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Após 580 dias, petistas desmontam acampamento em frente à PF em Curitiba

Lula discursa para apoiadores em Curitiba após deixar a carceragem da PF -  GISELE PIMENTA/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Lula discursa para apoiadores em Curitiba após deixar a carceragem da PF Imagem: GISELE PIMENTA/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

09/11/2019 04h01

Após 580 dias, a "Vigília Lula Livre", acampamento de militantes em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, oficialmente acabou ontem à noite.

O espaço, que com o decorrer do tempo se transformou em centro de reuniões pró-Lula, recebeu o ex-presidente assim que ele deixou a prisão ontem. Lula agradeceu nominalmente seus organizadores no seu primeiro discurso fora da cadeia. A militância reagiu com palmas e gritos de "Lula, eu te amo".

A saída de Lula do confinamento foi recebida pelos militantes com relatos de "alívio" e sensação de dever cumprido. Ressaltaram, porém, que estão preparados para um "nova luta", a qual se dará com o ex-presidente já fora da cadeia.

"O nosso sentimento é de vitória", afirmou Roberto Baggio, líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) no Paraná e uma das principais lideranças da vigília. "Aprendemos a nos mobilizar e vamos levar isso para nossa luta daqui para frente", afirmou à reportagem.

Baggio chegou à frente da sede da Superintendência da PF (Polícia Federal) de Curitiba em 7 de abril de 2018, horas antes de Lula chegar preso ao local. Disse que, inicialmente, esperava ficar alguns dias. No entanto, os dias viraram semanas, meses e mais de um ano.

"Foi difícil. Não esperávamos ficar aqui tanto tempo", afirmou Baggio.

'Anestesia'

A professora Vânia Laurentino, 49, disse que, além de apoiar Lula, esteve mobilizada contra o que ela chama de "destruição dos direitos do povo".

Ela, que é de Curitiba e frequentou a vigília durante os quase dois anos em que Lula esteve preso, disse que o governo Bolsonaro está empenhado em acabar com a previdência, os direitos trabalhistas e os recursos naturais do país.

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Na noite de sexta-feira, Vânia disse estar "meio anestesiada" com a saída de Lula da prisão. Afirmou que essa alegria e sentimento de alívio deve passar em breve e dar lugar a vontade de se manifestar pelo que ela considera correto.

"Nem consigo pensar muito bem depois de tanta coisa que aconteceu hoje", disse. "Mas eu sei que estará na rua agora e dará um novo fôlego para a militância."

Caravana atrás do presidente

Manifestantes assistem ao julgamento do ex-presidente Lula na Vigília Lula Livre, em Curitiba (PR) - Vinicius Konchinski/UOL
Manifestantes assistem ao julgamento do ex-presidente Lula na Vigília Lula Livre, em Curitiba (PR)
Imagem: Vinicius Konchinski/UOL
Lula disse em seu discurso após a prisão que pretende viajar pelo país. Alguns dos membros da Vigília Lula Livre disseram hoje que pretendem segui-lo. Um deles é Victor de Souza Andrade, 21.

Ele é Ipatinga (MG). Chegou em Curitiba no dia em que Lula foi preso. Na sexta-feira, ele conheceu o ex-presidente pessoalmente. Tirou foto com Lula enquanto ele conhecia a Vigília Lula Livre e soube do ato político marcado para amanhã, em São Bernardo do Campo (SP).

Victor disse estará lá. "Pego carona no ônibus da militância", avisou. "Vou atrás dele daqui para frente. Quero passar em casa, mas não vou largar a resistência."

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