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EUA: Biden lidera em 6 estados decisivos para vencer no Colégio Eleitoral

Candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden - JOSHUA ROBERTS
Candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden Imagem: JOSHUA ROBERTS
Kennedy Alencar

Kennedy Alencar

Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na Folha de S.Paulo, onde foi redator, repórter, editor da coluna "Painel' e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro "Kosovo, a Guerra dos Covardes" (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas "É Notícia' e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário "What Happened to Brazil", realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada "Brasil em Transe", o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

25/06/2020 16h35

Para ser eleito presidente dos Estados Unidos, não basta vencer no voto popular nacionalmente. Também é preciso ganhar a eleição em estados decisivos para formar maioria no Colégio Eleitoral.

Quando um candidato vence num estado, ele arrasta todos os delegados. Não há divisão proporcional aos votos obtidos por cada postulante. Essa peculiaridade dá mais peso político a alguns Estados nos quais democratas e republicanos têm tido disputas mais apertadas nas últimas duas décadas.

Joe Biden apresenta hoje uma liderança folgada em seis estados fundamentais no Colégio Eleitoral nos quais o presidente Donald Trump derrotou a democrata Hillary Clinton em 2016: Michigan, Wisconsin, Pensilvânia, Flórida, Arizona e Carolina do Norte.

O Colégio Eleitoral tem 538 delegados. Esse número é a soma das cadeiras de senador (100), de deputados federais (435) e dos três representantes do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital norte-americana. Para ser eleito, é necessário alcançar, no mínimo, 270 votos (maioria absoluta).

Segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo jornal "The New York Times" em parceria com a faculdade Siena, a dianteira de Biden no Michigan é de 11 pontos percentuais. O democrata teria 47% contra 36% do republicano. O Michigan possui 16 representantes no Colégio Eleitoral.

No Wisconsin, Estado visitado nesta quinta-feira por Trump, o placar é de 49% a 38% a favor de Biden (diferença de 11 pontos percentuais). Há 10 vagas para o Wisconsin no Colégio Eleitoral.

Na Pensilvânia, a vantagem de Biden é de 10 pontos percentuais (50% a 40%). Esse estado tem 20 assentos no Colégio Eleitoral.

Na Flórida, com 29 delegados no Colégio Eleitoral, Biden bate Trump por 47% a 41% —6 pontos percentuais.

No Arizona, onde Trump fez comício na terça-feira, Biden marca 48% contra 41% do republicano (7 pontos percentuais de diferença). O Arizona conta com 11 representantes no Colégio Eleitoral.

Na Carolina do Norte, que detém 15 vagas no Colégio Eleitoral, a dianteira de Biden é de 9 pontos percentuais —49% a 40%, sempre levando em conta a pesquisa do jornal "The New York Times" e da faculdade Siena, de Nova York.

Se vencer nesses seis Estados e também em todos aqueles em que Hillary derrotou Trump em 2016, Biden poderia garantir 333, pelo menos, votos no Colégio Eleitoral.

Modelo criticado

Nos EUA, os Estados considerados "campos de batalha" são aqueles que registram vitórias apertadas ou surpreendentes para republicanos e democratas nas eleições presidenciais desde o ano 2000. Há estados majoritariamente democratas, como a Califórnia, e republicanos, como as Dakotas do Sul e do Norte.

Quando um candidato vence a eleição presidencial no estado, ele arrasta todos os delegados. Não há divisão proporcional, como acontece nas primárias que escolhem os delegados para as convenções nacionais dos partidos Republicano e Democrata.

Por exemplo, em 2016, Trump derrotou Hillary no Michigan por apenas 0,23% dos votos. Ele teve 47,5% contra 47,27% dela e levou todos os delegados do Estado no Colégio Eleitoral. Em Wisconsin, Trump conseguiu 47,22% contra 46,45% de Hillary e obteve todos os dez delegados do Estado com vantagem de 0,77 ponto percentual.

O sistema de Colégio Eleitoral foi pensado pelos chamados "pais fundadores" dos EUA no século 18 para evitar que um candidato populista conquistasse a Presidência numa votação nacional. Esse modelo tem sofrido severas críticas nos últimos anos, especialmente devido à eleição do populista Trump. A vitória dele em 2016 enfraqueceu o argumento dos fundadores de que o Colégio Eleitoral poderia evitar aventuras políticas.

Trump perdeu para Hillary Clinton no voto popular, mas ganhou a maioria no Colégio Eleitoral ao vencer em Estados decisivos há quatro anos. Na contagem nacional dos votos, a democrata teve 48,2% contra 46,1% do republicano.

No voto nacional da pesquisa NYT/Siena, Biden tem 14 pontos de vantagem sobre Trump, com placar de 50% a 36%.

Média das pesquisas

Nos EUA, é comum usar a média das pesquisas nacionais como termômetro da disputa. O prestigiado site "FiveThirtyEight" (538 em inglês) aponta uma vantagem média de 10 pontos percentuais para Biden sobre Trump no voto nacional.

Como votar não é obrigatório nos EUA, é preciso que a pesquisa contabilize a intenção de voto de quem realmente planeja comparecer às urnas ou enviar a sua cédula pelo correio.

Nesta quinta-feira, o "FiveThirtyEight" publicou que a vantagem de Biden é histórica, mas lembrou que outros candidatos tiveram dianteira semelhante em eleições passadas e acabaram perdendo, como o democrata Michel Dukakis em 1988 e o republicano George Bush em 1992.

Bush "pai" venceu Dukakis em 1988, mas perdeu para Bill Clinton em 1992.

O próprio Trump aparecia em desvantagem nas pesquisas em relação a Hillary Clinton em 2016. Biden está em melhor situação do Hillary. Ela teve no máximo 7,5 pontos percentuais de dianteira sobre Trump em 2016.

Faltam pouco mais de quatro meses para a eleição presidencial de 3 de novembro. Obviamente, o jogo não está jogado, mas também é fato que o cenário atual é diferente de quatro anos atrás, quando o novato Trump surpreendeu o país com uma vitória que parecia impossível.

Em 2020, existe um governo real a ser avaliado. Trump tem sido um mau gestor da crise de coronavírus, continua exercendo uma liderança irresponsável do ponto de vista sanitário ao fazer comícios sem máscara no meio da pandemia e respondeu mal aos protestos contra a violência policial e o racismo estrutural dos Estados Unidos. Essa sequência de equívocos derrubou a sua popularidade.

As condições políticas estão se deteriorando para o republicano, que dobrou a aposta na bem-sucedida estratégia agressiva, divisionista e populista de 2016. Os erros que Trump vem cometendo podem levá-lo a entrar para a história como mais um raro presidente de um mandato só nos Estados Unidos.