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Política

Em 1º dia útil no Planalto, Bolsonaro estreia gabinete com enviado de Trump

Gustavo Maia, Luciana Amaral e Marina Motomura

Do UOL, em Brasília

03/01/2019 04h00

Faltava pouco para as 9h da manhã desta quarta-feira (2) quando o presidente recém-empossado, Jair Bolsonaro (PSL), chegou para trabalhar no local de onde vai despachar pelos próximos quatro anos: o Palácio do Planalto.

O primeiro compromisso oficial no palácio foi prestigiar a solenidade de transmissão de cargo dos quatro ministros que trabalharão no quarto andar do prédio. Em seguida, às 10h, recebeu o representante dos Estados Unidos enviado pelo presidente Donald Trump para uma audiência. O encontro com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, marcou a estreia de Bolsonaro no gabinete presidencial, no terceiro andar.

A visita oficial foi a primeira de uma série de quatro reuniões com autoridades estrangeiras. Também foram recebidos pelo brasileiro, junto às respectivas comitivas, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, e o vice-presidente do parlamento chinês, Ji Bingxuan.

Após os encontros, Bolsonaro voltou para almoçar na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República, onde dormiu com a família após a posse desta terça-feira (1º). O local é utilizado por ele desde o mês passado, durante a transição governamental.

Segundo informou a assessoria de imprensa do presidente na noite desta terça, Bolsonaro se mudaria para o Palácio da Alvorada nesta quarta, dia em que caminhões com pertences da família chegaram à futura residência. Na noite desta quarta, no entanto, ele decidiu dormir na Granja.

Até o momento, a assessoria não informou qual será a nova data da mudança.

No meio da tarde, pouco antes das 16h, Bolsonaro foi ao Clube do Exército participar da cerimônia de transmissão de cargo do ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva. Antes de surgir no salão nobre do local, ao lado do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), conversou reservadamente com amigos militares.

Foi na solenidade que Bolsonaro fez seu único pronunciamento público do dia. Na chegada, questionado sobre como estava sendo a estreia na Presidência da República, preferiu não responder.

Ao fim do evento da manhã, o presidente não se prolongou no salão nobre do Planalto e subiu a rampa interna que liga o espaço ao terceiro andar do prédio também sem falar com imprensa.

Cerimônias

Em conjunto, os novos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e general Santos Cruz (Secretaria de Governo) assumiram oficialmente seus postos sob o olhar de Bolsonaro.

Menos de 12 horas após a posse no dia 1º, o espaço já estava novamente lotado de convidados, entre civis e militares --nem todos fardados. Até crianças, filhos de auxiliares do governo, estavam no local.

A estrutura, com o fundo do palco em verde e com o brasão da República, foi mantida para a cerimônia e manteve o modelo praticado nos eventos do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Havia café, água e biscoitos maisena e de água e sal, servidos em uma mesa com a presença de garçons.

Embora tenha havido uma preocupação maior em relação à segurança desde o atentado de setembro contra o então candidato à Presidência, nesta quarta, o raio-x para a inspeção de bolsas e mochilas na garagem do Planalto estava quebrado e os objetos que entraram não foram revistados. É por lá que passam funcionários e pessoas com crachás de livre acesso ao prédio.

No evento com o comandante da pasta que reúne as Forças Armadas, Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, se mostrou mais à vontade e discursou de improviso por quase dez minutos.

Bolsonaro ainda fez uma defesa enfática da pátria, com tom similar ao usado por Donald Trump. "Mais do que defender a pátria, queremos fazer dessa pátria grande, e só faremos isso com uma boa equipe, onde todos conversam entre si, onde não há ingerência político-partidária que levou à ineficácia do estado e à corrupção", declarou.

Twitter

Ao longo do dia --até as 20h40--, ele usou o Twitter 11 vezes. Na primeira, às 9h28, ele publicou o vídeo com o discurso de posse proferido do Parlatório do Planalto. Em seguida, ele agradeceu manifestações dos presidentes da Argentina, Mauricio Macri, da Colômbia, Iván Duque, e do secretário americano Mike Pompeo.

Em inglês, ele ainda divulgou a tradução para inglês de um tuíte de dois atrás, em que criticou defendeu "combater o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino".

No início da tarde, ele falou dos planos para a demarcação de terras indígenas e quilombolas, depois da repercussão negativa da edição de uma medida provisória que retirou esta atribuição da Funai (Fundação Nacional do Índio) e incluiu um dispositivo que prevê o monitoramento de organismos internacionais e organizações não-governamentais entre as atribuições da Secretaria de Governo da Presidência, comandada hoje pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Ele ainda usou a rede social os "belos desenhos" de uma usuária que publicou homenagens à sua posse e republicou uma matéria apontando que a Bolsa de Valores bateu recorde e o dólar caiu a R$ 3,81 no seu primeiro dia como presidente.

Agenda de hoje

Nesta quinta-feira (3), o presidente vai promover a primeira reunião ministerial, que também contará com a presença do vice, Mourão. O encontro está marcado para as 9h, no próprio Palácio do Planalto, e deve ocorrer na Sala Suprema.

De acordo com a agenda divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência, ele vai se reunir às 14h com o ministro Santos Cruz, da Secretaria de Governo, e o embaixador Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Uma hora depois, ele vai visitar a Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

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