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Fala de Eduardo Bolsonaro sobre AI-5 gera repúdio da esquerda à direita

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) - Pedro Ladeira/Folhapress
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL*, em São Paulo

31/10/2019 13h44

A fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), sobre reeditar "um novo AI-5" caso a esquerda brasileira se "radicalize" reverberou em críticas de todos os espectros políticos. "Alguma resposta tem que ser dada", disse o parlamentar em entrevista à jornalista Leda Nagle.

As críticas à frase do filho 'zero dois' transcenderam o espectro ideológico. Parlamentares de esquerda, direita e vinculados ao centrão (o qual, ideologicamente, se identifica com o segundo grupo) condenaram a posição de Eduardo; deputados de oposição pediram a cassação de seu mandato.

Decretado em 1968, durante a ditadura militar, o AI-5 fechou o Congresso Nacional, cassou mandatos, suspendeu o direito a habeas corpus para crimes políticos, entre outras medidas. O ato é considerado o início do período mais duro da ditadura, que posteriormente ganhou a alcunha de "anos de chumbo."

Veja as reações:

Gleisi Hoffmanm, presidente do PT e deputada federal

Vice-líder do PT no Senado, Rogério Carvalho também se manifestou de maneira veemente. "Quanto mais reivindicações houver e mais matéria-prima para a gente construir algo mais consistente do que vai ser o futuro da nossa nação, melhor. Mas não impedir com propostas estapafúrdias de um tempo que nós já superamos. Todos nós já superamos. Você já superou, nós já superamos, o Brasil já superou isso. Nós não precisamos disso de volta"

João Doria (PSDB), governador de São Paulo

O governador João Doria se manifestou com esta nota:

"O Brasil consolidou, ao longo de três décadas, a sua ordem democrática. As instituições funcionam e toda e qualquer ameaça à conquista do Estado Democrático de Direito deve ser repelida. A ruptura do modelo democrático é inaceitável. O país quer distância dos radicais que pregam medidas de exceção e atentam contra a Constituição. Repudiamos a tentação autoritária e o silêncio de quem as patrocina. Conheci de perto o mal que ditadores e ditaduras fazem às pessoas, às famílias e ao país. Reviver o passado traumático da nossa história é condenar o futuro do país e do seu povo. A democracia brasileira não tem medo de bravatas. O Brasil estará unido para manter as liberdades civis, a imprensa livre e as garantias fundamentais. A Nação não deixará de ter fidelidade aos seus valores democráticos."

PSDB

Líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio também se manifestou: "É um comentário que afronta a democracia, agride o bom senso e que não ajuda em nada o país neste momento em que estabilidade política é essencial para avançarmos nas discussões que são importantes para o país."

"O Brasil enfrentou, há bem pouco tempo, um processo de impeachment, que é um momento político extremo e de polarização, mas dentro das regras democráticas e da Constituição. Considerar o retorno da ditadura como um caminho aceitável é um desatino".

"A democracia, os direitos e liberdades fundamentais, e o funcionamento das nossas instituições devem ser defendidos por todos os brasileiros. São valores sobre os quais não podemos retroceder um milímetro", afirmou.

PSOL

O deputado federal Marcelo Freixo também escreveu que o partido entrará com um pedido de cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro

Joice Hasselmann, deputada federal

Parlamentar eleita pelo PSL, mesma sigla de Eduardo, também teceu críticas às falas do filho do presidente. Caraca!!! O pai @jairbolsonaro acabou de tentar colocar panos quentes e o "JÊNIUUU" faz isso. Deus só limitou a inteligência. A burrice é ilimitada. Quando eu digo que a "filhocracia" pode acabar com o país...", escreveu a deputada em seu Twitter.

MDB

Em nota, o MDB classificou como "inaceitável" qualquer menção a atos contra a liberdade. A declaração foi assinada pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi.

"Como Movimento Democrático Brasileiro que nasceu e cresceu na defesa da Constituição, consideramos inaceitável qualquer menção a atos que possam colocar em risco, de novo, a liberdade do cidadão brasileiro. Lutamos contra a ditadura e seu pior mal, o AI-5, que nos marcou como o momento mais triste da nossa história recente. O Brasil espera que não percamos o equilíbrio e o foco no que mais precisamos: empregos e renda para as pessoas", disse o partido.

