Bolsonaro pretende decidir novo partido até 15 de janeiro e deve escolher PSL

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

    Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados

    Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) pretende definir até 15 de janeiro o partido pelo qual disputará a eleição à Presidência da República em 2018. Ele é o segundo colocado nas intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas Datafolha.

A equipe do parlamentar aposta que o PSL (Partido Social Liberal) será o escolhido, graças à afinidade de Bolsonaro com o presidente e fundador da legenda, o deputado federal e empresário Luciano Bivar (PE).

Segundo uma fonte ligada ao presidenciável, em conversa recente com o pernambucano, ele pediu "o mínimo", mas Bivar ofereceu "o máximo", o que impressionou positivamente o deputado.

No último dia 20, Bolsonaro deu entrevista ao site "Crítica Nacional", que anuncia oferecer "conteúdo jornalístico online conservador e de direita", e disse que o encontro, solicitado por ele, foi "excepcional".

"Pelo que tudo indica, nós podemos ir para o PSL, que mudaria de nome, que mudaria o estatuto, e mais importante: eu teria 100% de chance de disputar no ano que vem como candidato", declarou.

A reportagem do UOL apurou que, caso haja algum desentendimento com a sigla nas próximas semanas, o PR (Partido da República) deve ser a segunda opção.

No dia em que a notícia da aproximação de Bolsonaro com o PSL veio a público, na semana passada, o Livres, movimento "incubado" dentro do partido, divulgou nota afirmando que o presidenciável não iria se filiar à legenda.

"Em função das evidentes e conhecidas divergências de pensamento, o projeto político de Jair Bolsonaro é absolutamente incompatível com os ideais do LIVRES e o profundo processo de renovação política com o qual o PSL está inteiramente comprometido", diz a nota.

Dois dias depois, no entanto, em entrevista à coluna "Expresso", da revista "Época", Bivar afirmou que, se o deputado quiser se filiar à legenda e concorrer à Presidência da República, será bem-vindo.

"A possibilidade de o deputado vir para o nosso partido e concorrer para presidente nos enche de orgulho", afirmou o presidente do PSL. Ele afirmou ainda que a nota do Livres representava as ideias de uma corrente minoritária.

Filho do presidenciável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) logo foi ao Twitter agradecer a Bivar, dizendo que saber que "uma boa relação se constrói dialogando". A mensagem foi compartilhada por seu pai, que afirmou estar tranquilo. "Vamos adiante numa boa!", escreveu.

comunicado do Livres enviado à imprensa continha ainda um quarto item, mais enfático, que não consta na postagem do movimento no Facebook: "Bolsonaro representa o autoritarismo e a intolerância tanto na economia quanto nos costumes, sendo a antítese completa das nossas ideias."

O movimento, que administra a página oficial do partido na rede social, já deu outra mostra da oposição ao deputado do Rio de Janeiro. Em agosto, diante de outra notícia de possível filiação de Bolsonaro ao partido, o Livres publicou uma imagem atacando posições do parlamentar e "desconstruindo o Bolsomito" --apelido elogioso usado por seus seguidores.

No post, ele é descrito como um "milico, corporativista, protecionista de direita que mente dizendo ser liberal" e "intolerante".

A reportagem do UOL tentou entrar em contato com Bivar nesta quarta-feira (27), mas o pernambucano não retornou os telefonemas e nem respondeu às mensagens enviadas para o seu celular até esta quinta (28).

Patriota praticamente descartado

Já a relação com o PEN (Partido Ecológico Nacional), que extraoficialmente adotou o nome "Patriota", esfriou, apesar de o deputado ter assinado no último dia 23 de novembro um compromisso de se filiar à sigla em 10 de março do ano que vem. 

Bolsonaro chegou a aparecer como presidenciável em propagandas do partido, que passou a adotar o slogan "Brasil acima de todos" a pedido do deputado.

Divulgação/Patriota
Jair Bolsonaro posa com integrantes do PEN, futuro Patriota

Na última quinta (21), o presidente do PEN, Adilson Barroso, afirmou ao jornal "Folha de S.Paulo" que a equipe jurídica de Bolsonaro quer ter o controle de 23 dos 27 diretórios estaduais para viabilizar a migração para a legenda. 

A janela de transferência partidária permite que parlamentares troquem de partido somente a partir de março do ano que vem sem que percam o mandato atual. Caso se filiasse imediatamente ao "Patriota", o PSC poderia pleitear o mandato de Bolsonaro na Justiça Eleitoral sob a alegação de infidelidade.

Descanso

O plano é bater o martelo sobre a mudança de partido depois de alguns dias de férias e descanso em Eldorado, município do interior de São Paulo em que mora a mãe de Bolsonaro, dona Olinda Bonturi, 91. O deputado passou parte da juventude na cidade.

Também em meados de janeiro, a equipe do pré-candidato deve fazer uma reunião para definir os próximos destinos de Bolsonaro, que viajou a diversas cidades do Brasil em 2017, em uma espécie de pré-campanha informal.

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