo com Gabriel Angél.

O outro grupo, intitulado "Segunda Marquetalia Farc-EP", é comando por por Iván Märquez, informou Angél. O UOL não localizou os dissidentes das Farc que atuam em conjunto com garimpeiros brasileiros na exploração ilegal de ouro e de outros minérios na Amazônia, inclusive na Venezuela.

Para Angél, ambos são "grupos armados sem nenhum norte político claro" envolvidos em crimes.

"Esses grupos têm unidades operando em algumas regiões do nosso país, e que, ao que parece, também atuam em alguns estados fronteiriços da Venezuela com a Colômbia." Em Puerto Ayacucho, no estado do Amazonas da Venezuela, por exemplo, há muitos garimpeiros brasileiros, informou Christian Vianna, que é pesquisador e policial federal.

"Esses personagens operam na clandestinidade", disse.

Em 2017, as Farc deixaram as armas e entraram oficialmente na política, com o partido hoje chamado Comunes, o antigo Fuerza Alternativa Revolucionaria del Común.

A Colômbia vai decidir quem será seu próximo presidente num segundo turno neste mês. Os dois candidatos tiveram alguma relação com a guerrilha no passado. Um é o senador Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro do M-19 que também aderiu ao acordo de paz. O outro é Rodolfo Hernández, engenheiro e ex-prefeito que teve uma filha morta pela guerrilha ELN (Exército de Liberatação Nacional) e o pai sequestrado pelas Farc.

Onde fica a Serra da Parima - Reprodução/Google Earth/Arte UOL - Reprodução/Google Earth/Arte UOL
Imagem: Reprodução/Google Earth/Arte UOL

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