Veja os embates entre Eduardo Cunha e Rodrigo Janot sobre a Lava Jato

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Rodrigo Janot (à esq.) participou de sessão no STF ao lado de Cunha em fevereiro

    Rodrigo Janot (à esq.) participou de sessão no STF ao lado de Cunha em fevereiro

Nesta quarta-feira (2), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enfrenta no STF (Supremo Tribunal Federal) um de seus principais antagonistas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O Supremo decide hoje se aceita a denúncia da Procuradoria e abre um processo criminal contra Cunha pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O julgamento ocorre horas depois de Cunha ser derrotado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que aprovou, já na madrugada de hoje, o parecer prévio pela continuidade do processo por quebra de decoro parlamentar.

A ação no STF, assinada por Janot, acusa o deputado de ter recebido US$ 5 milhões em propina ligada ao esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. O peemedebista nega e diz que não há provas de que ele tenha de fato recebido o dinheiro.

Em campos opostos desde que foi tornada pública a existência de uma investigação contra Cunha no âmbito da Lava Jato, o peemedebista e o chefe do Ministério Público protagonizaram indelicadezas e até ofensas públicas.

Na mais recente, Janot não citou Cunha ao cumprimentar, uma a uma, as autoridades presentes na sessão de abertura do ano Legislativo no STF, no início de fevereiro.

Em um discurso duro, no qual fez um balanço da Lava Jato, o procurador afirmou que não compactua com "interesse velado" ou "autoritarismo".

Cunha acusa Janot de agir em sintonia com os interesses do Planalto, enquanto o PGR já classificou o deputado como "agressivo".

A afirmação foi feita na manifestação da Procuradoria ao Supremo para que a denúncia contra Cunha seja aceita.

Sempre se mostrou (...) extremamente agressivo e dado a retaliações a todos aqueles que se colocam em seu caminho a contrariar seus interesses

Rodrigo Janot, procurador-geral

'Perseguição política'

Cunha subiu o tom das críticas à atuação da Procuradoria em outubro, após reportagens na imprensa revelarem que documentos pessoais ligavam ele e seus familiares a contas na Suíça, fato negado meses antes pelo deputado em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras.

Em nota divulgada na mesma tarde que em reportagem da TV Globo mostrou cópias dos documentos de abertura das contas, o presidente da Câmara atribuiu a divulgação dos papéis a vazamentos estimulados por "perseguição política" promovida por Janot.

[Há] estratégia ardilosa adotada pelo procurador-geral da República de vazar maciçamente supostos trechos de investigação e movimentações financeiras, atribuídas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com o único objetivo de desestabilizar sua gestão e atingir sua imagem de homem público

Eduardo Cunha, em nota

No final de dezembro, Janot voltou à ofensiva ao pedir que o STF determinasse o afastamento de Cunha do mandato e, consequentemente, da Presidência da Câmara. No pedido, o procurador acusa o deputado de usar o cargo para interesse próprio e com "fins ilícitos" de tentar "constranger e intimidar" parlamentares e réus em processos judiciais nos quais ele é investigado.

Na justificativa do pedido ao Supremo, Janot classificou o deputado como "delinquente", disse que ele transformou a Câmara em um "balcão de negócios" e fez uma "utilização criminosa das prerrogativas parlamentares".

Está já demonstrado que a utilização da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados para pressionar Júlio Camargo não foi algo episódico, mas sim apenas mais uma conduta ilícita para proteção dos delinquentes envolvidos nos fatos, inclusive do próprio deputado federal Eduardo Cunha

Rodrigo Janot, procurador-geral

A resposta de Cunha veio no mesmo dia, em entrevista a jornalistas no Salão Verde da Câmara na qual disse que o pedido seria uma "cortina de fumaça" com o objetivo de "desviar o foco" da tramitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), aberto dias antes pelo presidente da Câmara.

No dia seguinte, o peemedebista foi mais incisivo em nova entrevista e acusou Janot de agir de acordo com os interesses da presidente Dilma.

O procurador-geral da República está funcionando mais como advogado do Planalto do que como procurador-geral da República

Eduardo Cunha

No julgamento dessa quarta-feira, marcado para começar às 14h, o procurador e o presidente da Câmara, por meio de seus advogados, voltam a se enfrentar.

Antes de os ministros do STF votarem, Janot terá direito à palavra, seguido pelos defensores de Cunha.

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