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França recua e retira nomeação de Goldman para Conselho de Educação de SP

Governador Márcio França recuou sobre nomeação 24 horas após decreto - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Governador Márcio França recuou sobre nomeação 24 horas após decreto Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

28/11/2018 09h52Atualizada em 28/11/2018 10h18

O governador de São Paulo Márcio França (PSB) recuou sobre a nomeação do ex-governador Alberto Goldman (PSDB), desafeto do futuro governador João Doria, como membro titular do Conselho Estadual de Educação. A indicação, com validade de três anos, havia sido publicada no Diário Oficial do Estado na terça-feira (27).

Nesta quarta-feira (28), um novo decreto assinado pelo governador invalidou o decreto anterior. "Tornando insubsistente o decreto publicado em 27-11-2018, que nomeou membros titulares para integrarem o Conselho Estadual de Educação", aponta o ato publicado hoje.

Goldman afirmou à reportagem que foi informado com antecedência sobre o recuo e disse que o decreto será refeito. "A informação que eu tive é de que houve algum erro qualquer, que não sei qual, e que ele seria refeito. Foi a única informação que eu tive, não sei mais nada sobre isso", disse.

Na terça (27), Goldman havia afirmado que sua presença no cargo como conselheiro não traria conflitos com João Doria: "O conselho é um órgão independente de estado, não de governo. Ele ultrapassa o governo. O governo é passageiro, essa questão é mais profunda".

9.dez.2017 - O presidente do PSDB, Alberto Goldman durante a 14ª Convenção Nacional do partido para a escolha do novo presidente, Executiva e Diretório do partido, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília - Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdp - Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdp
Alberto Goldman: "A informação que eu tive é de que houve algum erro qualquer"
Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdp

O ex-governador também havia dito ter “boa contribuição” a dar na nova função. "Foi uma sugestão feita pelo secretário de Educação. Entendi que era uma boa contribuição que eu poderia dar. Fui secretário de estado de Desenvolvimento, que está vinculado com o sistema técnico e tecnológico. Posso contribuir", afirmou.

Os membros do conselho costumam discutir medidas que padronizam ações em instituições de ensino no estado e auxiliam nas decisões e projetos desenvolvidos pela pasta através de pareceres, indicações e deliberações. O cargo não tem remuneração, segundo a Secretaria Estadual de Educação.

Além de Goldman, o ex-prefeito de Botucatu e ex-secretário estadual de educação, João Cury Neto, expulso do PSDB por apoiar França contra Doria, também havia sido nomeado pelo governador do PSB para o conselho. As pedagogas Ana Teresa Gavião Almeida Marques Mariotti e Teresa Roserley Neubauer da Silva também tinham sido nomeadas por meio do decreto.

Ao UOL, o deputado estadual Marco Vinholi, líder do PSDB na Alesp (Assembleia Legislativa), e aliado de Doria, afirmou que a nomeação era "inadequada". "Uma nomeação de três anos vinda de quem está saindo do governo não faz o menor sentido. Ainda mais por ser o Goldman e tudo o que ele representou no último período", disse.

Em evento na noite de terça, França afirmou à imprensa que suspenderia a nomeação porque houve um erro e pelo “mal-estar" gerado. França disse que conversará com Goldman e Doria sobre o assunto. No entanto, ele estará  das funções hoje e quinta-feira (29) para se submeter a uma cirurgia de hérnia.

Procurados na manhã desta quarta-feira, governo do estado e o governador Márcio França não se manifestaram. O líder do PSB na Alesp e filho do governador, Caio França, afirmou à reportagem não estar inteirado sobre o assunto.

Desgaste entre Goldman e Doria

Goldman e Doria trocam críticas publicamente desde o ano passado, quando Goldman criticou a gestão Doria na prefeitura da capital: "Nós não temos prefeito, temos um candidato a presidente da República. (...) Diz que está trazendo alguma coisa para São Paulo; não está trazendo nada", afirmou o ex-governador, em outubro de 2017.

10.out.2018 - O candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, João Doria, visita o Hospital Escola e Maternidade da Vila Nova Cachoeirinha, na capital paulista - Hélvio Romero/Agência Estado - Hélvio Romero/Agência Estado
João Doria e Alberto Goldman se alfinetam publicamente desde o ano passado
Imagem: Hélvio Romero/Agência Estado

Doria respondeu Goldman de forma ácida: "Você é um improdutivo, um fracassado. Você coleciona fracassos na sua vida e, agora, vive de pijamas na sua casa". Na época, Doria era cotado para candidato do PSDB à Presidência, no lugar de Geraldo Alckmin, que obteve apenas 4% dos votos no pleito --o pior resultado da história do PSDB.

De lá para cá, a relação entre os dois não melhorou. Durante a campanha eleitoral deste ano, Goldman anunciou apoio a Márcio França, o que determinou o pedido de expulsão do ex-governador feito pelo diretório municipal do PSDB. A movimentação na capital gerou novo ataque de Goldman. O ex-governador também declarou apoio ao candidato petista à Presidência Fernando Haddad, enquanto o então candidato tucano ao governo pregava o antipetismo.

"[Doria] foi péssimo prefeito, não fez gestão coisa nenhuma, e além disso o caráter dele. Você pode ter divergências políticas e administrativas, mas caráter não. Ele é homem que não respeito seu caráter e sua forma de agir desde muito tempo", afirmou durante o período eleitoral à rádio Jovem Pan.

Doria rebateu novamente, o chamando de "traidor". "Trabalhou por outro candidato, utilizou propaganda de outro candidato, adesivo, camiseta, bandeira, é expulso. E vale para todos", afirmou o então candidato ao governo.

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