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Suplente de Jean Wyllys responde Bolsonaro: "Sai um LGBT, mas entra outro"

O vereador David Miranda (PSOL) deve assumir a vaga deixada por Jean Wyllys na Câmara dos Deputados - Reprodução
O vereador David Miranda (PSOL) deve assumir a vaga deixada por Jean Wyllys na Câmara dos Deputados Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

24/01/2019 18h43

O vereador David Miranda (PSOL) respondeu a um tuíte do presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmando que "sai um LGBT, mas entra outro", em referência ao fato de o deputado federal Jean Wyllys ter anunciado que vai deixar o país e abandonar o mandato. Miranda é o suplente e ficará com a vaga na Câmara dos Deputados a partir de 1º de abril.

Bolsonaro publicou uma série de tuítes em seu perfil na tarde desta quinta-feira (24), incluindo a mensagem "Grande dia!". Os posts, no entanto, não faziam qualquer menção direta ao fato de Wyllys deixar o país. 

Miranda respondeu a um dos posts: "Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília." Em seguida, o presidente respondeu: "Seja feliz! Um forte abraço!"

O deputado federal eleito Marcelo Freixo também respondeu ao tuíte de Bolsonaro. "Que tal você começar a se comportar como presidente da República e parar de agir como um moleque? Tenha postura", questionou Freixo. 
 

Bolsonaro ainda tuitou sobre uma matéria do jornal O Globo que menciona uma ligação entre as publicações dele com a saída de Jean Wyllys do país. O presidente negou que estivesse se referindo ao deputado, que era um de seus principais desafetos na Câmara, e disse que fizera menção a sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, de onde ele está retornando nesta quinta.

"Fake News! Referi-me à missão concluída, reuniões produtivas com Chefes de Estado, voltando ao país que amo, Bolsa batendo novo recorde na casa dos 97.000 e confiança no nosso país sendo restabelecida, isso faz de hoje um grande dia", escreveu Bolsonaro, que já estava viajando no momento em que as mensagens foram publicadas em sua conta na rede social. 

Despedida 

Em uma publicação de despedida nas suas redes sociais, o deputado federal Jean Wyllys afirmou que "preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores". Conforme revelado pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (24), o parlamentar vai deixar o país e abrir mão do mandato de deputado em função de ameaças que ele diz ter recebido.

"E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!", escreveu Wyllys. 

Mais cedo, em entrevista à Folha, Wyllys afirmou que vive sob constantes ameaças. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, também do PSOL, o deputado passou a viver sob escolta policial.

Além disso, o fato de familiares de um ex-policial militar suspeito de integrar uma milícia terem trabalhado para o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) também foi preponderante na decisão, segundo o deputado. A milícia citada por Wyllys é investigada pela participação no assassinato de Marielle. 

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