Doria usa Bolsonaro, mas não atrai deputados do PSL da bancada da bala

Guilherme Mazieiro e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Maycon Soldan/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    "BolsoDoria", promovido por Doria no 2º turno, não decolou entre deputados do PSL

    "BolsoDoria", promovido por Doria no 2º turno, não decolou entre deputados do PSL

A partir de 2019, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) terá 11 deputados estaduais que são integrantes de forças de segurança. Desses, há policiais militares e civis, militares das Forças Armadas e até um agente federal. Trata-se da chamada "bancada da bala". A maioria --seis-- é do PSL, o partido que terá a maior bancada e que deverá ser o "fiel da balança" ao novo governador.

Levantamento feito pelo UOL através de entrevistas aponta que, dos deputados estaduais eleitos pelo PSL, nenhum declara voto ao candidato João Doria (PSDB). Dois apoiam Márcio França (PSB), um não respondeu à reportagem e três deles afirmam que se manterão neutros no segundo turno da disputa, a ser realizado no próximo domingo (28).

Tanto Doria quanto França tentam conquistar o eleitorado paulista, desde o primeiro turno, com a segurança pública como a principal vitrine, na esteira do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que propõe maior rigidez contra o crime e apoio aos policiais e aos militares.

Ambas as candidaturas, inclusive, já fizeram aceno ao capitão reformado do Exército. Doria declarou voto ao candidato logo após a definição do segundo turno e adotou o slogan "BolsoDoria". Já França deixou a missão para sua vice, a coronel Eliane Nikoluk (PR), que declarou voto em Bolsonaro, e conta com o apoio do presidente do PSL em São Paulo, o senador eleito Major Olimpio, por ele ser avesso ao PSDB.

Reprodução/Facebook/Flavio Bolsonaro
Doria e França duelam paralelamente para conquistar eleitor de Bolsonaro

Além dos seis deputados eleitos do PSL, há três do PP (que integra a coligação de Doria), um do Avante e uma delegada do PR (a única mulher) da bancada da bala da Alesp a partir do ano que vem. Dos 11, apenas os três do PP declararam apoiar Doria. Dois do PSL e um do Avante estão ao lado de França.

Os aliados de Doria são os pepistas Conte Lopes, Coronel Telhada e Delegado Olim, os três já com trajetória anterior como políticos. Telhada, inclusive, era integrante do PSDB e deixou o partido por se colocar contra o então governador Geraldo Alckmin, presidente nacional do partido. Agora, apoia Doria.

"Meu partido está apoiando o Doria, e eu apoio o Bolsonaro desde o princípio da campanha. Portanto, desse entendimento, estou apoiando o Doria", afirmou Telhada. Conte Lopes também creditou o apoio à coligação. "E acredito que seja melhor para a área da segurança pública, uma vez que o Márcio França manteve o mesmo secretário de segurança pública do governo Geraldo Alckmin", disse.

Luís Adorno/UOL
15.out.2018 - Apesar de apoiar Doria, Telhada sorriu ao lado de França em ato na Rota

Delegado Olim, um dos principais nomes do PP atualmente, está com Doria desde o início da campanha, em abril. Pouco antes, chegou a se reunir e jantar no Palácio dos Bandeirantes com França. À época, chegou-se a ventilar que ele seria o candidato a vice do pessebista. Pouco antes do início da campanha, no entanto, Olim decidiu apoiar Doria.

Já os três que apoiam França afirmam ter motivações diferentes. Major Mecca (PSL) disse estar "propenso" a apoiar o ex-prefeito de São Vicente por causa de sua candidata a vice, a coronel Nikoluk. O deputado eleito afirmou considerar a colega de farda "um ser humano incrível, verdadeiramente comprometida em melhorar a vida das pessoas".

Em uma linha semelhante, o Coronel Nishikawa (PSL) declarou que deu um "voto de confiança" ao França, após pedido feito pela coronel Nikoluk. "É nossa amiga e conhecemos o caráter dela. O que foi combinado é que se eleito, ele [França] vai se alinhas às nossas pautas voltadas para segurança, como valorização dos policiais civis e militares e melhoria de equipamentos", disse.

