Atos contra Temer têm baixa adesão no Rio e no DF

Hanrrikson de Andrade e Jéssica Nascimento

Do UOL, no Rio e colaboração para o UOL, em Brasília

  • Hanrrikson Andrade/UOL

    Ato contra o governo Temer em Copacabana

    Ato contra o governo Temer em Copacabana

Os atos organizados por movimentos de esquerda contra o governo de Michel Temer (PMDB) e a favor de eleições diretas, no Rio de Janeiro e em Brasília na manhã deste domingo (21), tiveram pouca adesão. As mobilizações pacíficas iniciaram por volta de 10h e, às 13h, os participantes começavam a dispersar. 

Em São Paulo, o ato foi marcado para as 15h no Masp. O Vem Pra Rua, grupo de direita que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, havia feito uma convocação para o mesmo local, mas retirou-a na sexta (19), alegando "motivos de segurança". O movimento nega recuo, prometendo uma nova data, ainda não marcada.

Rio de Janeiro

Um ato iniciado às 10h pelo Muspe (movimento dos servidores do Rio, que reúne policiais, bombeiros e outras categorias que estão sem salário) reuniu cerca de cem pessoas e um carro de som na av. Atlântica, na altura do Copacabana Palace, em frente à praia. Alguns manifestantes carregavam bandeiras de centrais sindicais. O protesto foi pacífico, apesar de um grande efetivo de policiais militares. A PM ainda não divulgou números sobre o ato.

Dirigente do movimento, Alzimar Andrade afirmou que o público reduzido pode estar relacionado com as cenas de violência que ocorreram no fim do protesto da última sexta-feira (21). "A Tropa de Choque sempre faz isso, talvez as pessoas tenham ficado com medo. E ainda tem o grupo de infiltrados que sempre age para 'zonear' os nossos atos. Mas isso não pode ser um impeditivo. Sem dúvida, as imagens da última sexta assustam. Mas a luta tem que ser na rua", afirmou ele.

"Esse é um ato que deveria ter milhares de pessoas. Infelizmente, mais uma vez, temos um número reduzido. Enquanto o cidadão preferir pegar praia ou ficar em casa vendo televisão, esse país não vai mudar. As pessoas não podem esperar que o partido convoque, que o governo convoque ou que o amigo convoque. A população está dormindo", completou.

A manifestante Marilda Carvalho pediu a palavra no carro de som e também criticou a baixa adesão. "Estou vendo que tem pouca gente aqui. Não pode ser assim. Enquanto isso acontecer, nada vai mudar", afirmou ela.

À tarde, cerca de 60 manifestantes se concentraram na saída da estação do metrô São Conrado, na zona sul carioca, nos arredores da favela da Rocinha. Por volta de 15h40, o grupo iniciou a caminhada até a casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PMDB). Além de manifestantes com faixas e cartazes de movimentos sociais e partidos de esquerda, participaram do ato pessoas ligadas a centrais sindicais.

Jéssica Nascimento/Colaboração para o UOL
Além do "Fora, Temer", manifestantes em Brasília defendem candidatura de Lula (PT)

Brasília

Poucos manifestantes se reuniram no Museu Nacional, em Brasília, também em clima pacífico. Cerca de 250 pessoas foram no local, segundo a PM - a Secretaria de Segurança Pública aguardava mil pessoas. Havia um carro de som no local, onde os participantes permaneceram sem fazer caminhadas (anteriormente, havia sido anunciado um deslocamento até o Congresso). 

No trio elétrico, a presidente da CONDSEF (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) criticou Aécio Neves. Mineira, ela garantiu que o senador afastado destruiu o Estado. "Esse homem [Aécio] acabou com a economia de Minas Gerais. Ele dominou a mídia e todos os crimes foram jogados por debaixo do tapete. Foi preciso o dono de um frigorífico dar nome 'aos bois' para o país perceber o que estava acontecendo."

A servidora pública Talita Victor, 33 anos, participou dos protestos fantasiada de Chapolin Colorado. Com um alto-falante, ela cantava palavras de ordem: "Ei você aí, o Temer vai cair". "Se o povo não se manifestar muito forte, o acordo das elites vai tratar de fazer uma outra eleição indireta e outro golpe vai acontecer. As manifestações têm que crescer ao longo da semana. Eu acredito que só o povo vai conseguir tirar o presidente do cargo", afirmou.

Também fantasiado, o engenheiro agrônomo Vinicius Vitoi, 54, foi como a vaquinha "Zezebel" – criação própria, na qual ele investiu R$ 150. Ela existe desde que a Polícia Federal decretou a operação "Carne Fraca". "A fantasia faz sucesso para caramba. Faço questão de levá-la em todas as manifestações. A Zezebel é totalmente a favor da saída do Temer do poder."

Belo Horizonte

Na capital mineira, o encontro foi na praça da Liberdade. Os participantes caminharam então até a praça Sete de Setembro. Segundo os organizadores, 50 mil pessoas estiveram na manifestação. A informação não foi confirmada pela Polícia Militar.

Temer investigado

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidiu entrar com um pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados. Para a OAB, Temer cometeu crime de responsabilidade ao não comunicar autoridades competentes sobre a conversa que teve com o empresário Joesley Batista.

Outros nove pedidos já foram protocolados na Câmara. O presidente da Casa, Rodrigo Mais (DEM-RJ), aliado de Temer, vai decidir se aceita ou não os pedidos. Não há prazo para essa decisão.

A conversa entre Temer e Joesley foi gravada pelo próprio empresário e anexada à delação premiada do dono do grupo JBS, homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na corte, autorizou a abertura de inquérito para investigar se Temer cometeu os crimes de corrupção passiva, obstrução de justiça e formação de organização criminosa. Temer pediu a suspensão do inquérito. O plenário do STF analisa a questão na quarta (24).

No encontro que aconteceu no Palácio do Jaburu, residência de Temer, Joesley falou sobre uma mesada paga ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso e condenado na Lava Jato, e sobre a tentativa de interferir em investigações contra o grupo empresarial comandado por Joesley. O empresário fala em "segurar" dois juízes. Temer responde: "ótimo".

O presidente diz que não cometeu crime e chamou o delator de "falastrão".

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