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Demissão de diretor do Inpe é oficializada no Diário Oficial da União

O agora ex-diretor do Inpe Ricardo Magnus Osório Galvão - Rodolfo Moreira /Futura Press
O agora ex-diretor do Inpe Ricardo Magnus Osório Galvão Imagem: Rodolfo Moreira /Futura Press

Luciana Quierati

Do UOL, em São Paulo

07/08/2019 07h36

A exoneração do físico Ricardo Galvão, 71, da direção do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foi oficializada hoje em publicação no Diário Oficial da União. A portaria é assinada pelo ministro substituto da Casa Civil, José Vicente Santini. O nome de Darcton Policarpo Damião, que ficou como diretor interino, não consta da publicação.

Galvão deixou o cargo na sexta-feira (2) após semanas de confronto com o governo de Jair Bolsonaro, que criticou o então diretor por ter divulgado dados mostrando que o desmatamento na Amazônia cresceu 88% em junho, em comparação com o mesmo período no ano passado. Em café da manhã com jornalistas estrangeiros no dia 19, o presidente questionou os dados.

"É lógico que eu vou conversar com o presidente do Inpe. [São] Matérias repetidas que apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja malvisto lá fora. [...] Com toda a devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido", disse o presidente na ocasião, sugerindo que Galvão poderia estar a "serviço de alguma ONG."

No dia seguinte, ao jornal O Estado de S. Paulo, Galvão disse que ficou escandalizado com as declarações que, para ele, parecem mais "conversa de botequim".

No dia 21, o agora ex-diretor disse à Folha que poderia até ser demitido, mas que o Inpe não poderia ser atacado. "A única coisa que o Inpe faz é colher dados, nada mais, mas havia insatisfação sobre isso. Isso [as críticas] estava concentrado no MMA e eu não esperava que subisse à Presidência da República, mas aparentemente subiu, não sei exatamente pelo esforço de quem", disse.

Na última sexta, o ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia (pasta à qual o Inpe é vinculada), decidiu exonerar Galvão depois de uma reunião que durou cerca de duas horas. Ao deixar o encontro, Galvão disse a jornalistas que o motivo de sua exoneração foi porque seu discurso em relação ao presidente criou constrangimento.

Anteontem, o nome do miliar da Aeronáutica Darcton Damião como interino foi anunciado e, segundo Pontes, ele deve permanecer no cargo até que seja estabelecido o comitê de busca com três nomes, de onde deve sair o diretor oficial. Ainda não há uma data para que isso ocorra.

Galvão, doutor em física de plasmas aplicada pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), dos Estados Unidos, dirigia o Inpe desde 2016.

Nova política de divulgação

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, chegou a defender que, em caso de os dados sobre o desmatamento da Amazônia serem corretos, "seria conveniente que nós não alardeássemos isso".

Ontem à noite, Pontes disse que, com a nova política de divulgação que será aplicada a partir de agora, os dados colhidos sobre desmatamento não serão alterados antes de serem divulgados.

"Note bem que não é mudar os dados. Isso não. (...) Agora a gente faz junto com o Ibama de forma que o fornecedor fornece os dados segundo o que o cliente precisa", afirmou.

As críticas de Bolsonaro se referem a dados extraídos do sistema do Inpe batizado de Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real). A ferramenta apontou aumento de 88% do desmatamento na Amazônia em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já em julho o aumento foi de 278% se comparado com o mesmo mês do ano passado.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defendeu na semana passada que há duas levas de dados divulgados: a de áreas desmatadas, no geral, incluindo trechos com autorização legal para a derrubada de mata; e as áreas derrubadas ilegalmente. O governo pretende divulgar apenas essas últimas.

Embora tenha confirmado o crescimento no desmatamento, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a falar que os números divulgados recentemente pelo Inpe estavam errados. O valor considerado correto pelo governo, porém, não foi informado.

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