Topo

Fernando Baiano, Cerveró e mais três permanecem calados na CPI da Petrobras

Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo
Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da Petrobras Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Bruna Borges

Do UOL, em Curitiba

2015-05-11T15:36:31

2015-05-11T17:59:21

11/05/2015 15h36Atualizada em 11/05/2015 17h59

O ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, os empresários Mário Góes, Fernando Soares -- conhecido como Fernando Baiano --, Adir Assad e Guilherme Esteves optaram por permanecer em silêncio durante audiência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras desta segunda-feira (11), em Curitiba.

Os deputados estão no Paraná para coletar depoimentos dos presos pela operação Lava Jato. Todos os depoentes declararam que ficariam em silêncio por orientação de suas defesas.

De acordo com as investigações, Cerveró seria um apadrinhado pelo PMDB e também teria participado do esquema. Apesar do silêncio, o ex-diretor Internacional declarou que foi "execrado" após retornar ao país para ser preso por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na estatal.

“Eu estava de férias na Inglaterra e fui preso e execrado porque voltei ao Brasil para enfrentar as acusações, confiando na Justiça. Eu tenho passaporte espanhol. Se eu não tivesse confiança na Justiça e na realidade dos fatos, eu poderia muito bem ter permanecido na Espanha. Mas eu voltei na certeza de que a verdade vai prevalecer", afirmou Cerveró.

Cerveró já depôs em outras ocasiões quando foi convocado pela Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados e pela CPMI (comissão com deputados e senadores) da Petrobras no ano passado.

"Nunca me recusei a comparecer. Sempre nos colocamos à disposição da Justiça federal, do Congresso e dos órgãos envolvidos no assunto. [...] Agora estou preso aguardando posição do STF sobre o absurdo desse encarceramento. Não perdi meus direitos nem mesmo o de ser assistido por advogado. Então, por orientação do meu advogado, deixo momentaneamente de me pronunciar. Não há motivo para eu estar em prisão”, declarou Cerveró.

Góes e Baiano são apontados pelo Ministério Público como operadores do esquema de pagamento de propina. O ex-gerente de Serviços da Petrobras --que era ligado ao PT-- Pedro Barusco disse, em delação premiada, que Góes atuava em nome de várias empresas contratadas pela estatal e recebia propina que eram repassadas aos diretores da petrolífera envolvidos na corrupção. Já Baiano é apontado como operador do PMDB.

Esteves é investigado por lavagem de dinheiro de propinas pagas pelo estaleiro Jurong e destinadas ao ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e ao ex-diretor da estatal Renato Duque ao PT e a funcionários da Sete Brasil. Ele também foi denunciado pelo Ministério Público por tentar destruir provas dos crimes investigados pela Lava Jato. De acordo com a denúncia, quando a Polícia Federal cumpria busca e apreensão na casa de Esteves, sua mulher, Lilia, após responder aos policiais pelo interfone, atrasou a entrada dos policiais afirmando que prenderia os cachorros. Em seguida, juntamente com seu marido, reuniu itens de prova e dinheiro de interesse para a investigação e fugiu pela porta dos fundos. Toda a cena foi gravada em circuitos internos de monitoramento.

Assad é apontado pelos investigadores como operador da Delta no esquema de propina. Segundo a Polícia Federal, as empresas de fachada controladas por ele foram utilizadas pela organização criminosa a atuar na Petrobras para realizar o pagamento de propina nas obras da Repar, a refinaria de Araucárias, no Paraná.

Iara Galdino

A empresária Iara Galdino, também convocada pela CPI, foi a única depoente que resolveu falar na audiência de hoje além do doleiro Alberto Youssef. Ela declarou não conhecer o esquema de corrupção na Petrobras. Ela admitiu que abriu empresas de fachada que eram usadas para ações ilícitas de câmbio,  mas alegou que não conhecia os clientes da operação de lavagem de dinheiro nem era a responsável pelas remessas de dinheiro ao exterior. 

Iara já foi condenada a onze anos e nove nesses de prisão por evasão de divisas, por operar instituição financeira irregular, corrupção ativa e pertinência à organização.

À CPI ela disse que trabalhava como um "braço" de atuação de Luccas Pace Júnior, que também condenado por evasão de divisas, por operar instituição financeira irregular e pertinência a organização criminosa. Ele foi condenado, a quatro anos anos, dois meses e 15 dias de prisão, mas fez acordo de delação premiada e, por essa razão, teve a pena reduzida pela metade.

Iara afirmou que a delação de Pace é "mentirosa", pois ele atribuiu diversos crimes dele à ela relacionados a operações irregulares de câmbio.

"Eu não entendo de câmbio. Meus advogados entraram com apelação e o Lucas não tem provas do que ele falou, ele tem 25 anos no mercado de câmbio", declarou Iara.

Ela disse ainda que está presa por causa de grampo telefônico, mas que pode provar que Pace mentiu porque com ele  conversava pelo Skype e eu nunca apago histórico.

"Eu não considerava que era ação criminosa, quando comecei achei q era comércio exterior, nunca pensei que envolvia políticos ou a Petrobras", disse.

A operadora disse também que foi condenada com base em 91 contratos fraudulentos que têm assinaturas forjadas. E que seu advogado entrou com uma apelação contra a condenção por usar essas provas.

 

Mais Política