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Bolsonaro lista atributos do filho para justificar indicação à embaixada

Vanessa Alves Baptista

Do UOL, em São Paulo

15/07/2019 19h58

O presidente Jair Bolsonaro fez uma lista com novos atributos para justificar uma eventual indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL-SP, para chefiar a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos.

Depois de afirmar na semana passada que o "garoto fala inglês e espanhol", Bolsonaro apresentou nesta noite, por meio do porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, as atribuições que tornariam Eduardo apto para o cargo, vago desde abril:

  • Detém a total confiança do presidente
  • Detém acesso facilitado ao mandatário daquela nação amiga [EUA]
  • É presidente da comissão de relações Exteriores e defesa Nacional da Câmara dos Deputados
  • É conhecedor de relações internacionais
  • Tem acompanhado comitivas do governo lideradas pelo presidente Bolsonaro e internalizado os princípios da atual política externa brasileira

O presidente também destacou que "a indicação de embaixadores para qualquer nação com qual o Brasil mantenha relações diplomáticas é uma atribuição única e exclusiva do chefe do Poder Executivo".

Segundo o porta-voz, Bolsonaro, porém, "está ainda a avaliar a indicação".

O anúncio de que cogita indicar o filho ao cargo de embaixador foi feito por Bolsonaro um dia após o filho completar 35 anos, idade mínima para assumir o posto.

Na manhã desta segunda-feira, o presidente disse que, "se o filho está sendo criticado, é sinal de que é a pessoa adequada para o cargo".

"Por vezes temos tomado decisões que não agradam a todos, como a possibilidade de indicar para a embaixada um filho meu. Se está sendo tão criticado pela mídia é sinal de que é a pessoa adequada", disse em evento no plenário da Câmara.

Bolsonaro: Críticas mostram que Eduardo é adequado para embaixada

UOL Notícias

Eduardo, que já afirmou cogitar assumir a vaga, disse que fez intercâmbio e fritou hambúrguer nos Estados Unidos.

Partidos de oposição e políticos aliados têm recorrido às redes sociais para atacar ou defender a indicação de Eduardo.

Representantes da oposição na Comissão de Relações Exteriores do Senado já afirmaram que veem nepotismo na indicação e pretendem ingressar com uma ação no STF se o deputado for realmente nomeado,

Especialistas, como o americano Peter Hakim, que estuda América Latina há mais de três décadas e é presidente emérito do think tank Inter-American Dialogue, afirma que Eduardo será representante do pai e não do Brasil.

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, disse acreditar que a indicação do filho do presidente da República à embaixada mais importante do Brasil no exterior ajuda o Itamaraty a "romper um ciclo vicioso onde nós trabalhamos só para nós mesmos e esquecemos a sociedade do lado de fora".

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