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PSB critica Venezuela e sai do Foro de São Paulo

PSB é presidido por Carlos Siqueira - Humberto Pradera/Divulgação PSB
PSB é presidido por Carlos Siqueira Imagem: Humberto Pradera/Divulgação PSB

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

30/08/2019 13h11

O PSB (Partido Socialista Brasileiro) decidiu hoje deixar o Foro de São Paulo. A posição foi aprovada por unanimidade em reunião da Executiva, em Brasília. A decisão será registrada em uma resolução para deixar claro que a sigla não participa e quer que retirem o nome do partido de qualquer discussão referente ao Foro.

O documento também fará uma crítica ao autoritarismo do governo ditatorial de Nicolás Maduro, na Venezuela. O texto ficará pronto no encontro do PSB que acontece entre hoje (30) e amanhã (31).

"Não defendemos o [autoproclamado presidente Juan] Guaidó, não defendemos o [presidente dos EUA, Donald] Trump, mas que fique claro nosso posicionamento e que nós não concordamos com a posição do Foro de São Paulo", disse um dos membros do partido, sob reserva.

Desde o ano passado o partido tenta se distanciar ideologicamente do PT - membro influente no Foro. Nas eleições majoritárias o PSB não teve candidato e permaneceu neutro até o segundo turno, quando declarou apoio a Fernando Haddad (PT).

O partido tenta se afastar do grupo há alguns meses e quer oficializar seu distanciamento. O distanciamento se dá um ano antes das eleições municipais. Durante as eleições do ano passado a vinculação com o Foro foi alvo de ataques de campanha de candidatos à direita, como Jair Bolsonaro (PSL).

Na disputa pelo governo de São Paulo, João Doria (PSDB), usou reiteradamente ligações com grupos de esquerda para atacar o então governador e adversário Márcio França (PSB). O tucano venceu o pleito.

O Foro de São Paulo é uma organização pluripartidária criada em 1990. O grupo justifica que sua função é pensar e promover alternativas políticas às ideias neoliberais. Os membros são de 26 países diferentes, entre eles Cuba, Venezuela, Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia, México e outros latino-americanos e africanos.

O grupo tem uma visão mais flexível às críticas feitas ao regime cubano e venezuelano.

Com a saída doPSB, o grupo ainda terá como membro os partidos brasileiros: PDT, PCdoB, PCB, PPL, PPS e PT.

Expulsão de infiéis

A reunião de sábado analisará a situação de deputados que votaram contra orientação do partido, a favor da Previdência. O sentimento no partido é de que haverá uma suspensão da função partidária e pode haver expulsão em caso de reincidência, em próximas votações.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do informado no último parágrafo desta matéria, a deputada federal Tabata Amaral é do PDT, e não do PSB. O erro foi corrigido.