PUBLICIDADE
Topo

PM do Ceará suspende ex-deputado e outros 168 envolvidos em motim 

Cabo Sabino (Avante),  ex-deputado federal  e líder do movimento dos policiais grevistas no Ceará - Arquivo pessoal
Cabo Sabino (Avante), ex-deputado federal e líder do movimento dos policiais grevistas no Ceará Imagem: Arquivo pessoal

Igor Mello

Do UOL, no Rio

22/02/2020 15h24

A Polícia Militar do Ceará afastou preventivamente o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante-CE) e outros 168 PMs envolvidos no motim iniciado na última terça-feira no estado. A decisão tem caráter imediato e suspendeu todos os pagamentos de natureza eventual feitos pela corporação aos citados por 120 dias. Os policiais também perdem todas as suas prerrogativas funcionais, incluindo o porte de armas. As punições foram publicadas no Diário Oficial do Ceará nesta sexta-feira (21).

Apontado como a principal liderança do motim no Ceará, Cabo Sabino, policial militar da reserva, foi um dos afastados pelo comando da corporação. De acordo com a portaria que o suspendeu, Sabino conclamou "a tropa a parar". Segundo a decisão, mesmo estando na reserva remunerada o político está sujeito às punições do Código Disciplinar da PM do Ceará.

Outra portaria afastou preventivamente, de uma só vez, 36 policiais militares que atuam na cidade de Sobral, no interior cearense. O senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado em frente ao batlahão do município na última quinta-feira (20). O político, que foi governador do Ceará durante o movimento grevista ocorrido entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, tentava romper com uma retroescavadeira uma barricada feita pelos policiais para impedir o acesso ao quartel quando foi baleado.

O UOL mostrou que o vereador Sargento Ailton, de Sobral, era um dos líderes do motim no quartel da cidade, onde Cid foi baleado. O político é sargento da PM do Ceará e organiza atos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro na região ao menos desde 2017. Após a revelação de seu envolvimento no ato, o Solidariedade —partido ao qual é filiado— decidiu expulsá-lo sumariamente.

Sargento Ailton se tentou se eleger deputado estadual na eleição de 2018 e fez dobradinha com Cabo Sabino, mas obteve apenas 7.387 votos. Após Cid Gomes ser baleado, Cabo Sabino afirmou ao UOL que o senador "esquece que o policial é treinado para defender a vida das pessoas, quanto mais de colegas, esposas e filhos? [Os tiros] não foram uma ação, foram uma reação".

Segundo as portarias, os PMs citados ficam afastados por 120 dias do trabalho, "em virtude da prática de ato incompatível com a função pública, gerando clamor público, tornando o afastamento necessário à garantia da ordem pública, à instrução regular do processo, assim como a correta aplicação da sanção disciplinar".

Por conta disso, os PMs perdem o porte de armas e outras prerrogativas relacionadas ao exercício de suas funções: "Os militares estaduais deverão ficar à disposição da unidade de Recursos Humanos a que estiver vinculado, órgão este que deverá reter sua identificação funcional, distintivo, arma, algema e qualquer outro instrumento de caráter funcional que esteja em posse do servidor", diz o documento.

A decisão prevê que "a medida ora deferida tem o condão de suspender o pagamento de qualquer vantagem financeira de natureza eventual que o afastado esteja a perceber, assim restam suspensas as prerrogativas funcionais próprias dos policiais militares".

Ceará tem 88 mortes em 72 horas após motim

Dados divulgados pela SSPDS (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social) do Ceará mostram que o número de mortes violentas no estado explodiu após o início do motim. De acordo com o último balanço, foram 88 assassinatos entre quarta-feira (19) e sexta-feira (21), uma média de uma vítima a cada 49 minutos.

Até o início da greve —proibida pela Constituição Federal e considerada ilegal pela Justilça do Ceará— o estado tinha, em média, seis assassinatos por dia. Na segunda-feira, última dia antes do início do movimento grevista, houve apenas três mortes.

Ontem, homens do Exército e da Força Nacional assumiram o patrulhamento das ruas em Fortaleza, capital cearense, e em outras cidades. A medida faz parte do decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) assinado pelo presidente Jair Bolsonaro como resposta à crise no estado nordestino.

Política