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'Faz-tudo' de Cunha é apontado como recebedor de propina da JBS

Divulgação
Altair Alves Pinto, ex-assessor da Alerj Imagem: Divulgação

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

17/05/2017 23h28Atualizada em 18/05/2017 21h55

Apontado pelo dono da JBS, Joesley Batista, como a pessoa que recebia propina em nome de Eduardo Cunha, o ex-funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Altair Alves Pinto, 68, é "um velho amigo" e uma espécie de "faz-tudo" do ex-deputado federal, que se encontra preso em Curitiba desde o dia 19 de outubro de 2016. 

De acordo com informações divulgadas pelo jornal "O Globo" nesta quarta-feira (17), Joesley Batista teria encontrado o presidente Michel Temer no dia 7 de março no Palácio do Planalto. O empresário teria registrado a conversa com um gravador escondido. Joesley disse ter contado a Temer que estava "bem" com Eduardo Cunha. O presidente, segundo o empresário, responde: "Tem que manter isso, viu?".

Em seu depoimento, segundo O Globo, Joesley disse que Temer sabia que ele pagava mesadas para manter o silêncio de Cunha.

Temer confirma o encontro, mas nega ter tratado do silêncio de Cunha.

Batista disse ter pagado ao menos R$ 5 milhões a Cunha depois de sua prisão e ainda devia mais R$ 20 milhões relativos à tramitação de uma lei que previa a desoneração de impostos no setor de frango. Alves Pinto teria recebido os valores.

Fernando Baiano já havia apontado recebedor de propinas

Alves Pinto já tinha sido apontado por um dos primeiros delatores da Operação Lava Jato --o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano-- como o homem que recebia propinas em nome de Cunha, no esquema de corrupção ligado a contratos da Petrobras.

Em setembro de 2015, quando Cunha ainda presidia a Câmara dos Deputados, Baiano afirmou ao MPF (Ministério Público Federal) que, em certa ocasião, o deputado lhe sugeriu que procurasse "uma pessoa de nome Altair, no escritório dele [Cunha], na avenida Nilo Peçanha, Rio".

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O delator afirmou que entregou entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo a Cunha. Paga em outubro de 2011, a propina era relativa à contratação de navio-sonda da Petrobras.

Segundo Fernando Baiano, o homem indicado por Eduardo Cunha para receber a propina "aparentava ser um assessor ou uma pessoa de confiança, até mesmo porque todos os valores entregues no escritório foram para Altair". Ele descreveu como Altair como "um homem de 1,75 m, pouco cabelo, já grisalho, com bigode, com idade de aproximadamente 60 anos".

À época, investigadores da Lava Jato tinham confirmado que Altair frequentava o gabinete 510 na Câmara, usado por Cunha, de acordo com reportagem do jornal "Estado de S. Paulo".

Relação começou em 1999

A relação entre Alves Pinto e Cunha começou no ano de 1999. Naquele ano, o ex-deputado presidia a Cehab (Companhia Habitacional do Rio) e Alves Pinto era funcionário de baixo escalão do órgão público. Ele chegou a trabalhar com motorista de Cunha durante campanhas eleitorais.

Após a divulgação do depoimento de Fernando Baiano, Alves Pinto pediu exoneração em dezembro de 2015 do gabinete do deputado estadual Fábio Silva (PMDB-RJ), um aliado de Cunha.

Alves Pinto e familiares possuem empresas que exploram pedras ornamentais no Espírito Santo. O UOL ligou por volta das 22h para um telefone em nome dele. Uma mulher que se disse neta dela, mas não quis se identificar, pediu à reportagem que ligasse mais tarde. Uma nova ligação realizada, a mesma mulher atendeu e disse que ele não se encontrava em casa.