Operação Lava Jato

PGR defende que investigação contra Alckmin não vá para Lava Jato e fique na Justiça Eleitoral

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Eliane Neves/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Defesa de Geraldo Alckmin diz esperar que apuração não tenha "contaminação política"

    Defesa de Geraldo Alckmin diz esperar que apuração não tenha "contaminação política"

Em ofício enviado ao MPF-SP (Ministério Público Federal de São Paulo) nesta quarta-feira (11), a PGR (Procuradoria Geral da República) indicou que um inquérito contra o presidente nacional do PSDB e pré-candidato às eleições, Geraldo Alckmin, seja comandado pela Justiça Eleitoral e que não fique a cargo da Operação Lava Jato.

O argumento apresentado no texto, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, é de que o suposto crime teria âmbito eleitoral. 

Além de Alckmin, o MPF pediu para investigar outros suspeitos no âmbito da Lava Jato, entre eles, cinco ex-governadores. Os nomes não foram divulgados. Para supostos crimes eleitorais, Mariz Maia também sugeriu que a investigação corresse pelas justiças consideradas competentes.

Quem vai definir para onde vai o inquérito contra o ex-governador de São Paulo, que corre em segredo de justiça, será a relatora do caso no STJ, a ministra Nancy Andrighi.

Suposto recebimento de R$ 10,7 milhões da Odebrecht

O inquérito que está no STJ e que o MP quer apurar investiga se Alckmin recebeu R$ 10,7 milhões da construtora Odebrecht, como contaram executivos da empresa em seu acordo de delação firmado no ano passado.

Segundo a denúncia, parte do dinheiro supostamente recebido teria sido entregue ao cunhado de Alckmin, o empresário Ademar César Ribeiro. Os valores teriam sido entregues em 2010 e 2014 para campanhas eleitorais, de acordo com os delatores da Odebrecht.

Em nota, a defesa de Alckmin afirmou que "se surpreendeu com a notícia do açodamento de setores do Ministério Público Federal, já que o processo esta tramitando normalmente e será remetido, em termo oportuno, para instância competente."

Ainda segundo a defesa, "espera-se que a apuração dos fatos continue a ser feita de forma isenta e equilibrada, sem contaminação política. Ela repele a ideia que o inquérito, enquanto tramitou no STJ e na PGR, tenha servido de 'blindagem' para o ex-governador."

Perda de foro

Quatro governadores citados ou denunciados pela Lava Jato que renunciaram para disputar outros cargos na eleição de 2018 perderam o foro privilegiado e poderiam ter seus processos enviados à primeira instância: Alckmin, Beto Richa (PSDB-PR), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Raimundo Colombo (PSD-SC).

Com a perda do foro, as acusações contra eles podem ser enviadas a juízos de primeira instância, entre os quais a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sergio Moro, responsável por grande parte das condenações na Lava Jato, incluindo a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A força-tarefa paulista da Lava Jato foi reforçada em 6 de fevereiro, passando de 3 para 11 procuradores, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Dois dos novos integrantes haviam atuado com Rodrigo Janot em inquéritos contra políticos.

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