Preso, Delcídio presidiu CPI que embasou denúncia do mensalão

Do UOL, em São Paulo

  • Douglas Pereira/UOL

    Delcídio do Amaral (PT-MS) foi preso pela Polícia Federal por tentar conturbar as investigações da Operação Lava Jato

    Delcídio do Amaral (PT-MS) foi preso pela Polícia Federal por tentar conturbar as investigações da Operação Lava Jato

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), 60, é o atual líder do governo no Senado. Ele foi preso em Brasília pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (25) por tentar conturbar as investigações da Operação Lava Jato, tornando-se o primeiro senador em exercício preso desde a Constituição de 1988.

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos da Casa, Amaral já tentou duas vezes ser governador de Mato Grosso do Sul. Em 2006, perdeu no primeiro turno.

No ano passado, foi o candidato mais votado na primeira fase das eleições, com 567.331 votos (43% do total), mas acabou derrotado no segundo turno por Reinaldo Azambuja (PSDB-MS). O senador teve 598.461 votos (45%) contra 741.516 votos (55%) recebidos pelo governador eleito.

Nas eleições de 2014, o senador declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 3,4 milhões em bens, entre veículos, imóveis e lotes de terra, e ter recebido R$ 24,6 milhões em doações.

No pleito de 2010, quando foi reeleito senador, o parlamentar recebeu doações de duas empresas do lobista Julio Gerin Camargo, apontado como operador de propinas no esquema revelado pela Operação Lava Jato.

Em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, blogueiro do UOL, Amaral afirmou que o lobista é seu amigo e que "foi uma doação legal".

Ministro de Minas e Energia e diretor da Petrobras

Formado em engenharia elétrica, antes de entrar para a política o senador foi diretor da Shell na Holanda, membro do Conselho de Administração da Companhia Vale do Rio Doce e diretor da Eletrosul no começo da década de 90.

Também foi ministro de Minas e Energia por nove meses durante o governo do presidente Itamar Franco. Em 1998, filiou-se ao PSDB. O parlamentar exerceu ainda o cargo de diretor de gás e energia da Petrobras de 2000 a 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando eclodiu a "crise do apagão".

Em 2001, migrou para o PT, sendo eleito senador pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2010.

Em 2005, o senador presidiu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Correios, que inicialmente investigou denúncias de corrupção na estatal e culminou com a descoberta do esquema do mensalão.

Operação Lava Jato

O nome de Delcídio do Amaral foi citado durante as investigações da Operação Lava Jato. Em delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto disse ter ouvido dizer que, quando Delcídio era diretor de gás e energia da estatal, ele teria recebido valores supostamente ilícitos da empresa francesa Alstom.

Em parecer enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em março deste ano, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, considerou como "muito vagas" as declarações de Costa e recomendou não dar prosseguimento a uma investigação formal contra o petista.

O ministro Teori Zavascki, relator dos casos da Lava Jato no STF, concordou com a posição do Ministério Público de arquivar as apurações contra Delcídio. (Com Estadão Conteúdo)

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