Renan Calheiros, senador e ex-presidente da Casa

Ex-presidente do Senado e um dos caciques do MDB, Renan Calheiros afirmou que "a democracia não comporta comichões autoritárias, retrocessos e enxovalhamento institucional". "Os ataques são inconsequentes, não irrelevantes. A democracia se encarrega de punir abusos. O #AI5 foi a expressão mais aterradora, opressiva e fascista da história.", complementou Calheiros.

ACM Neto, do Democratas

Em nota, ACM Neto afirmou ainda que "as declarações do deputado Eduardo Bolsonaro são uma inaceitável afronta à democracia. Nesse momento o país precisa de equilíbrio e responsabilidade, não de ameaças e radicalizações como as defendidas pelo parlamentar".

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Maia (DEM) classificou como "repugnantes" as palavras de Eduardo Bolsonaro. "A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo.", escreveu Maia em suas redes sociais.

Rubens Bueno, deputado federal e vice-presidente do Cidadania

"Trata-se de uma estupidez política, uma ameaça de golpe que precisa ser rechaçada por todos os democratas. Invocar o AI-5 é atentar contra a nossa Constituição que rejeita qualquer instrumento de exceção. Somos um Estado Democrático de Direito e um parlamentar não pode nem mesmo aventar uma possibilidade desse tipo. Creio que cabe até uma reprimenda pública por parte da Câmara ao deputado Eduardo Bolsonaro"

"Somente nesta semana Eduardo Bolsonaro flertou com a volta da ditadura duas vezes ao defender um novo AI-5 e o ataque duro da polícia contra manifestantes. Os que pensam que vão passar por cima da Constituição, do Parlamento, do Judiciário e das forças democráticas deste país estão muito enganados."

Novo

O partido Novo publicou nota nas redes sociais para anunciar que condena a declaração de Eduardo Bolsonaro. "Os políticos devem defender a liberdade do cidadão, e não medidas autoritárias, como vimos durante o período militar", divulgou.

"O desenvolvimento de uma nação passa pelo fortalecimento das instituições. Atuar contra elas nos manterá no atraso", acrescentou.

Randolfe Rodrigues, senador pela Rede e líder da oposição no Senado

Por meio de seu Twitter, Randolfe afirmou que Eduardo é "menino mimado berrando seus desejos autoritários como se, no país, tudo ficasse impune como é costume na casa dele". O parlamentar afirmou que o partido vai entrar com uma representação contra o filho 'zero dois' no Supremo Tribunal Federal e no Conselho de Ética da Câmara.

Capitão Augusto (PL), deputado federal

Líder da bancada da bala, o deputado Capitão Augusto (PL-SP), classificou como um "absurdo" e uma "aberração" a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro.

"É até difícil se manifestar. É um absurdo, é uma aberração. Não concordo em hipótese alguma. Isso daí não é nem para ser ventilado. Isso já foi no passado, morreu e nunca mais voltará a ter novamente um novo ato institucional. Isso foi no passado e morreu", disse ao UOL.

Frente Nacional de Prefeitos (FNP)

A Frente Nacional de Prefeitos divulgou nota repudiando, com veemência a manifestação do deputado. No comunicado, A FNP disse que "flertar com o AI-5 é inaceitável e afronta à democracia".

MBL

Em nota, o Movimento Brasil Livre (MBL) disse que "o Brasil está em choque" com "as declarações irresponsáveis" de Eduardo Bolsonaro. "O MBL reitera sua postura crítica e repudia frontalmente o projeto autoritário conduzido por um clã familiar e os asseclas de Olavo de Carvalho. O ideólogo do governo afirmou que o Brasil poderá se tornar autoritário em nome do enfrentamento do 'Foro de São Paulo'; seus influenciadores nas redes sociais fazem o mesmo sob a bandeira do 'Artigo 142'. Isso deixou de ser brincadeira: sob a voz infantil e irresponsável de Eduardo, estamos vivendo uma AMEAÇA", diz o texto, pedindo para o Brasil "aprender com os erros do passado".

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*Com reportagem de Guilherme Mazieiro, do UOL em Brasília

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