Sargento Neri (Avante) segue os mesmos motivos que fizeram Major Olimpio apoiar o governador que tenta a reeleição. "Pela incompetência do PSDB para a segurança pública. Eu e o Olimpio fizemos campanha contra o Alckmin desde 2014. Trabalhei toda a gestão do PSDB na Polícia Militar e posso falar com propriedade sobre a incompetência do partido", disse.

Outros três deputados eleitos pelo PSL -- um delegado da Polícia Civil, um tenente do Exército e um tenente da PM -- afirmaram à reportagem não apoiar nem um, nem outro candidato.

"Por enquanto, estamos neutros. Seguimos a recomendação partidária quanto a neutralidade", afirmou o Tenente Coimbra. "Não falei com nenhum candidato a governador e ninguém me procurou também", complementou o Delegado Bruno Lima.

Procurada, a campanha de João Doria afirmou que a "diversidade de posicionamento dos deputados faz parte da democracia e deve ser respeitada. É importante ressaltar que Jair Bolsonaro, maior liderança do PSL, já declarou que compartilha com João Doria a mesma postura de combate ao PT, partido de esquerda que veladamente apoia Márcio França. Bolsonaro inclusive chegou a desejar boa sorte a Doria". Oficialmente, Bolsonaro não anunciou apoio a qualquer um dos candidatos em São Paulo, assim como o PT.

Adriana Spaca/Framephoto/Estadão Conteúdo
Quatro deputados da bancada da bala não apoiam nem França, nem Doria

Quem (da bancada da bala) apoia quem:

Márcio França:

  • Coronel Nishikawa (PSL)
  • Major Mecca (PSL)
  • Sargento Neri (Avante)

João Doria:

  • Conte Lopes (PP)
  • Coronel Telhada (PP)
  • Delegado Olim (PP)

Nem um, nem outro:

  • Delegado Bruno Lima (PSL)
  • Tenente Coimbra (PSL)
  • Tenente Nascimento (PSL)

Não se manifestaram:

  • Agente Federal Danilo Balas (PSL)
  • Delegada Graciela (PR)

O que propõem para a segurança de São Paulo
Adriano Vizoni/Folhapress

Apesar de ser o berço da maior facção criminosa do país, o PCC (Primeiro Comando da Capital), São Paulo registra a menor taxa de homicídios do país --em contraposição ao crescente no número de mortes violentas em outras regiões. Doria e França têm propostas para manter a taxa de homicídios deixada por Geraldo Alckmin.

Em seu plano de governo, Doria tem como principal promessa a criação de 17 BAEP's (Batalhões de Ações Especiais) no interior. "É uma força policial da PM no padrão Rota. E com a Rota não se brinca", diz o candidato. O tucano afirma querer "repetir o sucesso obtido na redução dos homicídios e sequestros no combate ao crime organizado", além de valorizar as polícias e aumentar o número de vagas no sistema penitenciário.

França tem propostas semelhantes, segundo seu plano de governo. Entre as promessas, estão o investimento e a criação de um plano de metas de redução de crimes. Também promete a criação de CDPs (Centros de Detenção Provisório) e de presídios para o regime semiaberto --em que os condenados têm o direito a saídas temporárias, por exemplo.

Os dois não destacam a alta taxa de mortes em decorrência de ações policiais, que subiu 96% na gestão Alckmin e que bateu recorde ao fim de 2017, quando 939 pessoas foram mortas pela polícia. No ano passado, em contraponto, 60 policiais foram assassinados --trata-se do menor número já registrado pela SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Doria tem 53%, e França, 47%, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira (18), mostra que João Doria tem 53% das intenções de votos válidos válidos, que desconsidera os nulos, brancos e indecisos. O governador Márcio França tem 47% das intenções. A margem percentual é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Foram ouvidas pelo instituto de pesquisa 2.356 pessoas em 73 municípios entre quarta (17) e quinta-feira. Se considerados os votos totais, Doria tem 44%, e França, 40%. Outros 9% dos eleitores entrevistaram afirmaram que devem votar nulo. E 7% disseram estar indecisos.

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